O déficit nas transações correntes do Brasil com o exterior somaram US$ 1.665 bilhão em julho, ante um saldo negativo de US$ 2.168 bilhões no mesmo período de 2008, de acordo com dados do Banco Central. No acumulado do ano foram US$ 8.739 bilhões, melhora em relação aos US$ 19 bilhões registrados no mesmo período de 2008.
Entram nessa conta o resultado da balança comercial, os gastos do país com serviços, as remessas de lucros e as transferências unilaterais. A melhora em relação ao ano passado, segundo o BC, se deve principalmente à queda nas remessas de lucros e dividendos para o exterior por causa da desaceleração da economia, que passou de US$ 23 bilhões em 2008 para US$ 13.2 bilhões até julho deste ano.
Também melhorou no superávit da balança comercial, de US$ 14.6 bilhões para US$ 16.9 bilhões na mesma comparação.
Investimentos estrangeiros
Os investimentos estrangeiros no setor produtivo recuaram em julho, tanto na comparação com o mês anterior como em relação ao mesmo período de 2008.
De acordo com dados do Banco Central, entraram no país US$ 1.287 bilhão, ante US$ 1.45 bilhão no mês anterior. No acumulado do ano, o investimento soma US$ 13.971 bilhões, queda de 30%. Apesar da queda, houve melhora em relação ao resultado do começo do ano, quando a queda chegou a 60%. O BC divulgou também os números sobre os investimentos estrangeiros no mercado financeiro. As aplicações em ações negociadas no país ficaram positivas em US$ 6,7 bilhões em julho e acumula no ano um saldo positivo de US$ 9.783 bilhões. Em ambas as comparações, houve melhora em relação ao resultado de 2008.
Na renda fixa negociada no país, o resultado ficou positivo em US$ 921 milhões em julho e US$ 2 bilhões no ano.
Gastos de turistas
Segundo dados do Banco Central, os gastos de turistas brasileiros no exterior chegaram a US$ 1.04 bilhão em julho. É o sexto mês seguido de crescimento nesse indicador e o melhor resultado desde setembro de 2008, antes da disparada do dólar provocada pela crise internacional de crédito.
Além do câmbio e da melhora na economia, o resultado também é afetado pelo período de férias. Dados parciais para agosto mostram um resultado positivo de US$ 718 milhões para o mês atual.
O Banco Central também divulgou o dado acumulado no primeiro semestre.
Alta do dólar piora a crise
Foram gastos US$ 5.5 bilhões, ainda abaixo dos US$ 6.8 bilhões verificados no mesmo período de 2008. Entre maio e setembro do ano passado, quando o dólar estava próximo de R$ 1,60, os gastos chegaram a ultrapassar o patamar recorde de US$ 1 bilhão. A alta do dólar e a piora na crise econômica, no entanto, afetaram os resultados.
Agora, com a volta do dólar para o patamar abaixo de R$ 2 e a estabilização na renda do brasileiro, se espera um aumento desses gastos. Os gastos de estrangeiros no Brasil caíram menos, de US$ 3,7 bilhões para US$ 3 bilhões no acumulado do ano. O BC espera um déficit na conta de viagens internacionais neste ano de US$ 3 bilhões. O número representa a diferença entre os gastos dos brasileiros fora do país e dos estrangeiros que visitam o Brasil. Um déficit significa gasto maior por parte dos brasileiros. No ano passado, o déficit foi de US$ 5 bilhões.
A conta das viagens internacionais é parte do relatório do Banco Central sobre o setor externo. Elas fazem parte do balanço de pagamento, que computam os investimentos estrangeiros no país (no setor produtivo e no mercado financeiro) e as transações correntes (comércio, serviços e rendas).
Dentro das transações correntes está a conta de serviços e rendas, que inclui os gastos dos turistas estrangeiros no Brasil e as despesas dos brasileiros no exterior.
Esses valores não consideram as despesas com passagens aéreas, que não são computadas pelo Banco Central nessa conta (entram junto com os gastos com fretes).






