Desmatamento representa menos de 5% das emissões do Brasil

Em: 24 de novembro de 2009
Além da meta voluntária de redução das emissões de gases de efeito estufa entre 36,1% e 38,9% até 2020, o Brasil levará outro trunfo para a COP-15 (Conferência das Nações Unidas sobre o Clima), a ser realizada em dezembro, em Copenhague (Dinamarca).
Além da meta voluntária de redução das emissões de gases de efeito estufa entre 36,1% e 38,9% até 2020, o Brasil levará outro trunfo para a COP-15 (Conferência das Nações Unidas sobre o Clima), a ser realizada em dezembro, em Copenhague (Dinamarca).

Além da meta voluntária de redução das emissões de gases de efeito estufa entre 36,1% e 38,9% até 2020, o Brasil levará outro trunfo para a COP-15 (Conferência das Nações Unidas sobre o Clima), a ser realizada em dezembro, em Copenhague (Dinamarca). O governo apresentará um porcentual abaixo de 5% na emissão de gases pelo desmatamento da Amazônia em relação ao total emitido pelo país.
Os dados sobre a queda de emissões de dióxido de carbono pelo desmatamento obtidos pelo Estado serão apresentados hoje, em Brasília, pelo Inpe (Instituto de Pesquisas Espaciais).
Em agosto, o diretor-geral do Inpe, Gilberto Câmara, havia dito que valores preliminares apontavam que as emissões de gases pelo desmate da Amazônia ficariam em 2,5% do total -e não 5%, conforme havia sido apurado entre 2000 e 2005. Agora, com a medição concluída, o percentual ficará entre 2,5% e 5%.
A queda das emissões resultantes do desmate da Amazônia em relação ao total do país deve-se à redução do desmatamento nos últimos quatro anos. “Além disso, a emissão por combustíveis fósseis aumentou, principalmente por causa do uso de carvão vegetal e do crescimento da frota de veículos”, disse o pesquisador do Centro de Ciências do Sistema Terrestre do Inpe, Jean Ometto.
Estudo divulgado na edição deste mês da “Nature Geoscience”, que contou com a participação de Ometto, revelou que a emissão de CO2 resultante do desmatamento é de 12% no mundo em relação ao total emitido -e não 20%, como divulgou em 2007 o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas.
Segundo Ometto, houve queda no desmatamento na Amazônia, Indonésia e, embora em pequena escala, na África. Soma-se a isso o fato de que o desmatamento não faz árvores virarem fumaça imediatamente. Parte da madeira se transforma em móvel, casas e portas. Com isso, o carbono fica estocado por anos.
Há ainda o fato de que parte das áreas desmatadas é substituída por pasto, à base de capim braquiária, um conhecido sequestrador de carbono, cana-de-açúcar e grãos, que neutralizam a emissão. Isso, diz Ometto, também contribuiu para reduzir a emissão.
Os cálculos da emissão de gases no Brasil feitos pela FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) são imprecisos. A entidade adota como média para o Brasil um desmatamento anual de 30 mil km2, valor acima do real. O maior desmate ocorreu em 2004, com 27.423 km2.
De lá para cá, a queda foi acentuada -2009 deve fechar com 7.008 km2. Se o país cumprir a meta voluntária de redução de 80% do desmatamento da Amazônia até 2020, a derrubada ficará em 4.500 km2 por ano.
Para o pesquisador do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia) Adalberto Veríssimo, as dimensões continentais do Brasil exigem atenção redobrada.”Um incêndio pode ser devastador. Só o Pará é 40 vezes maior do que a Grécia, que costuma sofrer com o fogo no verão. Por causa do tamanho, o Brasil emite 30 mil vezes mais CO2 por queimadas do que o restante do mundo”, finalizou.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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