Deficit das indústrias locais é de 31,70%

Em: 10 de fevereiro de 2009
O déficit da balança comercial das indústrias do Amazonas avançou 40,57% no acumulado do ano passado, atingindo em números absolutos perto de US$ 7.38 bilhões
O déficit da balança comercial das indústrias do Amazonas avançou 40,57% no acumulado do ano passado, atingindo em números absolutos perto de US$ 7.38 bilhões

O déficit da balança comercial das indústrias do Amazonas avançou 40,57% no acumulado do ano passado, atingindo em números absolutos perto de US$ 7.38 bilhões. O fato aconteceu a despeito do gráfico das exportações ter registrado aumento de 12,56% em relação a 2007, quando a aceleração apurada atingiu US$ 5.25 bilhões.
Os números, divulgados ontem pela Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), apontam ainda para a possibilidade de uma retração de 8% já neste primeiro semestre, caso sejam mantidos os mesmos níveis de queda observados de novembro a dezembro.
Apesar de ter alcançado 12,56% o total das exportações de 2007, o saldo negativo da balança comercial de 31,70% no último bimestre do ano passado deu mostras claras de que a retração nos mercados estrangeiros no fim do ano impactou nas vendas da indústria local. De acordo com os números de 2007 divulgados pela autarquia e comparados entre si, novembro (US$ 101.48 milhões) e dezembro (US$ 79.30 milhões) daquele ano superaram em todos os aspectos igual período de 2008, cujas pautas de exportações atingiram, respectivamente, US$ 89.98 milhões e US$ 63.15 milhões.

Queda média

A Suframa, entretanto, apontou que esse comportamento de queda nas exportações, observado ao longo dos últimos cinco anos (excluindo 2008), resultou na queda média de 5,76% ao ano no ritmo das remessas de lucros e dividendos para o exterior. O descompasso no déficit em relação ao ano passado, de acordo com a autarquia, é o melhor resultado desde 2003, quando o rombo chegou a US$ 1.99 bilhão para um faturamento de US$ 5.37 bilhões.
Apesar dos números, a coordenadora-geral de estudos econômicos e empresariais da Suframa, Ana Maria Oliveira de Souza, avaliou que é cedo para apontar tendências e frisou que a expectativa e o empenho da entidade continuam focados no crescimento do PIM. Segundo a executiva, nas últimas semanas, a autarquia tem trabalhado mais intensamente com o Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) e o governo do Estado no lançamento de medidas voltadas à manutenção da produção e dos empregos. “Registramos uma retração no fim de ano, mas isso é em parte sazonal, que se estende tradicionalmente ao início de ano. Precisamos avaliar o comportamento do primeiro trimestre de 2009 como termômetro para termos uma avaliação mais apurada da economia”, disse.

Resultado do PIM deve acompanhar fluxo nacional

Segundo Ana Souza, o PIM deverá acompanhar o fluxo de comércio do restante do Brasil neste ano, com crescimento previsto de 3,2% para o PIB (Produto Interno Bruto) e de 3,9% para o consumo das famílias.
Além disso, o saldo negativo da balança comercial, ainda de acordo com a Suframa, está praticamente duas vezes menor que o apurado até o ano passado, quando a Suframa detectou um déficit de US$ 5.25 bilhões para um volume faturado de US$ 13.41 bilhões. Para o economista Tasso Lopes, para quem a tendência à desaceleração do déficit por força da menor saída de lucros e dividendos até o fim do ano já pode ser considerada como quase certeza, a expressiva queda no déficit no ano passado não pode servir de parâmetro para 2009. “A razão disso é o recrudescimento do fator consumo no mercado internacional, mais especificamente nos Estados Unidos e Comunidade Européia”, completou.
O diretor-executivo da Aceam (Associação de Comércio Exterior da Amazônia), Moacyr Bittencourt, já havia frisado que os exportadores vêm enfrentando uma situação difícil por força da queda na sanha de compra dos clientes internacionais. Segundo o executivo, apesar dessa retração no volume de importações, apontar para possível adensamento na cadeia produtiva do PIM (Polo Industrial de Manaus), fato que vem sendo trabalhado há alguns anos pelos setores fabris no comércio exterior, o avanço de 20% na cotação do dólar frente à moeda nacional foi frisado pelo executivo como um dos motivos pelos quais não se pode cogitar lucros reais para este ano. “Isto porque a disparada do dólar iniciada a partir da crise bancária americana onera a produção industrial local e a participação de cada empresa no saldo das importações de insumos. No fim, o impacto alcança tanto as exportações, quanto para o mercado interno”, explicou.
Mesmo diante da crise econômica que afetou mais contundente o mercado internacional no último trimestre do ano passado, o PIM (Polo Industrial de Manaus) encerrou 2008 com faturamento recorde de US$ 30.12 bilhões. O balanço leva em consideração as informações fornecidas por 388 das aproximadas 550 fábricas instaladas no Amazonas.

Principais produtos

Entre os fabricantes que encerraram 2008 com aumento de produção, estão os de unidade evaporadora e de unidade condensadora para split system (398,61% e 187,98%,respectivamente), televisores com tela de cristal líquido – LCD (231,90%) e de plasma (73,85%), câmera fotográfica digital (82,15%), motocicletas, motonetas e ciclomotores (27,01%), set-top box(23,37%). Além desses, também tiveram balanço positivo no exercício passado as empresas produtoras de aparelho telefônico – inclusive porteiro eletrônico (24,99%), telefone celular (23,35%), relógio de pulso e de bolso (16,14%), CDs e CD ROM (12,91%), micro­computador – incluindo os modelos ­portáteis (6,38%), auto-rádio e aparelho reprodutor de áudio (6,05%) e aparelho de barbear (5,83%).

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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