Descontrole financeiro é grande vilão

Em: 30 de novembro de 2017
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Com as compras de fim de ano se aproximando, especialistas alertam para o cuidado no uso do cartão de crédito e sugerem cautela e o pagamento a vista como a melhor maneira de adquirir um bem ou serviço. Segundo últimos dados do BC (Banco Central), em 2016, o brasileiro pagou R$ 674 bilhões com cartão de crédito e R$ 430 bilhões em débito, números que representam um crescimento de 3% e 10% respectivamente em relação a 2015.

Segundo a especialista em educação financeira e vice-presidente da Abefin (Associação Brasileira de Educadores Financeiros), Glauce Galucio, ao fazer compras no cartão de crédito, é preciso ter cuidado para que a soma das dívidas não ultrapasse 30% do salário ou ganho mensal, justamente para evitar o descontrole financeiro. “Quem chegou ao ponto de não conseguir pagar as parcelas mensais precisa fazer, imediatamente, um diagnóstico financeiro para rever sua situação e combater a verdadeira causa do problema”, disse.

De acordo com pesquisas da Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços), com a nova regra do rotativo do cartão de crédito, os juros caíram quase pela metade. Glauce alerta que apesar dessa boa notícia, nada adianta se o consumidor não souber controlar seus gastos.
“Para usar o cartão de crédito com consciência é preciso estar atento às taxas cobradas, mas mais do que isso, é necessário se educar financeiramente, pois por mais que o valor total da dívida seja diminuído após o parcelamento, as parcelas mensais são muito parecidas com o valor mínimo da fatura. Isso significa que no orçamento mensal a diferença é quase nula”, explica.

Evitar o pagamento da anuidade do cartão, aproveitar os benefícios que a operadora oferece e não emprestar o cartão de crédito à outras pessoas, mesmo que sejam conhecidas estão entre as dicas de não se endividar e deixar a bola de neve crescer. “Hoje, é possível encontrar cartões que não cobram nenhuma taxa de manutenção. Outra forma educada financeiramente de utilizar o cartão de crédito, é saber aproveitar os benefícios que ele pode oferecer, como prêmios e milhas”, disse.

A especialista conta que outra alternativa para conter o mau uso, é sempre buscar cartões com taxas de juros menores com um limite de crédito que não ultrapasse 50% do salário mensal, evitando assim gastar mais do que se recebe.

“Buscar uma linha de crédito com taxas de juros menores é válido, contudo trocar uma dívida pela outra não é a solução. É preciso ter responsabilidade na hora de consumir; sempre se pergunte se realmente precisa do item, se tem dinheiro para comprar e também condições de pagar o valor total da fatura no vencimento”, explica.

Para o economista, Martinho Azevedo, gostando ou não, é preciso calcular, planejar, traçar estratégias e adequar os gastos de acordo com aquilo que é mais vantajoso para o bolso do consumidor. “O cartão de crédito vende uma falsa imagem de facilidade na hora da compra e seu uso requer cuidados. O consumidor tem que analisar e buscar informações sobre a melhor forma de usá-lo. Ele tem que verificar sua renda, tem que ter o objetivo do seu consumo, tem que exercer os seus gastos em cima daquilo que ele pode”, disse

Azevedo conta também que antes de sair às compras, o consumidor deve estar sempre atento aos juros, parcelamentos e preço de mercado, além de utilizar todos os mecanismos para busca de informação sobre lojas, formas de pagamentos e as facilidades que cada uma oferece com o intuito de não começar 2018 com dívidas.

“Os fundamentos são os mesmos, todo o final de ano existe a euforia das compras e isso requer cuidado e atenção principalmente com os juros e os parcelamentos. É necessário cautela nesse instrumento de crédito e a busca de conhecimento financeiro básico. Existe todo um volume de informação a que o cliente tem acesso.

É preciso certificar-se dos preços e das lojas que darão a melhor forma de pagamento, isso reduz o risco de fazer um péssimo negócio e ter uma ineficiência nos gastos”, disse o economista.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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