Desemprego cai e informalidade sobe, no Amazonas

Em: 3 de dezembro de 2021
O percentual de amazonenses na fila do desemprego caiu pela segunda vez consecutiva, na passagem do segundo para o terceiro trimestre de 2021.

O percentual de amazonenses na fila do desemprego caiu pela segunda vez consecutiva, na passagem do segundo para o terceiro trimestre de 2021. A taxa encolheu de 15,8% (304 mil pessoas) para 13,4% (264 mil), e também ficou menor do que a do mesmo período de 2020 (16,9%). Em paralelo, o nível de ocupação da mão de obra no Amazonas avançou de 53,1% (1,62 milhão) para 55% (1,70 milhão), sendo puxado pela maior oferta em serviços, comércio e indústria. O Estado voltou ficar acima da média nacional em desocupação (12,6% e 13,5 milhões), mas foi melhor em ocupação (54,1% e 93 milhões).

A expansão da oferta de postos de trabalho, entretanto, foi acompanhada novamente por uma nova rodada de aumento na proporção de pessoas trabalhando sem carteira assinada, fazendo o Estado subir da terceira para a segunda posição do ranking nacional. A taxa amazonense chegou a 59,5%, na virada trimestral, deixando o Estado atrás apenas do número do Pará (62,2%), nesse tipo de comparação. Os dados são da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua Trimestral, divulgada nesta terça (30), pelo IBGE. 

A sondagem estimou que 63,6% (1,96 milhão) da população com 14 anos ou mais (3,1 milhões) estava na força de trabalho, entre julho e setembro – contra os 52,2% do trimestre precedente. Em torno de 1,7 milhão contavam com algum tipo de atividade remunerada, 264 mil estavam buscando trabalho e pelo menos 1,1 milhão estavam fora da força de trabalho e não procuravam ocupação. O número de desempregados caiu no mesmo ritmo em que a taxa de ocupação avançava. De julho a setembro, o mercado de trabalho do Amazonas ganhou o ingresso de 80 mil pessoas e alta de 4,9%. Em um avançou 11,2% (+172 mil).

A taxa de desemprego do Amazonas (13,4%) foi a 13ª maior, entre as unidades federativas brasileiras. Foi um avanço relativo, na comparação com o trimestre anterior, quando o Estado estava na decima colocação do ranking dos Estados com maior percentual de pessoas na fila do emprego. Os maiores números foram registrados em Pernambuco (19,3%), Bahia (18,7%) e Amapá (17,5%), enquanto os menores ficaram em Santa Catarina (5,3%), Mato Grosso (6,6%) e Rio Grande do Sul (7,6%).

Informalidade e rendimentos

A “posição de ocupação” classificada pelo IBGE como “empregado” respondeu por mais da metade (884 mil) dos amazonenses com ocupação profissional, no terceiro trimestre de 2021. Desses, 551 mil estavam no setor privado, contingente 7,41% superior ao registrado um ano antes (513 mil), e 6,58% acima do trimestre anterior (517 mil). Em torno de 246 mil estavam no setor público, representando baixa proporcional de 4,28% no primeiro caso, e a um acréscimo de 7,89%, no segundo. 

No setor privado, 65,7% (362 mil) tinham carteira assinada, enquanto 34,3% (189 mil pessoas) não contavam com o mesmo benefício. A informalidade, por sinal, atingiu 87% (75 mil) dos trabalhadores domésticos no mesmo período (74 mil). A taxa de trabalhadores amazonenses sem formalização também cresceu no setor público, em ambas a comparações, e chegou a 31,71% (78 mil), no acumulado de julho a setembro deste ano.

O trabalho por conta própria também aumentou e foi a alternativa para 36,4% dos amazonenses ocupados (619 mil), sendo que 92,7% (575 mil) não possuíam CNPJ – o que representa 99 mil trabalhadores a mais, no confronto com o trimestre anterior. A quantidade de “empregadores” foi de 37 mil, ficando estável em relação aos três meses anteriores e 12,12% maior do que o dado do ano passado (33 mil). Mas, apenas 67,57% (25 mil) trabalhavam com CNPJ.

O grupo que reúne comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas (343 mil) passou a ser o setor que empregou mais pessoas no Amazonas, no terceiro trimestre de 2021, além de registrar a segunda maior alta trimestral (+11,2%). As atividades de agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (301 mil) caíram para o segundo lugar, sendo seguidas por administração pública, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (285 mil). 

Na sequência vieram a indústria (183 mil), construção (118 mil), e os serviços de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas (113 mil), de alojamento a alimentação (97 mil), e de transporte, armazenagem e correio (94 mil), entre outras. Vale notar que os serviços domésticos foram os que tiveram o maior crescimento na virada do segundo para o terceiro trimestre (+21,2%), registrando 88 mil pessoas empregadas. 

O “rendimento médio real” dos trabalhadores do Amazonas foi de R$ 1.751, ficando 6,31% abaixo do número capturado no trimestre anterior (R$ 1.869). Na comparação com o mesmo acumulado do ano passado (R$ 2.114), a perda foi de 17,17%. Já a massa de rendimento – que reflete o quanto os salários dos trabalhadores contribuíram para a economia local – alcançou R$ 2,698 bilhões, ficando 6,77% aquém do terceiro trimestre de 2021 (R$ 2,894 bilhões) e mal se moveu (-0,18%) em relação ao segundo trimestre deste ano (R$ 2,703 bilhões). 

Patamar pré-pandemia

Em sua análise para a reportagem do Jornal do Commercio, o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, enfatizou que o terceiro trimestre do ano trouxe boas notícias sobre o emprego no Amazonas, dado que a taxa de desocupação voltou ao patamar capturado no período anterior à pandemia, e todos os indicadores de empregabilidade tiveram “bom desempenho”. Da mesma forma, o pesquisador avalia que a sazonalidade deve contribuir para números mais fortes no próximo levantamento, em que pesem as dúvidas quanto a 2022.

“As atividades mostraram crescimento nas ocupações, a exceção da agricultura. A massa de rendimentos manteve o nível do trimestre anterior. No todo, os dados apontam uma recuperação da empregabilidade no Estado. Apenas o grupo dos trabalhadores informais destoa do conjunto das boas notícias. A expectativa é que, na próxima divulgação, ocorram outras razões para se comemorar, uma vez que a proximidade do final do ano potencializa as contratações. Mas, precisamos entender que a taxa de ocupação é muito dependente da situação econômica”, finalizou.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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