Demanda por seguro-desemprego caiu 3,71% na comparação com outubro

Em: 10 de janeiro de 2023

A demanda por seguro-desemprego no Amazonas registrou seu terceiro mês consecutivo de queda, em novembro. O número de requerentes caiu 3,71% na comparação com outubro, de 5.490 para 5.286. Foi o segundo menor número do ano, e perdeu apenas para junho (5.248), além de ficar bem abaixo do pico anual apresentado em março (7.110). A procura também se manteve 2,22% superior à registrada no mesmo período de 2021 (5.406), conforme a base de dados do Ministério do Trabalho e Previdência.

A redução ocorreu no mesmo mês em que o placar do ‘Novo Caged’ marcou seu 11º mês seguido de saldo positivo de empregos formais. O Amazonas abriu 2.109 postos de trabalho, graças a um novo predomínio das admissões (+18.892) sobre as demissões (-16.783), com alta de 0,44% sobre o estoque anterior. O saldo de vagas, contudo, veio mais fraco do que os de outubro (+3.463), setembro (+5.214) e agosto (+4.088), além de corresponder a menos da metade do registrado 12 meses atrás (+4.817). E, diferente do ocorrido nos meses anteriores, as contratações foram sustentadas basicamente pelo comércio, em um mês fraco para os serviços e para a indústria.

A demanda no Estado foi na direção oposta da média nacional, que sofreu incremento de 2,29%, entre outubro (517.948) e novembro (529.808). A comparação com o dado de 12 meses atrás (512.848) rendeu acréscimo de 3,31%. A diferença é menor no acumulado dos 11 meses iniciais de 2022. O Amazonas somou 66.482 solicitações, patamar 8,80% superior ao de 2021 (61.104). Em todo o país, foram registrados 6.156.468 pedidos de seguro-desemprego, o que representou uma elevação de 9,79%, na comparação com igual aglutinado do exercício anterior (5.607.258). 

A procura no Amazonas foi mais forte na segunda quinzena (2.918), do que na primeira (2.368). A soma do total dos pagamentos do benefício no Amazonas superou os R$ 21,76 milhões, sendo que o valor médio das parcelas foi de R$ 1.514,10 –em um total de 14.375 cotas. Houve redução no valor global dos benefícios e na quantidade de prestações (R$ 22,83 milhões e 15.091), em relação a outubro. Mas, o valor médio se manteve praticamente o mesmo (R$ 1.512,83). Conseguir o benefício ficou mais difícil, já que a taxa de habilitação caiu de 86,9% para 81,9%, na mesma comparação.

Serviços x agropecuária

O arrefecimento mensal na demanda foi uma realidade para três dos cinco setores econômicos do Amazonas, em um quadro que colocou os serviços e a agropecuária em extremos opostos. O maior empurrão veio dos serviços (+1.939), que responderam por 36,68% dos registros e recuaram 6,06% ante outubro. O setor também foi o único a reduzir as solicitações na comparação com o mesmo mês de 2021 (-0,87%). Em novembro, a atividade deixou de ser a principal indutora de empregos, ao gerar apenas 315 vagas celetistas, desacelerando significativamente ante outubro (+1.323) e setembro (+3.384).

Comércio e indústria retraíram sua busca pelo benefício na variação mensal (-5,61% e -2,66%) e avançaram na base anual (+4,63% e +1,31%). Já a construção (+1,19% e -27,10%) teve movimentos inversos, enquanto a agropecuária colheu os piores números (+108,82% e +10,94%). No mesmo mês, o comércio teve seu melhor resultado do ano, ao criar 2.111 postos de trabalho e puxar os números do Estado para cima, enquanto a indústria (+245) também desacelerou sua oferta ante outubro (+1.109) e setembro (+1.269). Em contraste, construção (-323) e agropecuária (-239) protagonizaram cortes.

Em síntese, a base de dados mostra ainda que, além de atuar no setor de serviços, o perfil majoritário do trabalhador amazonense que procurou o seguro-desemprego em novembro era composto por homens (65,17% e 3.445), de 30 a 39 anos de idade (32,82% e 1.735), com ensino médio completo (76,56% e 4.047), e que ganhavam entre um salário mínimo e um salário mínimo e meio (43,68% e 2.309) por mês.

“Cenário de acomodação”

Na análise da ex-vice-presidente do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Estado do Amazonas), e professora universitária, Michele Lins Aracaty e Silva, os dados refletem um “cenário de acomodação” do mercado de trabalho em um ano de busca pela recuperação econômica. A economista avalia que o comércio “segue dando um show” de recuperação e geração de empregos em comparação à indústria e diz que parte dos números resulta do volume de renda disponível circulando na economia.

“O mercado de trabalho do Amazonas demonstra força e contribui para fomentar a empregabilidade da mão de obra local, garantindo a circulação de renda. Acerca do perfil dos assalariados, nota-se um cenário muito semelhante aos de resultados anteriores e sem grandes surpresas. Com base nos resultados dos meses anteriores, e já contando com os dados de dezembro, espera-se que o Amazonas seja um dos poucos Estados a apresentar números regressivos acerca da demanda por seguro-desemprego”, projetou.

“Políticas de emprego”

Na mesma linha, o ex-presidente do Corecon-AM, consultor empresarial e professor universitário, Francisco de Assis Mourão Júnior, avalia que os números confirmam que a economia amazonense ainda está sólida, apesar dos juros altos, do repique inflacionário e de “todos os ataques sofridos pela ZFM no ano passado”. Ele considerou, contudo, que a queda na procura foi menor do que o desejado e que o momento ainda é de prudência.

“A maior contribuição veio do setor de serviços, que emprega bastante. Comércio e indústria já vinham se preparando, pela aproximação do final do ano. Vale ressaltar que a maior parte dos solicitantes compõem uma mão de obra pouco qualificada e que sofre mais em um mercado competitivo. São números que refletem a ausência de um Estado com políticas de emprego que qualifiquem esses trabalhadores. Temos de ver agora como o mercado vai se comportar em 2023. Principalmente nesse quadro de crise, e diante desses ataques aos três poderes em Brasília, que devem repercutir na economia”, alertou.

“Virada de chave”

A consultora empresarial, professora e integrante da seção regional da Associação Brasileira de Economistas pela Democracia no Amazonas, Denise Kassama, considera que 2022 foi um ano de “virada de chave” para recuperação dos impactos econômicos da pandemia. “Quem não conseguiu se reerguer, não consegue mais. Foi um ano bastante atípico e a tendência de seguirmos no mesmo galope de 2023 em diante”, analisou, embora tenha ressaltado que os resultados poderiam ter sido mais fortes em um ano de Copa.

A economista diz que os números mostram nível “tímido” nas contratações do comércio e da indústria, sinalizando maior cautela das empresas. E chama a atenção ainda para o fato de que a evolução nos empregos formais nos serviços não implica necessariamente em um trade off com os dados na sua demanda por seguro-desemprego. “Tem muita informalidade e também muita pejotização no setor. É bastante comum você ver microempreendedores individuais atuando nessas atividades. E estes não têm direito ao benefício, quando termina o contrato de trabalho”, arrematou.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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