Descontos  para carros populares ajudam a melhorar as vendas

Em: 23 de junho de 2023
Descontos subsidiados pelo governo são direcionados aos veículos de até R$ 120 mil

O desconto da “MP dos Automóveis”, em Manaus, está ajudando nas vendas dos produtos nas concessionárias. O volume comercializado pelas concessionárias chega a 30%. Após  medida anunciada pelo governo federal, dezenas de modelos ficaram mais baratos. Alguns dos descontos passam dos R$ 10 mil.

Os descontos subsidiados pelo governo são direcionados aos veículos de até R$ 120 mil com descontos que variam de 1,5% a 10,96%, considerando a redução de  alíquotas do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e da redução do (PIS/Cofins), 

Favorecidos pelo impacto da medida com maior demanda no mercado, representantes do segmento em Manaus, estão otimistas e animados, apesar do ambiente de taxas de juros altas e crédito restrito. 

“É uma condição excelente. Estamos com o veículo mais barato hoje. Os carros populares tiveram um desconto maior e as procuras aumentaram. É muito válido,  porém ainda esbarramos com taxas altas de juros e crédito restritos perante as financeiras o que tem atrapalhado bastante”, afirmou o empresário do setor, Diogo Augusto.

Segundo ele, existe uma tabela nos populares com média de descontos de R$ 6 mil.

“Essa MP tem feito os clientes voltarem a procurar as lojas isso é importante, mas como eu mencionei, o juros altos, aperto no crédito e também a questão do carro usado do cliente atrelado à baixa na avaliação em razão da queda do veículo zero atrapalham um pouco o dinamismo do setor”, lembrou.   

“Os descontos estão valendo a pena, apesar do ambiente de juros mais altos. Como não há certeza sobre o prazo de duração da medida, muitos clientes estão sondando para fazer negócio”, acrescentou. 

Ivan Santos, gerente comercial em uma concessionária na capital informou que o  consumidor tem  analisado as condições e fechado alguns negócios. “A medida chegou em bom  momento. É uma ótima oportunidade para quem quer comprar ou trocar o carro. A proposta ajudou a turbinar as vendas. Esperamos que por um longo período”, disse. 

Para Ruiter Rezende, diretor da Mavel Veículos, todo incentivo será sempre bem-vindo. “Neste momento de mercado, foi extremamente importante tanto para a manutenção dos empregos na indústria quanto para o consumidor que tem acesso a produtos mais baratos. Lembro que nosso país carrega uma das maiores cargas tributárias do planeta e que o governo tem espaço para a redução de impostos no segmento”, citou. 

Na opinião do empresário, o ponto negativo foi o anúncio prematuro por parte do governo que retraiu o comércio. Ou seja, o governo demorou mais de 15 dias para liberar a MP que teve algumas particularidades para implementação e algumas dificuldades relacionadas às devoluções e refaturamentos dos veículos existentes nos estoques das concessionárias. 

Passado essa fase ele comentou sobre o ponto positivo, pois destacou que  o consumidor está tendo  acesso a produtos mais baratos. No caso da Volkswagen, além dos incentivos do governo, o consumidor obteve descontos adicionais concedidos pela montadora e pelo concessionário, assim como taxas subsidiadas atrativas implementadas pelo banco Volkswagen. 

“Os negócios são muito atrativos para quem deseja comprar um veículo tanto de entrada quanto dentro da faixa de até R$ 120.000. É uma pena que esta medida seja tão curta e tenha data e hora para acabar, mas posso dizer que este é o momento de compra de veículos”, contou. 

O presidente do Sincodiv-AM (Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Estado do Amazonas), João Braga Neto, disse que as empresas têm passado todo o desconto para o consumidor final em alguns modelos até maior que o bônus dado pelo governo. Contudo, ele reiterou que as indefinições sobre como aplicar e proceder com as faixas de descontos determinadas pela MP atrapalhou muito. “Agora as montadoras estão correndo atrás dos clientes para tentar recuperar o tempo perdido e aproveitando para negociar”. 

Outro ponto citado pelo presidente da entidade é o mercado incerto, sem saber até quando vai valer a medida. Se vai prorrogar. Se o cliente acha que vai vir coisa melhor. “A pior coisa para um mercado é a indefinição”. 

Marcas

Hoje, os automóveis novos mais baratos do país são o Renault Kwid e o Fiat Mobi, os únicos com preço abaixo de R$ 60 mil, de acordo com as tabelas divulgadas pelas montadoras. O Fiat Mobi Like diminuiu de R$ 68.990 para R$ 58.990, mesmo preço do Renault Kwid. O desconto para o Kwid é de R$ 10 mil, somando os R$ 8.000 concedidos pelo governo e mais R$ 2.000 de incentivo da montadora. 

Entenda

Pelo texto da MP,  veículos leves de até R$ 120 mil, esse desconto pode variar de R$ 2 mil a R$ 8 mil. Essa variação se dá em função de uma série de critérios organizados pela MP, que fazem uma espécie de corrida por pontos. Na prática, esses critérios podem somar de 65 a 100 pontos na hora da venda do carro. Assim, quanto mais perto de 65 pontos, mais perto o desconto vai ficar de R$ 2 mil. E quanto mais perto de 100 pontos, mais perto o desconto vai ficar de R$ 8 mil.

O primeiro critério é o combustível. Aqui, carros com etanol, híbridos e elétricos saem na vantagem. O segundo é a eficiência energética. Se beber muito, já sabe: vai ganhar menos pontos. O terceiro critério é o preço, quanto mais barato, mais pontos ganha. E, por último, ganha mais pontos aqueles carros cujas partes forem produzidas no Mercosul.

Para veículos pesados, os critérios são diferentes. O valor do desconto vai de R$ 33,6 mil até R$99,4 mil e vai variar de acordo com a destinação (transporte de passageiros ou de carga) e capacidade de carga do veículo. Mas a principal diferença, aqui, é que para adquirir um veículo pesado, o consumidor vai ter que dar na troca um outro veículo pesado, que tenha mais de 20 anos de idade.

Ao todo foram disponibilizados R$ 1,5 bilhão para o programa, sendo R$ 500 milhões para veículos leves e R$ 1 bilhão para pesados (divididos entre veículos de carga e de passageiros). Bem como, a duração prevista do incentivo foi de 120 dias, contados da publicação da MP.

Andréia Leite

é repórter do Jornal do Commercio
Pesquisar