O artigo conceitua projeto e apresenta experiências eficazes para enfrentar coletivamente problemas que afligem a sociedade.
Segundo a ONU, um projeto é um empreendimento planejado que consiste em um conjunto de atividades interrelacionadas e coordenadas para alcançar objetivos específicos dentro dos limites de um orçamento e de um período de tempo.
O desenvolvimento de projetos é uma das formas que a humanidade encontrou para enfrentar ou solucionar problemas ao longo do tempo. Construção das pirâmides do Egito (2500 a.c), da Muralhas da China (220 a.c), do Coliseu de Roma (70 a.c), de sistemas de esgoto e irrigação, de embarcações, de canais, de palácios e templos são os casos mais antigos.
No entanto, foi a partir da Revolução Industrial que várias abordagens ou técnicas foram criadas (administração científica, PERT, CPM, Gráfico de Gantt, CEP, QFD, Método Taguchi, Matriz X, GUT, PMBOK, organização matricial, etc) para solucionar problemas mais específicos da indústria. Além disso, nas últimas seis décadas, boas práticas de desenvolvimento de projetos foram catalogadas e disseminadas por várias organizações, das quais vale a pena citar duas mundialmente conhecidas: a International Project Management Association (IPMA) criada em 1965 e Project Management Institute (PMI) criado em 1969. Apesar da contribuição dessas organizações, percebe-se que a tendência no desenvolvimento de projetos é a busca de novas abordagens para tornar os desenvolvimento dos empreendimentos mais participativos e ágeis ao longo do tempo, sendo também implementados em setores como o serviço público e o da sociedade civil organizada.
Se de um lado, por força da concorrência, a indústria tem buscado implementar abordagens ágeis para tornar o desenvolvimento de projetos menos burocrático e mais flexível, por outro lado, é no terceiro setor que há experiências bem exitosas de desenvolvimento de projetos com abordagens mais simples e participativas para enfrentar problemas que afetam a sociedade.
A indústria e o governo poderiam se beneficiar mais com experiências inovadoras que estão espalhadas no terceiro setor pelo planeta, uma delas diz respeito ao processo participativo para diagnosticar problemas, priorizá-los e enfrentá-los por meio de projetos sociais. E quais seriam essas abordagens? Como construir com vários stakeholders projetos de responsabilidade social empresarial, projetos de pesquisa ou projetos de governo? Bem, foi pensando nisso que o autor lançou pela Agbook (https://www.agbook.com.br/ basta escrever nome do autor Jonas Gomes da Silva) o livro “Compêndio para elaboração de projetos sociais: casos nacionais e internacionais de sucesso”. A obra tem como público-alvo gestores de RH interessados em reforçar os projetos de Responsabilidade Social Empresarial ou adotar novas abordagens para desenvolver coletivamente projetos de melhoria contínua na organização, bem como professores ou pesquisadores interessados em desenvolver projetos de pesquisa ou de extensão de maneira mais ampla, sem contar os gestores de associações ou fundações responsáveis pela elaboração de projetos para suas organizações.
Em grande síntese a obra traz várias estatísticas do terceiro setor no Brasil e no mundo, bem como conceitua projetos sociais, apresentando exemplos de casos de sucesso no Brasil, nos EUA e Japão. Além disso fornece várias orientações técnicas e apresenta cinco abordagens sobre como desenvolver coletiva e economicamente projetos com a sociedade para enfrentar problemas ao longo do tempo.
Dentre os cases de sucesso há um que poderia ser estudado seriamente por governos para enfrentar eficazmente o aumento da violência urbana em várias cidades do país. Trata-se da experiência bem exitosa da Homeboy Industries (
Um outro caso é o da Fundação Projeto Pescar (
E como desenvolver projetos de forma participativa? O livro aponta 5 abordagens com exemplos construídos durante os 24 anos de experiência nesse seguimento: a primeira e mais conhecida é a Estatística, enquanto que as demais são desconhecidas em nosso país: a Soft System Methologoly (Rich Picture) para identificar problemas, a Matriz SCORE para priorizar problemas, a Árvore dos Desafios para estudar as causas e efeitos, a Árvore dos Objetivos para apontar os meios (objetivos ou metas) de enfrentar os problemas e identificar os potenciais resultados do empreendimento.
Finalmente, os cases mostrados no livro apontam que a construção de uma sociedade próspera e mais justa é possível por meio de desenvolvimento de projetos coletivos que atuem diretamente sobre as causas dos problemas, sendo este o maior ato de rebeldia adotado por pessoas de bem que lutam por um Brasil melhor sem recorrer ao uso de armas ou da intervenção militar.
é dr. em engenharia de produção e professor da Ufam [email protected]







