A disputa entre as principais bancadas por espaço na Câmara deve resultar em um atraso na definição das comissões temáticas da Casa. Pela projeção dos deputados, a intenção era acertar as escolhas na próxima semana e eleger os novos presidentes sete dias depois. Porém, como os líderes não conseguem se entender, o prazo tende a ser maior. Enquanto isso, vários projetos ficam com a tramitação suspensa, não podendo ser votados neste começo de ano.
Na terça-feira (19), tudo parecia acertado. Os partidos já tinham definido a ordem de escolha das comissões. As maiores bancadas têm direito a mais colegiados e preferência na escolha. O PT, por exemplo, com seus 88 deputados, é o primeiro a escolher. E, de acordo com listagem obtida pelo Congresso em Foco, tem a terceira e a nona opções caso seja mantida a mesma quantidade de 2011.
Com uma melhor posição na tabela, as bancadas acabam participando da discussão de projetos com mais chances de entrarem na pauta do plenário. A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), por exemplo, normalmente é a última a referendar uma proposta antes da votação final na Câmara, com exceção de propostas de emenda à Constituição (PECs) e medidas provisórias. Todas as proposições passam pela CCJ.
De acordo com o jornal Valor Econômico, os partidos já sinalizam suas escolhas. O PT, além da Comissão de Constituição e Justiça, quer Saúde, Relações Exteriores e Defesa Nacional (CREDN) e Direitos Humanos (CDH). O PMDB quer Finanças e Tributação (CFT) e Fiscalização e Controle (CFFC). A terceira comissão deve ser Turismo.
Porém, ontem uma série de dificuldades veio à tona, deixando claro que os próximos dias serão de muitas negociações entre os deputados. A primeira é justamente a ordem de escolha. Caso duas novas comissões sejam criadas, PT e PMDB serão beneficiados. As duas maiores bancadas ficarão com os quatro primeiros colegiados. Isso quer dizer que as áreas mais importantes serão controladas por petistas e peemedebistas.
Insatisfeitos
A ordem deixou uma série de insatisfeitos, em especial PSDB e PSD, respectivamente terceira e quarta bancadas da Câmara. Os dois partidos cairiam na lista das comissões, tornando mais complicada a escolha dos líderes. O líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP), disse que a ideia é manter as duas que estão sob o comando do partido –Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPADR) e Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI).
Mas essa tarefa pode se complicar caso prevaleça a lista que circula nos últimos dois dias na Câmara. “Nós ficaríamos no prejuízo e o PT e o PMDB seriam beneficiados com a segunda escolha na frente da nossa primeira”, disse Sampaio.
No entanto, essa resolução rápida deveria acontecer em uma reunião entre os integrantes da Mesa Diretora da Câmara marcada para as 17h de ontem. Durante todo o dia, o presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), recebeu deputados em seu gabinete. Boa parte das conversas girou em torno da composição das comissões. O peemedebista, há 11 mandatos no Legislativo, viu que não seria possível chegar a um acordo. Cancelou o encontro, que acabou remarcado para a próxima terça-feira (26), às 10h.






