Dívida de R$2,5bi preocupa autoridades

Em: 13 de agosto de 2014
Valor é devido à Petrobras e cresceu 61% nos últimos seis meses
Valor é devido à Petrobras e cresceu 61% nos últimos seis meses

O anúncio feito pela Petrobras sobre a dívida mantida pela Cigás (Companhia de Gás do Amazonas) no valor estimado em mais de R$ 2,5 bilhões à companhia petrolífera gerou preocupação aos representantes do Poder Legislativo e do segmento industrial. Segundo o deputado estadual Luiz Castro (PPS) a companhia deve ser chamada à Aleam (Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas) para justificar o motivo do débito. A Cigás afirma que o valor muito alto e, as parcelas pagas nunca cobrem o que deveria.
Segundo o deputado, a situação demonstrada por um relatório apresentado pela Petrobras, é considerada preocupante. Ele afirma que assim que tomar conhecimento do documento vai propor o comparecimento dos representantes da empresa, estatal controlada pelo governo do Estado, à Casa Legislativa para que possam explicar a causa do débito, citado pelo parlamentar como exorbitante.
“É preocupante que a Cigás tenha chegado a essa ordem. É necessário uma imediata tomada de conhecimento por parte da Aleam porque não podemos assistir essa situação sem fazer nada”, exclamou. “Precisamos apurar a capacidade da empresa quanto ao pagamento dessa conta”, complementou.
Luiz Castro ainda disse que é preciso entender a situação da empresa e ouvi-los.
O deputado também relatou que há alguns anos o governo propôs a venda da participação do Estado referente à Cigás. De acordo com ele, o projeto foi aprovado mas até hoje não houve negociação. “Talvez esse seja o motivo de esse projeto não ter caminhado. Ninguém vai ter interesse de comprar algo que vem acompanhado de uma dívida tão alta como essa”, avaliou.
O documento afirma que a dívida é referente à comercialização de gás natural no Estado do Amazonas e que as negociações com a estatal estão em andamento para o equacionamento dos débitos. O valor está registrado no relatório de demonstrações de resultados da Petrobras referente ao segundo trimestre de 2014, divulgados na última sexta-feira (8). Segundo o relatório, a dívida cresceu 61% nos últimos seis meses.
Para o presidente do Sindplast (Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Material Plástico de Manaus), Francisco Brito, a dívida mantida pela Cigás pode representar o maior atraso nas obras da instalação dos tubos do gasoduto. Ele conta que boa parte das empresas do distrito industrial ainda não operam com a utilização do gás natural. “A situação é preocupante. Claro que a substituição do óleo diesel pelo gás resultaria em maior economia de energia elétrica e na redução dos custos na produção dos componentes”, disse.
Além da Cigás, outro órgão que mantém um débito com a Petrobras é a Eletrobras Amazonas Energia. A dívida está acumulada em R$ 7,3 bilhões, valor referente ao fornecimento de óleo.

Cigás
O presidente da Cigás, Lino Chíxaro, confirmou a existência do débito e a negociação que a estatal mantém com a Petrobras. Segundo ele, os pagamentos foram parcelados. “Por se tratar de um valor muito alto, o que repassamos nunca cobre o que deveria. A Cigás depende diretamente de repasses federais, o que não ameniza a situação”, destaca.
De acordo com Chíxaro, além da dívida a empresa enfrenta outro problema, que são as obras para a instalação dos tubos do gasoduto. Ele afirma que esse trabalho seria feito paralelamente ao recapeamento das ruas do Distrito Industrial. O trabalho foi orçado em R$ 114,9 milhões. “O convênio com a Suframa e a prefeitura está feito, mas ainda estamos aguardando”, disse.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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