No balanço dos reajustes salariais em 2012, aproximadamente 95% das negociações analisadas em todo o país conquistaram aumentos reais. A afirmação significa que esse percentual conseguiu superar a inflação do ano anterior em 1,96% – baseado no INPC-IBGE (Índice Nacional de Preços ao Consumidor, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O estudo foi apresentado na manhã desta terça-feira (21), no auditório do Sintracomec (Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil), durante a 8ª edição da Jornada Nacional de Debates.
De acordo com a supervisora técnica do escritório regional do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) no Amazonas, Alessandra de Moura Cadamuro, o balanço estadual de negociações coletivas seguiu o padrão nacional e garantiram o melhor resultado alcançado desde 2008. “Nota-se uma tendência de melhorias nas negociações entre as classes trabalhadoras”, comenta.
Em 2013, a representante levanta alguns fatores importantes no Amazonas, como a inflação –que tem crescido consideravelmente em todas as regiões do território nacional. “Apesar de a cesta básica não representar um índice de inflação (afinal, esse índice leva outros fatores em consideração, não somente a alimentação), nota-se que, atualmente, o brasileiro trabalha para pagar seu alimento”, destaca, referindo-se aos baixos salários. Por consequência, se o pagamento não acompanha o aumento apresentado no mercado, o cidadão tende a trabalhar cada vez mais.
Segundo Cadamuro, a luta das categorias sindicais deve ser não apenas uma busca pela manutenção dos ganhos reais, mas no aumento do poder de compra do trabalhador. “Apesar do acumulado do ano estar negativo, no primeiro trimestre houve uma recuperação e é essa motivação que precisamos manter e reafirmar”, torce.
Para ela, não faz sentido falar sobre o fim da Zona Franca de Manaus, mas sim levantar um debate sobre o papel do programa para o Amazonas. “Não há dúvidas da importância tanto para o Estado quanto para a região. O questionável é a contribuição do modelo”, questiona. O Amazonas, ao contrário da maioria dos Estados, tem uma grande concentração muito econômica centralizada na capital, o que influencia diretamente no faturamento de outros setores e municípios, “com políticas públicas voltadas para a agricultura, turismo e outras ferramentas de desenvolvimento”, sugere.
Sindicato vê dificuldade em negociações
O diretor do Sindicato dos Plásticos do Amazonas, Raimundo Guimarães, comenta sobre as dificuldades na hora de negociação. “A classe empresarial coloca em questão os prejuízos atraídos em virtude da crise no setor”, conta. De acordo com ele, muitas empresas declararam falência nos últimos meses e, por isso, os trabalhadores são pressionados a acatarem os reajustes sugeridos.
O aumento da participação dos produtos chineses na indústria manauara tem amargado o poder de questionamento dos profissionais da classe. “Quando o mercado perde os postos de trabalho e os trabalhadores vão para a mesa de negociação, os empresários pressionam e não temos escolha”, lamenta Guimarães.
Em 2012, o segmento de plásticos contava com 14 mil trabalhadores. Atualmente, pouco mais de 6 mil ainda mantêm seus empregos. Apesar da crise, o diretor aposta em melhorias. “A última negociação, em 2012. superou a inflação com ganho real. Para 2013, as negociações começam em agosto e pretendemos repetir bons os resultados”, destaca.
Papel dos alimentos
De uma maneira geral, os alimentos influenciam a inflação, a supervisora técnica do escritório regional do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) no Amazonas, Alessandra de Moura Cadamuro afirma que os resultados da cesta básica têm apresentado valores cada vez maiores.
Os fatores que influenciam o aumento nos preços do conjunto alimentício são: sazonalidade, fatores climáticos e questões fiscais. O primeiro, diz respeito à oferta do produto; o segundo, é indiferente à ação do homem (a farinha de mandioca, por exemplo, aumentou em todas as 18 cidades pesquisadas pelo Dieese e o valor deve-se a seca enfrentada nas regiões produtoras); e o terceiro, a desoneração de alguns produtos da cesta básica pelo governo federal.







