Desmatamento reduziu 25% em junho

Em: 29 de julho de 2008
“O dado geral não é mal, mas como ambientalista não me consola ver tanto a Amazônia desmatada. Não vamos afrouxar o controle, vamos intensificar”, afirmou Minc.
"O dado geral não é mal, mas como ambientalista não me consola ver tanto a Amazônia desmatada. Não vamos afrouxar o controle, vamos intensificar”, afirmou Minc.

O índice de desmatamento na região amazônica teve redução de 25% no mês de junho deste ano em comparação ao mês de maio, quando foram registradas 1.096 km2 de áreas desmatadas na região. Em junho, o desmatamento atingiu 870 km2 da área da Amazônia Legal -índice 55% menor se comparado ao mês de junho do ano passado- segundo dados fornecidos pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e divulgados na terça-feira pelo Ministério do Meio Ambiente.
O ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) atribuiu a redução no índice de desmatamento a uma série de medidas implementadas pelo governo para mudar o quadro na região amazônica.
“Não é sorte, é trabalho, trabalho e trabalho, sobretudo do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis), com apoio do Instituto Chico Mendes e da Polícia Federal”, afirmou Minc.
Apesar da redução, Minc disse que os índices atuais ainda são “alarmantes” ao afirmar que seu objetivo no governo é diminuir bruscamente o desmatamento na Amazônia Legal. “Esses dados não nos animam, acho esses dados muito altos, não estamos comemorando. O dado geral não é mau, mas como ambientalista não me consola ver tanto a Amazônia desmatada. Não vamos afrouxar o controle, vamos intensificar ainda mais agora”, afirmou o ministro.
Minc disse que o Estado que registrou maior redução no desmatamento em junho foi o Pará, se comparado ao mês de maio deste ano -com menos 500 km2 de áreas desmatada. Em segundo lugar aparece o Mato Grosso, que reduziu em cerca de 360 km2 as áreas afetadas. Segundo o ministro, os Estados de Rondônia, Maranhão e Amazonas praticamente mantiveram os índices de desmatamento registrados em maio.

Bloqueio do crédito rural

O ministro disse esperar maior redução no desmatamento em julho uma vez que entrou em vigor, este mês, resolução do Banco Central que bloqueia o crédito rural a produtores que tenham desmatado ilegalmente grandes áreas de suas propriedades.
“O dado caiu, mas não vamos soltar rojão. Não vamos nem parar para tomar fôlego. Estou otimista porque em julho já vamos ter o efeito de resolução do Banco Central”.

Fiscalização na região

Minc também atribui a redução do desmatamento ao aumento no número de operações de fiscalização na região amazônica. Entre julho e agosto deste ano, o ministro disse que serão realizadas 45 operações de combate ao desmatamento por dia. Segundo Minc, no início do ano o número de operações era de apenas 25. “A gente praticamente dobrou, com forças novas e aliadas, as ações contra a degradação ambiental”, afirmou o ministro. Apesar da cautela em comemorar a redução no desmatamento, Carlos Minc se mostrou otimista ao afirmar que as nuvens estavam mais “abertas” no mês de junho -o que permitiu identificar focos de desmatamento de maneira muito mais clara e exata na região amazônica.

Abertura de nuvens

“Tanto é que em maio de 2008 teve mais abertura nas nuvens que em maio de 2007, como esse mês agora esteve aberto, com o total de 72% de abertura, uma grande visibilidade, enquanto a média é de 50%. A expectativa era aumentar o desmatamento, mas houve diminuição”.
Minc disse que a redução no desmatamento foi maior em junho depois de meses consecutivos de aumento (com exceção de maio), embora a gestão da ex-ministra Marina Silva (Meio Ambiente) tenha diminuído a área degradada na Amazônia Legal.
“O resumo da ópera é que a administração da ministra Marina Silva (PT-AC) com uma série de medidas conseguiu diminuir substancialmente o desmatamento. A preocupação é que a partir de novembro do ano passado começou a subir praticamente todos os meses. No mês que vem, vamos ter uma ampla noção para fechar o dado de desmatamento do Brasil. A grande coisa que aconteceu era que havia expectativa de aumento, mas agora a expectativa é de queda, mesmo em julho sendo um mês péssimo para o desmatamento”, finalizou o minstro Carlos Minc.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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