O mês de outubro se aproxima, e com ele uma das datas comemorativas de maior movimentação no comércio varejista, o Dia das Crianças. No entanto, este ano, devido ao aumento na inadimplência e o baixo consumo dos manauaras em outras datas importantes, como o Dia das Mães, o comércio espera um desempenho considerado modesto nas vendas em relação ao ano anterior. Brinquedos e eletrônicos devem ser os itens mais procurados nas lojas.
O economista da Fecomércio (Federação do Comércio do Amazonas), José Fernando Pereira da Silva, explicou as dificuldades enfrentadas pelo setor ao longo do ano. Segundo ele, indicadores negativos de datas anteriores como o Dia das Mães, apontam baixo desempenho para o Dia das Crianças, celebrada no dia 12 de outubro. “Os últimos meses foram difíceis para as famílias e o comércio, até o Dia da Mães que é considerada a segunda melhor data para o setor depois do Natal teve baixo desempenho em relação ao ano anterior. Diante desse cenário de queda, mesmo sendo uma boa data para o comércio varejista, deve ter um modesto crescimento, quando comparado com 2015”, avalia.
Além de brinquedos e produtos como aparelhos eletrônicos, roupas, livros, jogos educativos, bicicletas entre outros, devem circular no comércio varejista da capital.
Com a proximidade da data, muitos lojistas já recorrem as formas mais tradicionais para tentar aquecer as vendas. “São as promoções, descontos e facilidades de pagamento para compensar a queda no volume de venda que vem acontecendo nos últimos meses”, destaca o economista. Além disso para atrair os clientes, as lojas também utilizam fidelização ao cliente através de cupons para serem sorteados no Dia das Crianças, estratégia já utilizadas em outras datas.
Para presidente da Assembleia Geral da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Ismael Bicharra, o Dia dos Pais e Dia das Mães passaram praticamente despercebidos pelo consumidor e pelo comércio com a movimentação fraca. “Mas estamos contanto que por ser uma crise de confiança, o Dia das Crianças será uma data muito melhor que as anteriores”, disse. Segundo Bicharra, o setor já apresentou uma melhora no faturamento no mês de agosto, quando comparado a julho deste ano.
Festas de fim de ano
Depois de 12 de outubro, as lojas de Manaus estarão cheias de pisca-piscas, árvores de Natal e Papai Noel, na tentativa de incentivar o consumo no melhor período de vendas do comércio varejista. Na avaliação de Silva, mesmo com cenário de queda a expectativa com a chegada das festas de fim de ano é vista como positiva pelo setor. Ele explica que, a efetivação do novo governo deu novo fôlego para a economia, mas ressalta que a recuperação será lenta.
“O comércio tem característica diferente da indústria, já que depende da geração de emprego, políticas de créditos e juros e até da situação do câmbio flutuante. Acreditamos que teremos um crescimento mínimo para o período, uma vez que alguns aspectos apontam que a renda do final de ano terá um pouco dinamismo e provavelmente inferior ao ano passado, mas se ficar igual já é algo a comemorar”, disse Silva.
De acordo com Bicharra os setores econômicos já começam a sentir um grau de confiança dos consumidores e empresários. No entanto, ele garante que o desempenho geral do comércio nos próximos meses, depende muito das estratégias adotadas pelo governo Temer. “Tudo vai depender do andar da carruagem, cada movimento do novo governo manterá ou não confiança e muita coisa deve ser feita. Mas sabemos que a recuperação vai ser lenta e conforme um levantamento, estamos no mesmo cenário de 2010, ou seja, retrocedemos seis anos”, conta o presidente.
Cenário
O aumento na inadimplência da população e o baixo consumo dos manauaras em outras datas importantes são apontados pelo economista como possíveis responsáveis pelos baixos indicadores do setor. Segundo Silva, pela primeira vez os índices de consumidores que não conseguiram quitar suas dívidas marcaram números preocupantes. “Geralmente o índice fica de 3 a 4%, mas já chegou a marcar mais de dois dígitos no acumulado do ano, o que é visto com preocupação por todos. Mas as últimas pesquisas revelam que nem mesmo o 13° salário deve ser aproveitado para a compra de presentes, pois a maioria dos consumidores pretendem usá-lo para quitar suas dívidas e limpar o nome na praça”, conclui o economista da Fecomércio. Sobre o aumento na inadimplência, Bicharra revela que aproximadamente 50% da população brasileira está nessa situação. Ele reforça que, boa parte do 13° salário deve ser usado para o pagamento de dívidas. “A população não tem o costume de dever e tentará quitar suas pendências para começar com crédito novo”, finaliza.







