Ditadura do grande capital

Em: 9 de abril de 2010
No dia 31 de março do ano de 1964 houve, no Brasil, um golpe de Estado e não uma revolução como muitos pensam. Revolução é uma mudança do sistema em questão. Exemplos: Revolução Cubana, Revolução Francesa
No dia 31 de março do ano de 1964 houve, no Brasil, um golpe de Estado e não uma revolução como muitos pensam. Revolução é uma mudança do sistema em questão. Exemplos: Revolução Cubana, Revolução Francesa

No dia 31 de março do ano de 1964 houve, no Brasil, um golpe de Estado e não uma revolução como muitos pensam. Revolução é uma mudança do sistema em questão. Exemplos: Revolução Cubana, Revolução Francesa. O golpe é uma mudança dentro do sistema. A revolução significa uma quebra na continuidade. O golpe é uma continuidade. Entendemos que a principal causa do golpe foi afastar o Presidente, na época, João Goulart, que estava atendendo às reivindicações dos trabalhadores e isso incomodava a burguesia nacional e internacional que lutavam pela continuação dos seus privilégios.
A ditadura do grande capital durou 21 anos. É bom lembrar que o primeiro efeito do Golpe foi a prisão de muitos professores, e as escolas passaram a ser vigiadas por agentes dos órgãos de informação do governo. Para Mário Ferreira e Roberto Numeriano existem dois tipos de golpe: “o golpe branco” e o “golpe clássico”. O primeiro, dizem os autores, ocorre com o fim de amortecer, pela conciliação, crises dentro do aparelho do Estado entre seus principais grupos dominantes. O “golpe branco” pode acontecer com a presença de instrumentos de pressão (mobilização de uma elite de classe, por exemplo), sem a necessidade do emprego da força. Foi assim que ocorreu no Brasil em 1961, quando da renúncia do Presidente Jânio Quadros.
O “golpe clássico”, afirmam os citados pensadores, ocorre quando é impossível conciliar os interesses entre as facções políticas que desejam o comando do poder do Estado. O exemplo do caso também se passa no Brasil, em março de 1964 com a tomada do poder pelas Forças Armadas, como reação à mobilização popular e dos trabalhadores em prol das chamadas reformas de base, que atingiram fundo os interesses da burguesia do país. A história registra que a partir desse período, em termos econômicos, as riquezas ficaram praticamente em poucas mãos: os ricos se tornaram mais ricos e os pobres cada vez mais pobres; os salários foram congelados, ao mesmo tempo em que os preços das mercadorias subiram assustadoramente. No campo educacional a política da ditadura militar atendeu a uma certa demanda social para legitimar o poder autoritário.
Não houve melhoria da qualidade de vida do nosso povo. Cresceram os percentuais de mortalidade infantil, as doenças contagiosas se duplicaram, transformando o brasileiro num povo doentio e sem ter o que comer. A dívida externa foi triplicada, ultrapassando os 110 bilhões de dólares. Acentuou-se a depredação na Amazônia. Cada brasileiro, ao nascer, já devia cerca de 800 dólares. Para Octávio Ianni, o golpe de 1964 significou uma contra-revolução ao avanço “[…] político das classes oprimidas, operários do campo, camponeses, empregados e funcionários pobres”. Este País passa a viver um modelo econômico apoiado na exigência dos organismos internacionais de cultura e financiamento quando se acionou o processo de internacionalização do mercado interno, reorganizando a estrutura do consumo interno e atendendo aos interesses do mercado externo.
Para finalizar, podemos afirmar que é difícil um golpe de estado de essência progressista, destinado a atender aos interesses reformistas ou revolucionários da classe operária. O golpismo é uma prática que caracteriza as sociedades atrasadas política e economicamente. São casos restritos aos países considerados emergentes.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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