Desestatização gera incertezas

Em: 18 de setembro de 2018
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O leilão da Amazonas distribuidora de energia para empresas da iniciativa privada, prevista para acontecer no dia 26 de setembro, tem gerado incertezas quanto à futura prestação de serviços no estado. Para representantes do setor, o processo de privatização da estatal pode encarecer a conta de energia elétrica do consumidor amazonense, e precarizar atividades de distribuição de energia para localidades distantes.

“Quando a iniciativa privada entra no setor de energia, ela entra para lucrar e não para gerar bons serviço. E no Amazonas temos o interior que vai pagar um alto preço. Eles não vão conseguir atender a demanda se o governo nao subsidiar os serviços. Vai acontecer o que aconteceu no Pará, as populações longínquas serão abandonadas. E infelizmente vai ter localidades que a energia vai aumentar tanto que o trabalhador não vai ter condições de pagar o custo”, disse o vice-presidente da STIU-AM (Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Urbanas do Estado do Amazonas), Josehirton Pereira de Albuquerque.

Além da incerteza dos serviços prestados, Josehirto destacou que o PDC (Plano de Demissão Consensual), vai tirar cerca de 1.600 trabalhadores da Amazonas Energia, distribuídos na capital e no interior. “Esse plano de demissão não é bom para o funcionário. Isso é uma propagando fictícia de que ele vai colocar o dinheiro no bolso e vai arrumar um trabalho em seguida. Muitos já trabalham há anos nesta empresa e estão perto da aposentadoria. Até a aposentadoria onde eles vão trabalhar?. Eles não terão mercado”, questionou.

De acordo com o professor de economia da Ufam (Universidade Federal do Amazonas), Luiz Roberto Coelho, devido ao alto custo de levar energia para o interior, as futuras empresas que terão aquisição da estatal vão precisar de subsídios do governo para prestar bons serviços para a população distante. E ressaltou, que privatizar não vai baratear a energia,

Segundo o presidente do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Amazonas), Francisco Assis Mourão Júnior, a ideia da privatização é deixar o custo da empresa mais baixo para submeter ao processo de venda. “Ninguém quer comprar uma empresa com série de problema. É preciso cortar gastos e altos salários”, disse.

Mourão explica, que na atual situação da companhia, passar administração para iniciativa privada seria uma das soluções mais viáveis, devido sua capacidade de realizar um gerenciamento eficaz e consequentemente fazer os investimentos necessários. E reforçou que o maior desafio das empresas, será garantir energia em localidade onde o custo é alto e a demanda é baixa.

“É preciso passar para iniciativa privada, porque ela tem a capacidade de gerenciar melhor, diferente de como o estado faz. Porém é preciso nos questionar se elas vão conseguir atender a demanda do estado. Vejo com bons olhos a privatização na capital, mas no interior não seria bom, porque a população que vai pagar um alto preço”, disse.

Inconformado com a precariedade dos serviços prestados e os valores exorbitante em sua conta de energia, o empresário Joselio de Oliveira acredita, que é preciso que o governo crie um plano para administrar os serviços de energia elétrica, sem que a população seja a prejudicada e penalizada, pela má gestão e incapacidade governamental de criar alternativas para o impasse da atual situação da estatal.

“Privatização não é a solução. Energia não é mercadoria serviços básicos para a população como água e energia não deve ser cobrados valores altos. Privatizar nossa estatal é dar de graça um patrimônio nosso. As empresas de serviço que foram privatizadas aqui prestam serviços de mal qualidade com tarifas muito alta com mão de obra terceirizadas que trabalham com baixa remuneração. Estamos caminhando na contramão de outros países”, disse.

Segundo dados do edital de venda elaborado pelo Bndes (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), após concluído o processo de desestatização, a Eletrobras permanecerá como acionista da Amazonas energia, detendo uma ação onde terá o direito de aumentar a sua participação societária para até 30% do capital total. A ação valerá após seis meses, a contar da data de assinatura do contrato de compra e venda entre a empresa e o Investidor. De acordo com o Bndes, o capital social total da distribuidora será dividido em 90% para investidores e 10% para a Eletrobras.

Análise

“A energia no Amazonas sempre foi subsidiada pelo governo federal e sempre foi cara. Nós esperávamos que a chegada do linhão de Tucuruí fosse resolver o problema. Vai haver algumas dificuldades de cobrir todas as localidades da região. Acredito que a privatização não seria a solução. Uma empresa ganhar o processo de administrar a Amazonas Energia não tem condições para atender. A população vai pagar mais caro. Não vai ser bom para ela”, Luiz Roberto Coelho, professor de economia da Ufam

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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