Desprezando as Leis

Em: 22 de novembro de 2017

Já lá se vão quase três décadas ensinando ou tentando fazer com que alunos das faculdades entendam a lógica do sistema econômico e muitas vezes me alegro ao encontrar alunos antigos que relembram a “mão invisível” que eles não esquecem ou o fluxo circular da renda, quando eles entenderam que a melhor forma de se distribuir renda é fazendo a produção aumentar. O problema é que aumentar a produção exige que os produtores sejam estimulados a investir em seus negócios, buscando mão de obra e insumos, o que gera a renda e por consequência o consumo e os impostos que proporcionam ao governo a capacidade de gastar.

Mostrando no gráfico e explicando o funcionamento teórico, parece tão simples que diversas vezes me deparo com a pergunta inevitável: “professor é tão simples o funcionamento da economia, porque então o governo não faz com que aconteça assim?”. Nessas horas a divisão do técnico professor e o cidadão professor exige da gente uma coerência muito grande para não enveredar pelo radicalismo idiota de alguns que utilizam das explicações político-ideológicas que não explicam nada.

Mostrar às pessoas, não apenas aos alunos, o funcionamento do sistema econômico, com seus quatro motores (famílias, empresas, mercado de bens e mercado de insumos), deveria ser uma obrigação social da mídia, dos órgãos governamentais e dos políticos conscientes se é que existem. Quebrar a ideia falsa que se solidificou em nosso país da guerra entre o monstro patrão e o oprimido empregado onde o primeiro só ganha através do sangue derramado do segundo. Nos países bem sucedidos, a interação entre patrão e empregado é fundamental, pois um só ganha, se o outro também ganhar. O interesse do produtor passa pelo interesse de seu empregado, embora em nosso país persista a cultura racista de cultuar os ídolos da miséria.

Ao invés de ficar batendo boca sobre cotas raciais e sociais, deveríamos mostrar os exemplos de superação daqueles que, independente de cor e nível social venceram na vida. Venceram porque resolveram que tinham de colocar acima de tudo as competência e buscar a educação. Ficar culpando a sociedade, a cor da pele ou mesmo o governo corrupto pelo fracasso de sua vida, não vai resolver sua situação, apenas adiar sua miséria. Quando se tem força de vontade para buscar soluções, se consegue estudar sem professor, ter conhecimento técnico de maneira autodidata e até mesmo chegar ao topo disputando com aqueles que tiveram todo o aparato para tal. Os alunos das universidades federais estão aí para corroborar o que digo, pois ao invés de ter professores para lhes ensinar, apenas recebem tarefas para se virar e aprender para em dias marcados fazer as provas. E constantemente temos alunos das federais como os melhores alunos, mesmo disputando com os das particulares, onde os professores só faltam colocar os alunos no colo.

Voltando á economia, precisamos ter uma sociedade mais ativa e menos chorona e preguiçosa, sempre esperando um Messias que fará o milagre. Pior de tudo é quando os verdadeiros milagres acontecem pela inteligência dos técnicos que temos em nosso país, o próprio povo chuta tudo pelo barranco como foi feito com o Plano Real. Reclamaram tanto da hiperinflação mas quando um plano perfeito resolveu e trouxe de volta a estabilidade e o respeito da cidadania, o povo se deixou enganar por promessas idiotas de um falso defensor dos pobres. Hoje o herói está milionário e os pobres que o elegeram estão mais pobres e perderam a chance que tiveram e não souberam aproveitar.

Toda a riqueza que poderia ser utilizada para alavancar nossa economia, fazendo o fluxo produtivo girar e tornar nosso país um dos mais ricos do mundo, foi doada a outros países e utilizada de forma demagógica distribuída de forma irresponsável entre roubos e motivação eleitoral. Hoje, com a população cheia de desempregados, os preços aumentando embora o governo fale em controle de inflação e a autoestima lá embaixo, fico me perguntando: ATÉ QUANDO O GOVERNO VAI CONTINUAR DESPREZANDO AS LEIS ECONÔMICAS?

Orígenes Martins

É professor, economista, mestre em engenharia da produção, consultor econômico da empresa Sinérgio
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