Desabafo sincero do governador Omar

Em: 6 de fevereiro de 2013
Em sua fala na reabertura dos trabalhos da Assembleia Legislativa, ontem, o governador Omar Aziz foi de uma sinceridade constrangedora
Em sua fala na reabertura dos trabalhos da Assembleia Legislativa, ontem, o governador Omar Aziz foi de uma sinceridade constrangedora

Em sua fala na reabertura dos trabalhos da Assembleia Legislativa, ontem, o governador Omar Aziz foi de uma sinceridade constrangedora. Ele disse que a cada mês morre “uma Santa Maria” por falta de atendimento médico no interior do Amazonas. De fato, há todo tipo de limitação na saúde. Quanto mais distante o município, mais difícil de convencer um medico ou um enfermeiro a mudar-se para lá. Não por acaso, o projeto de lei que tramita no Congresso, liberando o registro de profissionais estrangeiros, para atuar em áreas remotas, é tão importante para o Amazonas. Neste sentido, o desabafo do chefe do Executivo ontem pode ajudar, e muito, se repercutir em nível nacional. Sua comunicação ajudaria muito o Estado se forçasse esta barra.

Burburinho

Omar tem feito movimentos enigmáticos. Nos últimos dias, incensou repetidamente seu vice, José Melo. A ponto de se especular que este último seria a nova e poderosa peça colocada no tabuleiro da sucessão de 2014. Os mais animados diziam ontem, na Assembleia, que Melo pode trocar o PMDB pelo PSD nos próximos dias. Para isso acontecer, sua esposa, Edilene Gomes, deve necessariamente deixar a função de secretária particular do senador Eduardo Braga. Este é o movimento decisivo, que o meio político deve observar com atenção.

Drama

Depois de abrir o ano letivo e os trabalhos do Legislativo, Omar embarcou de novo para São Paulo, onde volta a acompanhar a evolução do estado de saúde de sua mãe, dona Delfina Aziz. Ele não tem escondido nos últimos dias o abatimento por conta dessa situação e chegou a chorar ao citá-la no longo discurso que fez ontem. Ela continua internada na UTI do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, depois de um aneurisma que afetou seriamente seu organismo. Correntes de oração foram formadas para pedir aos céus sua recuperação, envolvendo integrantes das diversas correntes religiosas, dos evangélicos aos umbandistas.

Tempo ruim

Fechou o tempo ontem em Brasília e o Orçamento da União segue sem votação, o que prejudica a liberação de emendas e outros recursos destinados ao Amazonas. No olho do furacão está o senador amazonense Eduardo Braga (PMDB), que foi impedido pela presidente Dilma Roussef de negociar o andamento da matéria, em troca da votação dos vetos que trancam a pauta. Por causa disso, ficou tudo para depois do Carnaval.

Carta

O deputado Francisco Praciano (PT) enviou carta emocionada ao senador mato-grossense Pedro Taques (PDT), elogiando-o pela iniciativa de remar contra a corrente e lançar-se candidato a presidente do Senado contra Renan Calheiros (PMDB), mesmo sabendo que perderia. Para o petista, tratou-se de um gesto digno, para mostrar ao país que existe vida ética no Congresso.

Expectativa

A maior expectativa para a leitura da mensagem do prefeito Arthur Neto, hoje, na Câmara Municipal de Manaus, está nas galerias, e não no pronunciamento em si. É que vendedores ambulantes e funcionários de casas noturnas se mobilizavam ontem para comparecer hoje à Casa e protestar contras as últimas medidas da Prefeitura, que interromperam o faturamento das duas categorias. Não está descartada a presença de outros manifestantes.
Puleiro

Outra expectativa é para saber como reagirão os profissionais de imprensa, que serão impedidos de entrar em plenário para acompanhar a sessão, depois das novas resoluções baixadas pela Mesa Diretora da Câmara. Todos serão obrigados a acompanhar os trabalhos a partir da sala de imprensa, que até ontem permanecia da mesma forma como foi entregue pelo ex-presidente Isaac Tayah (PSD). Ou seja, o “puleiro”, como costumam chamar os próprios jornalistas, pode se transformar em muro das lamentações. Apenas o pessoal de foto e vídeo está autorizado a entrar, e ainda assim com o traje correto, ou seja, terno e gravata.
Bom adversário

O prefeito de Itacoatiara, Mamoud Amed (PSD), não pode se queixar do deputado Sinésio Campos (PT), aliado de seu adversário Antonio Peixoto. É que, mesmo derrotado nas últimas eleições, o parlamentar lutou, e conseguiu, liberar R$ 200 mil para o Carnaval do município. Com isso, está garantido o tradicional desfile realizado todos os anos. A Secretaria de Cultura vai liberar a verba.

Samba no escuro

E por falar no reinado de Momo, as escolas de samba de Manaus estão precisando tomar um banho de descarrego. Depois da dissolução da Ageesma, o que dificultou ainda mais, o recebimento de recursos, agora eles terão que trabalhar no escuro. É que por falta de pagamento, ontem, a energia elétrica dos galpões foi cortada. O corre-corre foi geral. “Não está faltando mais nada para acontecer com o nosso carnaval”, disse um dirigente que preferiu ficar no anonimato.

Líder só do PT

No início dos trabalhos legislativos, na Assembléia, o PT vai ter que resolver um imbróglio interno. É que por conta de um acordo, o deputado José Ricardo será o líder do partido. Acontece que nesse mesmo acordo, dizem, tem uma cláusula que diz que o parlamentar que ocupar esse cargo não pode ser contra o governo estadual. Ricardo, nega a cláusula e avisa que a postura de oposição vai continuar. Vamos ver no que vai dar.

Desmentido

O senador Eduardo Braga, ao que tudo indica, está acompanhando de perto as declarações da secretária Rebecca Garcia. Ontem ele determinou à sua assessoria que distribuísse release dizendo que a Zona Franca de Manaus estaria resguardada na reforma tributária prevista para este ano, quando as alíquotas do ICMS serão unificadas. A deputada havia dito ao JC que a matéria coloca em risco o Pólo Industrial.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar