O Estado do Amazonas importou US$ 5,43 bilhões nos cinco primeiros meses de 2013. O número é o maior já registrado neste período do ano no Estado. O resultado é uma balança comercial com déficit de US$ 4,9 bilhões em 2013. Foi US$ 1,13 bilhão importado apenas em maio, maior volume do ano, além disso, a exportação sofreu um recuo pela primeira vez em 2013, indo de US$ 99 milhões exportados em abril para US$ 94 milhões em maio, resultando em um déficit de US$ 1,13 bilhão neste mês. Os dados são do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comercio Exterior).
No comparativo de maio a maio, 2013 teve o segundo pior desempenho dos últimos cinco anos, ficando atrás apenas de 2012. A balança comercial do Amazonas apresentou déficit de US$ 1,17 bilhão em maio do ano passado, o maior da história para o mês. Em 2011 o déficit foi de US$ 1,06 bilhão, 2010 de US$ 817 milhões e 2009 de US$ 370milhões, mostrando que esse aumento é uma tendência no Estado que é grande importador de insumos em virtude do Polo Industrial e ainda exporta muito pouco para outros países, buscando atender uma demanda, sobretudo do comércio nacional.
O economista, Alfredo Lopes, explica que esse crescimento no número de importações a cada ano acontece por causa das novas demandas nacionais por produtos como tablets e smartphones que demandam uma grande quantidade de insumos a um valor considerável. “O PIM depende muito dos insumos importados e essa dependência vem crescendo. Há um baixo investimento do Brasil na inovação tecnológica. O mercado de componentes é muito desprestigiado pelo governo federal. Isso obriga as empresas a recorrerem ao mercado externo, pois a produção no país se tornaria pouco rentável”, critica.
A afirmação se justifica se observarmos que a venda de tablets cresceu 164% no país no primeiro trimestre de 2013 em comparação a 2012, segundo os dados da Abinee (Associação Brasileira das Indústrias Elétricas e Eletroeletrônicas). Os Smartphones também apresentaram um crescimento considerável, chegando vender 86% a mais do que no igual período do ano passado.
Investir em bioindústria é a saída
Se levarmos em consideração a análise de janeiro a maio dos cinco últimos anos também pode ser observado um crescimento gradual no déficit da balança comercial. De 2009 para cá esse déficit cresceu de US$ 2 bilhões para praticamente US$ 5 bilhões. O que representa um crescimento em torno de 150% no déficit. Para Alfredo Lopes a única saída será investir na produção de insumos do polo farmacêutico, agricultura e bioindústria que podem ser fabricados com matéria prima do próprio Estado.
“Estamos há 13 anos esperando o Centro de Biotecnologia e ele não possui ainda o seu CNPJ. Não há sequer PPB para tornar viável a produção de origens vegetais e biológicas no PIM. Há uma falta de perspectiva do governo federal e dos empresários de investirem em biotecnologia”, lamenta. De acordo com o economista, investimentos nessa área podem não só diminuir a necessidade de importação de insumos do PIM, como transformar o Amazonas em um mercado exportador.
Para reforçar sua ideia, Alfredo cita o exemplo da fibra de curuá. Uma fibra que é considerada mais resistente que a fibra do vidro, que é alvo de pesquisas de laboratórios alemães. “Os japoneses tem interesses na fibra em virtude de sua resistência e de não impactar o meio ambiente. Há a ideia de que se misturada ao concreto pode produzir um matéria que ajudaria na construção de edifícios resistentes aos terremotos e tsunamis. Se houvesse incentivo poderia representar um grande produto exportador como aconteceu no ciclo da borracha” comenta.
Para o economista falta visão e ousadia para levar essas idéias adiante. “Imagina o efeito que daria um celular da Apple feito com essa fibra vegetal. O grande potencial econômico e ecológico que isso teria. Falta interesse, visão e ousadia. Estamos nos contentando em ficar sempre importando e gerando esses empregos lá na Ásia,” reclama.







