Decisão européiaforça novos rumos para Brasil

Em: 16 de fevereiro de 2008
Exportação é redirecionada para outros países com a decisão da União Européia
Exportação é redirecionada para outros países com a decisão da União Européia

A decisão da UE (União Européia) de suspender as importações de carne in natura brasileira é resultado de pressão de produtores ingleses e irlandeses. Entretanto, o bloqueio não representa prejuízos econômicos para o Brasil, que pode exportar para outros mercados ou atender ao consumo interno. A avaliação é do assessor técnico do Fórum Nacional de Pecuária de Corte da CNA (Confederação Na­cional da Agricultura), Paulo Mustefaga.
No dia 31 de janeiro, a União Européia suspendeu a compra de carne do Brasil, alegando insuficiência das garantias sanitárias e de qualidade dadas pelo país. Desde a última quinta-feira, técnicos do governo brasileiro e repre­sentantes do bloco europeu negociam, em Bruxelas, pontos para retomar as importações da carne brasileira mas o Ministério da Agricultura ainda não divulgou informações sobre a reunião.
Para ele, o bloqueio é fruto de pressões e campanhas difamatórias de produtores de carne ingleses e irlandeses no Parlamento Europeu para impor restrições carne brasileira. Como não têm um argumento sanitário con­sistente para impor barreiras carne brasileira, eles estão se valendo de argumentos técnicos de controle de movimentação de gado para impor restrições, mas, na verdade, isso é uma questão meramente comercial e econômica.
Para Paulo Mustefaga, os pro­dutores europeus não conseguem mais cobrir os custos de produção. “Apesar dos elevados subsídios que recebem não conseguem competir com os produtos brasileiros que vem, ano a ano, ganhando mercado”, afirmou.
De acordo com Mustefaga, o bloqueio não representa prejuízo para o Brasil, uma vez que o país vem ampliando as exportações para outros mercados. Outro fator é que as vendas para a União Européia representam 15% (194 mil toneladas) do total vendido pelo país e 3% da produção.
Mustefaga salientou, entretanto, que a importância do mercado europeu está nos preços pagos pelos países do bloco econômico e pelo fato de as exigências serem rigorosas. Para ele, isso abre outros mercados. É um mercado importante, por ser muito exigente em termos de condições sanitárias. “O Brasil exporta para a União Européia há mais de 60 anos e nunca foi registrado caso de problema sanitário com a carne brasileira”, acrescentou.

Redação

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