Despesas sazonais fora da agenda

Em: 10 de janeiro de 2018
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Um dos principais empecilhos para o consumidor começar o ano sem dívidas é a falta de planejamento financeiro, explicam especialistas. Segundo pesquisas levantadas pelo SPC-Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito), empresa vinculada a CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes lojistas), apenas 15% dos brasileiros conseguem quitar suas dívidas de início de ano com o salário que recebem. O levantamento apontou também que 17% das pessoas entrevistadas não adicionaram em seu planejamento financeiro contas sazonais como IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos e Automotores) e material escolar.

Para o presidente do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Amazonas), o economista, Francisco Mourão Júnior, pagar tributos à vista e aproveitar os descontos são fundamentais para evitar o efeito “bola de neve”. Mourão explicou que envolver a família no processo de planejamento para estabelecer metas no controle das dívidas ajudam para o sucesso financeiro.

“O planejamento de envolver toda família no processo de colocar no papel as contas fixas como IPTU, IPVA e materiais escolares é importante. A dica é pagar tudo à vista, aproveitando o próprio desconto. Além do mais, é importante também contabilizar junto a família, as estimativas de consumos variáveis como compras, cinema, refeições e outros. Tudo isso é importante para tomada de decisões e ter um controle financeiro saudável”, disse.

Mourão explicou que outro fator que impede o consumidor priorizar as contas fixas de começo de ano, são as contas do cartão de crédito e cheque especial que geralmente viram bola de neve pelo mal uso. “É importante ter o controle das finanças e não cair na armadilha do cheque especial e ter vários cartões de crédito. Cartões de crédito são para compras de emergência remédio, viagem urgentes e compras a prazo. Gastar até o limite do cartão prejudica a quitação de compromissos fixos”, disse ele.

Segundo o economista Alisson Rezende, isso é motivado por um aspecto cultural do brasileiro que não está acostumado a ter uma reserva de capital ou fundo de emergência, e em alguns casos não utilizam as férias como alternativa para cumprir os compromissos assumidos no final do ano

“O brasileiro não tem a cultura do planejamento ou de poupança, por essa razão não consegue iniciar o ano sem dívidas. Uma dica útil é dividir os rendimentos em 4 partes e acompanhar os gastos semanalmente. Por exemplo, o cidadão ganha R$ 2 mil por mês, serão 4 partes de R$ 500. Caso na primeira semana do mês ele gaste mais de R$ 500, ele deverá reduzir suas despesas nas semanas seguintes para compensar os gastos acima do valor definido para cada semana”, disse.

Mudança de comportamento

Se por um lado falta organização na hora de estabelecer as prioridades na hora cumprir os compromissos anuais, outro dado da pesquisa, aponta uma mudança positiva no comportamento do consumidor, e destacou que 32% das pessoas guardaram parte do 13º salário com o intuito de arcar com os pagamentos do IPTU, IPVA e material escolar.

Essa foi a estratégia usada pela funcionária pública, Waleska Ribeiro, que separou uma boa parte do seu décimo terceiro, para comprar o material escolar e já planejar as atividades extras dos filhos. “O plano é sempre guardar o décimo terceiro para não ficar com parcelas muito altas no cartão de crédito. Fardamento também é algo que é feito no início do ano para durar todo o ano letivo e isso inclui mochilas, estojos e tênis. Além disso tem o inglês e atividades esportivas”, disse.

Acostumado a controlar as finanças e priorizar as contas grandes antes do início de cada ano, o administrador, Paulo Machado, sempre realiza um balanço de todas as suas receitas e procura sempre realizar uma reserva antecipada do dinheiro necessário para quitar as dívidas anuais.

“É preciso ter muita disciplina e você precisa separar bem para não confundir as coisas. Primeiramente vejo o valor do ano anterior e em cima desse valor verifico minhas economias qual a melhor forma para pagar: à vista ou a prazo.Eu tenho uma poupança que serve apenas para acumular dinheiro para essas situações. Então, sempre consigo me programar a frente das contas e, assim, acabo ficando mais folgado ao longo do ano”, disse ele.

Compras

Segundo Mourão Júnior se o consumidor não se disciplinar, a cultura da compra por impulso pode prejudicar de forma significativa a saúde da pessoa. “As pessoas precisam ter um controle, porque isso pode causar problemas sérios com uma autoestima baixa e o nome negativado”, disse.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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