Hoje, 19 de agosto, se comemora o dia internacional da fotografia, data em que, há 175 anos, em 1839, se dava o anúncio oficial, pelo governo francês, da invenção da fotografia. O feito foi atribuído a Louis-Jacques-Mandé Daguerre, cujo último sobrenome deu nome à cria, daguerreótipo. Daguerre construiu a primeira câmara que, lógico, reproduzia as imagens. Apesar do pioneirismo da invenção ser de Daguerre, outros inventores contribuíram para tal, inclusive um outro francês, radicado no Brasil, Antoine Hercules Romuald Florence.
No Brasil, as daguerreótipos chegaram no ano seguinte, em 16 de janeiro de 1840, mas a data de 8 de janeiro marca o dia nacional do fotógrafo.
Em Manaus, as primeiras imagens fotográficas surgiram na segunda metade do século 19, obtidas através de máquinas trazidas por naturalistas e aventureiros, e desde então não mais pararam de aqui chegar se transformando de objetos caríssimos, cujos donos eram poucos e endinheirados, a programas em celulares passíveis de serem adquiridos por qualquer pessoa e virando “brinquedos” de adolescentes com suas selfies.
Em termos de qualidade fotográfica, Manaus está muito bem servida com profissionais atuando em diversos segmentos, mas com destaque para os repórteres fotográficos que já se acostumaram a elevar e engrandecer o nome do Amazonas ao ganhar prêmios nacionais e internacionais.
Para os admiradores da fotografia, dois eventos homenageiam aqueles que são reposnsáveis por interpretar o mundo por meio de suas lentes. No Millennium Shopping a exposição “Gol da Fotografia” reuni os melhores flashes feitos por 25 fotógrafos amazonenses em todo o Brasil durante a Copa do Mundo. Os visitantes do centro de compras poderão conferir até este domingo (24) o acervo que possui mais de 500 fotos, que vão desde os lances dos jogos, bastidores e até a reação da torcida nos estádios e nas ruas.
No Senac, hoje, terça-feira (19) acontece o evento “Dia Mundial da Fotografia”, com ações alusivas ao dia: exibição de vídeo, palestra, mesa-redonda e exposição “Diversidade em Foco”.
Ganhadores do Prêmio Esso
Alberto Araújo trabalha profissionalmente como fotógrafo há 23 anos. Atualmente é um dos fotógrafos do Em Tempo. “Minha vida profissional toda tem sido tirar fotos. Desde os 15 anos comecei a gostar e a me interessar por fotografia. Vivia lendo tudo sobre o assunto. Talvez porque fosse tímido demais, procurava me expressar através das imagens que fazia”, recordou.
Em 2001 Alberto conquistou a maior honraria que um profissional da área pode almejar ao ganhar o Prêmio Esso e, no ano passado, ganhou aquele que considera o mais importante, até agora, prêmio de sua carreira, o Pictures of Year Latino, na categoria “Paisagens Humanas”. “Como repórter fotográfico enfrentamos todos os tipos de situações, das mais prazerosas às mais perigosas, por isso é uma profissão gratificante, que eu não trocaria por nenhuma outra”, garantiu.
Clóvis Miranda foi chegando aos poucos na fotografia. Foi jornaleiro (e gostava de ler os jornais enquanto não os vendia), depois conseguiu um emprego de boy, na redação de um jornal, passou para o laboratório de revelação de fotografias e finalmente, há 26 anos, se tornou repórter fotográfico. “Aprendi a arte da fotografia com Normandy Litaiff, um dos mestres da fotografia amazonense, que por sua vez havia aprendido com outro mestre, Silvino Santos”, falou.
Ganhador do Prêmio Esso, de 2007, Clóvis acredita que este ano, até agora, atingiu o máximo de sua carreira ao cobrir para A Crítica, onde é o editor de fotografias, a Copa do Mundo. “Já havia feito a cobertura da Copa América, da Copa das Confederações e faltava a Copa do Mundo. Fiz as imagens de dez jogos, seis com a seleção brasileira, incluindo a final. Espero voltar a ter emoções como essas mais vezes ao longo da minha carreira”, brincou.
Professor e fotógrafo do JC
Walter Mendes é o fotógrafo do JC desde 2010. Walter começou ainda menino a aprender a arte das imagens, no laboratório que o tio, Francisco Mendes, possuía. “Lá ele ensinou a mim e a meu irmão, tudo sobre fotografia, a manipular os químicos, revelar, ampliar e fotografar, mas quando fiquei adulto fui ser bancário, somente por quatro anos. Resolvi, então, voltar para a fotografia, primeiro cobrindo eventos, depois como repórter fotográfico. Já trabalhei em todos os jornais de Manaus e desde 2007 me tornei professor de fotografia da Fundação Rede Amazônica. Me formei em publicidade e optei por ensinar o que aprendia. Já formei mais de 300 alunos entre Manaus, Porto Velho, Boa Vista e Rio Branco. Dica para quem quer ser fotógrafo? Você deve querer enxergar além das aparências e do óbvio”, ensinou.







