Deus me concederá a graça de bem servir, diz novo arcebispo Dom Leonardo

Em: 11 de janeiro de 2020
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Neste mês de janeiro, Manaus receberá seu novo arcebispo, Dom Leonardo Ulrich, em substituição a Dom Sérgio Castriani, que se aposenta.

Leonardo Ulrich Steiner nasceu no dia 6 de novembro de 1950 em Forquilhinha/SC. Sua jornada sacerdotal começou quando ingressou na Ordem dos Frades Menores, no dia 20 de janeiro de 1972. Foi nomeado bispo em 2 de fevereiro de 2005 pelo papa João Paulo II para a prelazia de São Félix do Araguaia/MT, sucedendo a Dom Pedro Casaldáliga, e ordenado bispo no dia 16 de abril do mesmo ano pelo cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, adotando como lema episcopal ‘Verbum caro factum’, ‘Verbo feito carne.’

Em entrevista ao Jornal do Commercio, Dom Leonardo Ulrich saudou o povo manauara.

Jornal do Commercio: Como o senhor recebeu a notícia de que havia sido escolhido para ser o novo arcebispo de Manaus?

Dom Leonardo: Com gratidão e alegria. Havia manifestado o desejo de servir como bispo na Amazônia. Recebi, também com certa apreensão por não conhecer a realidade eclesial, social e política da arquidiocese. Respeitando a caminhada da Arquidiocese e contando com os irmãos e irmãs na mesma fé, Deus me concederá a graça de bem servir.

JC: Como se procedeu a sua escolha?

Dom Leonardo: No caso de um arcebispado, os bispos que compõe o Regional onde está situada a Arquidiocese são consultados, bem como os arcebispos do Brasil. Após isso, a consulta é enviada à Congregação para os bispos em Roma, uma lista tríplice, que examinada, é entregue ao papa. É o Santo Padre quem nomeia.

JC: O que o senhor conhece sobre Manaus?

Dom Leonardo: Estive na cidade de Manaus várias vezes para reuniões e encontros. Tenho informações da realidade arquidiocesana, pois participei de diversas reuniões em vista do Sínodo para a Pan-amazônia. Necessitarei de um tempo para conhecer as muitas realidades: social, cultural, política, religiosa, ambiental. A organização não será difícil conhecer, mas perceber a ‘alma’ do povo ou dos povos há necessidade de tempo, encontro, escuta…

JC: O que os fiéis podem esperar de seu arcebispado?

Dom Leonardo: O papa Francisco, certa vez, ao dar indicações para o ministério episcopal afirmou que o bispo deve estar à frente do seu povo para guiar, no meio do seu povo para consolar e atrás do seu povo para defender. Deus me dê a graça de ser essa presença na arquidiocese.

JC: Como o senhor está vendo o caos no mundo, nos dias atuais?

Dom Leonardo: Não diria caos. Todos nós seguimos um determinado discurso que vem denominado ideologia. Temos hoje movimentos ideológicos que tentam se impor. Ideológicos no plural, pois existem certas diferenciações e acentuações. Passam por cima da fraternidade-sociedade, apesar de todos sermos convidados a participar; da dignidade da pessoa, desprezando as minorias; da democracia-política onde somos convocados a cuidar das relações e da participação de todos; da Casa Comum, destruindo a compreensão da totalidade para conseguir lucro; da religião, tornando-a uma ideologia, esquecendo da fonte, do nascer da fé; e esses movimentos, tenho a sensação, pensam que podem resolver tudo com a violência, a força. Há o esquecimento da dignidade e do valor de ser pessoa. Ideologias olham para a raça, a cor, a religião, a sexualidade para excluir. Esses movimentos ideológicos não conseguem dialogar, porque falam o tempo todo. Não têm ouvidos. Nesse sentido somos chamados como cristãos a dar nossa contribuição, pois o evangelho ilumina a convivência humana, oferece valores para viver da justiça e na democracia, afirma a dignidade da pessoa, pois filho/a de Deus, desperta a percepção da convivência harmônica com a criação, supera a violência oferecendo o perdão e a reconciliação. Como cristãos vivemos da suavidade e quase surpresa da fé. Essa relação tênue-vigorosa de Deus para conosco nos impulsiona a darmos nossa contribuição na edificação da Casa Comum. Nós, cristãos, somos convidados a perceber por onde passa a história, por onde caminha a humanidade e, por isso, nos esforçamos para não nos desviamos do caminho de Jesus. O tempo presente exige de nós cristãos nitidez e maturidade a partir da fé: uma Igreja em saída.

JC: O que fazer para atrair fieis para a Igreja Católica, principalmente os jovens?

Dom Leonardo: É o Evangelho, Jesus, quem atrai. Nós somos frágeis e pecadores demais para atrair. Somos anunciadores, somos arautos, mas quem atrai é o Evangelho. Despertar para a beleza da fé, do modo de viver que Jesus nos propõe. Despertar para, deveria suscitar admiração, atração. A gratuidade da fé. Tenho percebido que os jovens se sentem atraídos por Jesus Cristo quando a serviço dos menores, dos pobres, dos excluídos. Na sua generosidade, eles e elas, crescem na sua humanidade, por isso, na fé.

 

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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