Criado em 2007, a FAS (Fundação Amazonas Sustentável), uma instituição público-privada, sem fins lucrativos, não governamental e sem vínculos político-partidários, atua promovendo o envolvimento sustentável na melhoria da qualidade de vida das comunidades moradoras das unidades de conservação do Amazonas. Apesar do pouco tempo de existência, a instituição já alcançou a segunda colocação no ranking brasileiro de organizações socioambientais do terceiro setor. A equipe de reportagem do Jornal do Commercio entrevistou o superintendente da Fundação, Virgílio Viana, que destacou ações da FAS, entre elas, o Programa Bolsa Floresta, que é considerado o maior programa de pagamento por serviços ambientais do mundo, recompensando as populações pela contribuição ao meio ambiente. Além disso, ele ainda revelou metas para o próximo ano e o papel do caboclo.
Jornal do Commercio – Nesses quatro anos de existência da fundação, de que forma vocês contribuíram para a melhoria de vida do caboclo? ?
Virgílio Viana – Através dos investimentos do Bolsa Floresta conseguimos bons resultados nas 15 unidades de conservação em que atuamos, que beneficia quase 8 mil famílias através de quatro componentes: o familiar, que promove o envolvimento das famílias na redução do desmatamento; o renda, que apóia à produção sustentável: peixe, óleos vegetais, frutas, mel, castanha entre outros; o social, que realiza ações para a melhoria da educação, saúde, comunicação e transporte; e o associação, que atua no poder reivindicatório das comunidades muito isoladas.
JC – Como o senhor avalia 0 o primeiro semestre da FAS?
VV- Nós conseguimos avançar muito no programa de educação para a sustentabilidade, que é desenvolvido nos núcleos de educação, que atua em Mamirauá, no Rio Negro, no Uatumã e em Juma. É como se fosse uma mini-universidade no meio da floresta, e isso é uma semente de uma revolução que a gente está plantando, é uma transformação da educação voltada para a realidade do caboclo, um programa de ensino de tempo integral, e que esse ano conseguimos consolidar. Além disso, conseguimos duas novas parcerias uma com a Samsung e outra com a HRT, que vão permitir construir mais dois núcleos.
JC – Quais são as metas para o próximo ano?
VV – A ideia é ampliar o número de parcerias com empresas do PIM (Polo Industrial de Manaus), lembrando que 92% dos nossos recursos são oriundos de origem privado, recebemos também uma pequena fração do exterior, aproximadamente 5%. Todos de empresas brasileiras ou baseadas no Brasil.
JC – E o caboclo como aliado do meio ambiente, ele possui condições para isso? Que papel a Fundação tem sobre isso?
VV- A gente acredita que o caboclo tem um papel muito importante pelo fato de ser um cidadão que nasce conhecendo e admirando a natureza mais do que o urbano, por esse motivo um de nossos incentivos é o Festival de Música da Floresta, onde todas as canções remetem uma relação positiva com a natureza, em que premiando compositores das unidades de conservação, conseguimos valorizar o talento musical dos guardiões da floresta através dessa manifestação cultural. E isso reforça a ideia de que nós temos no caboclo uma visão pró-floresta, o único desafio é dar a ele uma lógica econômica, de fazer com que ele entenda que a floresta dá mais dinheiro para ele em pé do que derrubada.
JC – Como acontece essa valorização e conscientização do caboclo?
VV – Nós temos vários canais, um deles é fruto de uma parceria com a Rádio Cultura do Amazonas, através do Vozes da Floresta, um programa semanal, que aborda desde saúde até dicas de alimentação. Investimentos também, em atividades relacionadas a eventos esportivos, como forma de animar e entreter a comunidade. E programas relacionadas as mini-universidades, permitindo que essas pessoas que moram lá no meio do mato passam ter uma educação de qualidade, mostrando que não é necessário vir para Manaus. Então o que nós estamos fazendo é um investimento estratégico, de retenção de talentos, de inteligência no meio da floresta, para que essas pessoas possam olhar para o futuro com uma perspectiva positiva, muitos já tiveram em Manaus e falam inclusive que não querem morar aqui, devido a violência, e quando acabam vindo é porque não tem outra opção. O jovem podendo estudar em sua comunidade, nós damos a ele uma opção de sonho, de futuro, de esperança no meio da floresta.







