A taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do Brasil avançou para 9% em março -terceira alta consecutiva- em relação a fevereiro, quando o índice havia ficado em 8,5%, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A taxa é a maior desde setembro de 2007, quando ficou no mesmo patamar. Em relação a março do ano passado (8,6%), o índice aumentou 0,4 p.p. (ponto percentual).
O rendimento médio real dos trabalhadores ocupados ficou estável, em R$ 1.321,40, frente a fevereiro. Na comparação com igual período em 2008, foi constatada alta de 5%. O contingente de desocupados totalizou 2,1 milhões de pessoas no total das regiões pesquisadas. Isso indica alta de 7,3% em relação a fevereiro e aumento de 6,7% na comparação com março de 2008.
A população ocupada somou 21 milhões de pessoas -uma alta de 9.000 pessoas na comparação com fevereiro (segundo o IBGE, esse aumento, em termos percentuais, indica estabilidade). Em relação a março de 2008, houve um aumento de 148 mil pessoas.
Cresce número de desocupados
O desemprego atingiu com mais força, em março, os trabalhadores com maior escolaridade, constatou o IBGE.
A PME (Pesquisa Mensal de Emprego) divulgada na sexta-feira mostra que o desemprego entre os trabalhadores com menos de oito anos de tempo de estudo ficou praticamente estável, variando de 7% em fevereiro para 7,1% no mês seguinte.
Já a taxa de desocupação entre os trabalhadores com oito a dez anos de estudo chegou a 11,3% em março, ante 10,3% no mês anterior. Entre a população economicamente ativa com mais de 11 anos de estudo, a taxa de desemprego ficou em 9,2%, contra 8,6% em fevereiro.
“Isso pode estar relacionado às atividades que as pessoas de maior escolaridade exercem. Houve muitas demissões na indústria. Existe também a possibilidade de estarem cortando os salários mais altos”, afirmou o coordenador da PME, Cimar Azeredo.
Para o coordenador, o mercado de trabalho piorou e está mais difícil encontrar emprego, à medida em que os postos de trabalho vão sendo fechados com a crise.
“Está difícil para o trabalhador encontrar emprego, porque não se tem um mercado de trabalho gerando postos de trabalho. Um mercado que não gera postos aumenta a fila da desocupação”, afirmou.
O especialista destacou que os trabalhadores mais jovens são os mais afetados com os efeitos da crise no mercado de trabalho. Geralmente, essa parcela da população representa a maior parte dos desempregados, mas em março, 21,1% dessas pessoas estava sem emprego, maior nível desde agosto de 2007. No mês de fevereiro, a taxa havia ficado em 18,9%.
Na maior parte, são pessoas que estão tentando se inserir no mercado, sobretudo jovens que encontram barreiras, não só pelo mercado não estar absorvendo, mas também pela falta de qualificação e experiência”, explicou.
A taxa de desemprego do país ficou em 9% no mês de março, registrando a maior alta desde setembro de 2007.
A queda no nível de emprego no mês passado foi puxada pela indústria, cuja taxa de desocupação subiu dos 5,4%, em fevereiro, para 6,1% no mês de março. Trata-se da maior taxa desde o mês de julho de 2003, quando havia chegado a 6,2%.
Principal polo concentrador da indústria brasileira, a região metropolitana de São Paulo teve 41 mil postos fechados em março, variação de 2,3% frente a fevereiro. Esse desempenho foi decisivo para que o mercado de trabalho paulista registrasse 1,045 milhão de desempregados. De acordo com o coordenador Cimar Azeredo, desde o mês de maio de 2007, o contingente de desocupados em São Paulo não ultrapassava a marca de 1 milhão de pessoas.
IPCA acelera em abril
O IPCA-15, prévia da inflação oficial, registrou alta de 0,36% em abril, acelerando frente à elevação de 0,11% verificada em março, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
O índice ficou abaixo do 0,59% observado em abril de 2008. Com isso, o IPCA-15 acumulado nos últimos 12 meses caiu para 5,40%, ante 5,65% constatados em março.
Segundo o IBGE, exerceram maior impacto sobre o índice os custos com empregados domésticos (1,82%) e cigarros (6,62%). Cada um desses itens contribuiu com 0,06 p.p. (ponto percentual) no índice geral.
Também apresentaram alta os preços de gás de cozinha (3,20%) e remédios (1,13%). Ao todo, os produtos não alimentícios tiveram alta de 0,39% neste mês, contra ligeira variação positiva de 0,08% um mês antes.
Os preços dos alimentos tiveram alta de 0,20% neste mês, ligeiramente abaixo do 0,21% visto em março.
Os destaques foram os preços dos itens batata inglesa (10,22%), ovos (9,04%) e açúcar refinado (7,81%). Já os preços dos itens arroz (-1,84%), feijão carioca (-11,38%) e carnes (-1,98%) tiveram queda.
Curitiba tem maior índice
Nas 11 regiões pesquisadas, o maior índice foi verificado em Curitiba (PR), com alta de 0,56%, puxada pelo aumento do gás de cozinha (alta de 6,17%). Belém (PA) veio em seguida, com alta de 0,51%, e São Paulo (SP) teve alta de 0,45% -ambas acima da média nacional. O menor índice, por sua vez, foi o registrado em Belho Horizonte (MG), com alta de 0,12%.
O IPCA-15 refere-se aos preços coletados de 14 de março a 13 de abril e comparados com os vigentes de 12 de fevereiro a 13 de março.
O indicador refere-se às famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos e abrange as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e Goiânia.







