Não sei exatamente a extensão que o significado dessa palavra dá ao mundo por conta do que estamos vendo nestes últimos dias. Sei, entretanto o sentimento avassalador que arrebata, angustia e deixa uma incógnita do futuro após a fúria da natureza em várias localidades do mundo.
Há 15 anos, também parávamos surpresos e chocados pelo ataque às torres gêmeas, Pentágono e outros locais. De tudo isso, a gente vê tantos relatos e dentre eles, um me chamou a atenção por enaltecer, não que de repente não mereça, as qualidades solidárias dos americanos.
Perdoem-me a audácia arrogante de quem se sente orgulhoso, ainda que diante de todas as mazelas e vergonha políticas que nos rodeiam, de ser brasileiro, mas não estou aqui pra julgar ninguém, pois tenho grandes e maravilhosos amigos, que vivem há anos fora do Brasil nas mais diversas situações.
O que me deixa sem chão, são pessoas que denigrem nosso país, reduzindo nosso povo a zero, como se cada um de nós de alguma forma , não contribuísse para o que se vive hoje em todos os sentidos. Levanta aí a mão quem nunca achou um amigo na fila de qualquer coisa e entrou junto, ao invés de ir para o fim da fila. Ou mesmo alguém que, estando em uma fila há bastante tempo, deixou uma pessoa mais velha ou deficiente se interpor para atendimento sem reclamar, sem mesmo fazer “zoeira” com sua atitude. Quem nunca…..tantos e infinitos exemplos poderia citar.
É fato que lá existe sim muito mais estrutura, logística, recursos financeiros e blá blá blá. Esquecemos, entretanto que há pouco tempo, bem ali atrás, os EUA também sofreu uma crise econômica muito séria. Empresas quebraram. Pessoas perderam tudo. Colocamos a peneira na cara ao só vermos a devastação , mas ainda hoje apareceram saques às lojas fechadas em Miami. Alguma semelhança ao que vira e mexe acontece aqui no Brasil? Pois é , me ponho a pensar.
Como foi o processo de colonização dos Estados Unidos e o desenvolvimento da Europa? Quantos erros, crises e reconstruções foram necessários para que chegassem a seus níveis de desenvolvimento? Não estou passando a mão nos erros que acontecem aqui, na falta de escrúpulos, nos roubos, violência e tudo mais. Só que acho muito fácil sair daqui, deixar os problemas para que os outros vivam e resolvam , batendo palmas a tudo que é de fora, só olhando o lado bom do que há nos outros países.
Lá também existem: a miséria, a intolerância, a violência, bairros com extrema pobreza, pessoas infelizes. Em menor escala? Pode ser. Mas existe e ponto. Sei que além-mar, existe saúde, segurança até certo nível, educação…. mas existe algum preço a ser ‘pago’. Muitos que daqui saem não vivem o tão alardeado sonho americano, ou ralam horrores até o conseguirem. Não possuem lá, amigos, como temos aqui. Não existem vizinhos, como aqui. E tantas outras coisas. Se do outro lado existe saúde digna, nem sempre ela chega a população de baixa renda, por conta dos valores estratosféricos a serem pagos, visto que também lá, nem todo tratamento é coberto pelo governo.
Vejam a proposta ainda do governo Obama sobre a saúde e que o Trump, quer extinguir. Será que é porque o Trump é marrento, ou é porque proporciona aos mais necessitados uma oportunidade de atendimento gratuito da saúde? O que acarreta em contribuição maior pelas empresas, gerando um ciclo cambial mais elevado e por aí vai. Vejam como subiu o número de pessoas nas ruas do lado de lá. Vejam quantos saem de vários países do ‘velho mundo’ , buscando oportunidades de emprego, porque em seus países de origem não há mais. Vejam quantos largam suas famílias por conta de guerras e conflitos. Tudo tem um preço.
Tenho inúmeras pessoas a quem quero bem no México, EUA e mundo afora. Quero demais o bem estar de cada um. Não menosprezo e nem julgo a decisão que os fizeram deixar nossa pátria. Até porque eles sabem de tudo o que tiveram que viver, para lá estarem. Sei da dificuldade de aceitação, de trabalho digno, de moradia….não foi fácil, mas conseguiram. O preço não foi barato. E saibam, a gente reclama, mas aqui existe aposentadoria, mesmo que seja uma merreca, para a maioria da população, diga-se de passagem.
Lá, eles tem que trabalhar e se não conseguirem vão esmolar , vivendo nos abrigos ou na rua, de maneira bem semelhante ao que acontece no Brasil. Tantos seriam os exemplos que posso citar. Pois é….essa é a minha posição e também a minha maneira de pensar que temos que nos comprometer, para mudar. Temos que cobrar para mudar. Temos que mudar nossa maneira de agir e pensar, para melhorar. Temos que assumir nossas omissões e aceitações.
Antes de só “metermos o pau” no nosso país e aplaudirmos os outros, coloquemos o dedo em nossa consciência e analisemos a real participação e contribuição que estamos dando ou não. Temos muito a aprender. Se a cada dificuldade e problema, todos nós fizéssemos nossa mala e procurássemos a solução saindo fora, o Brasil já estaria extinto. Então menos aplausos e glamour para as ações e atitudes dos outros.
Somos um povo hospitaleiro e solidário também. Muitas vezes somos mais solidários com os estranhos, do que, com pessoas que convivem conosco. Temos muitas riquezas e coisas boas. Ainda vamos chegar lá. Se não for na minha geração, na dos netos, bisnetos, tataranetos, mas vamos chegar.







