Mais de 12 mil trabalhadores foram demitidos das fábricas do PIM no primeiro semestre, segundo informações do Sindmetal-AM (Sindicato dos Metalúrgicos do Estado do Amazonas). Ao todo, as 12.787 demissões representam praticamente o dobro (+92,86%) dos desligamentos efetuados no mesmo período do ano passado. Só em junho foram 1.738 desligamentos anotados.
De acordo com o levantamento, o campeão de demissões foi o polo eletroeletrônico (-8.381 postos), seguido do metalúrgico (-2.497 vagas) e do setor de duas rodas (-1715).
O maior número de rescisões contratuais no período partiu da Moto Honda com 886 desligamentos, crescimento de 86,13% sobre o mesmo período de 2011. Já a LG, com 548 postos a menos, anotou crescimento de 302,94% nas demissões enquanto a Semp Toshiba, com 454 rescisões, demitiu 46% a mais nos seis primeiros meses do ano.
“Esses números não nos assustaram porque já eram esperados. Boa parte dessas homologações veio do polo de duas rodas, mas outro percentual veio das fábricas de bens intermediários tanto do setor de duas rodas quanto do eletroeletrônico. Dessa forma, toda cadeia produtiva dos dois principais segmentos geradores de faturamento foi afetada”, avaliou o presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco.
Até abril, segundo os dados mais recentes dos indicadores da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), tanto o polo eletroeletrônico (incluindo bens de informática) com faturamento de US$5,21 bilhões quanto o de duas rodas, com o montante de US$ 2,72 bilhões, anotaram recuo de 2,47% e 5,52%, respectivamente.
“Isso porque a produção caiu muito nos primeiros meses do ano refletindo diretamente na geração de mão de obra”, reforçou o analista econômico da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Gilmar Freitas.
Os indicadores apontam ainda que a produção de motocicletas até abril, por exemplo, já registrava queda de 7,72% (660.2 mil unidades) contra as 715.4 mil unidades do primeiro quadrimestre do ano passado. A produção de condicionadores de ar split, por sua vez, caiu 56,54% com 336.4 mil aparelhos fabricados no mesmo período.
No entanto, o economista defende que não é interesse de nenhuma dessas empresas desligar os funcionários. “Para elas é um custo muito grande. Não é interessante demitir, e isso prova que a situação estava realmente grave”, ressaltou.
O setor mais afetado, na avaliação do presidente da Aficam, Cristovão Marques, foi o componentista, especialmente para aqueles que produzem bens intermediários para o setor de duas rodas, em crise desde o início do ano. “Estamos esperando o trabalho da Suframa e do governo federal e Estadual que juntos têm buscado soluções, mas a expectativa é de melhora apenas a partir de setembro, porque medidas como essa demoram a entrar em vigor”, constatou.
Por outro lado, o presidente do Sinaees (Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônico e Similares de Manaus), Celso Piacentini, disse que, apesar dos resultados, o segmento eletroeletrônico enfrenta um pouco menos de turbulência e possui boas chances de recuperação nos próximos meses. “A produção de microondas e condicionadores de ar split sofreram bastante com as importações, mas outros bens finais tiveram bom desempenho e a perspectiva para o segundo semestre sempre é de aquecimento para esses produtos. Apenas os componentes tem sofrido. Mas a parte de bens finais está sob controle”, analisou
Medidas aguardadas
Gilmar Freitas afirma que é preciso aguardar o resultado de algumas ações tomadas no primeiro semestre como o aumento do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para motocicletas, fornos de microondas e condicionadores de ar splits importados.
Algumas medidas estão sendo estudadas pelo governo federal especificamente para reverter a crise do setor de duas rodas como a desoneração de tributos como o PIS/Cofins (Programa de Integração Social/Contribuição para Financiamento da Seguridade Social) e ações para facilitar o financiamento de motocicletas.
“Além disso, nós nunca tivemos uma conjuntura tão boa. Redução do spread bancário, cortes consecutivos da Selic e valorização do dólar. Teoricamente, esse conjunto de fatores deveria ter proporcionado melhores resultados, mas não foi o que ocorreu. Nossa esperança é que o reflexo recaia sobre o segundo semestre”, projetou.
Para Wilson Périco, a reação já poderia ter começado, mas situações como a greve da receita federal teriam atrapalhado. “Mesmo assim, apostamos na recuperação, principalmente de produtos como televisores e demais itens eletroeletrônicos”, concluiu.






