Dívidas continuam sendo gargalos para bares e restaurantes

Em: 19 de julho de 2023
restaurantes

De acordo com pesquisa realizada pela Abrasel-AM (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), junto com empresários do setor de Alimentação fora do lar, aponta que metade das empresas 50% estão com dívidas vencidas com impostos, fornecedores ou serviços públicos. 

Entre as empresas que têm débitos em atraso, 56% devem impostos federais, como Imposto de Renda, PIS/Cofins ou parcelas do Simples. Além disso, 32% possuem dívidas relacionadas a impostos estaduais, 44% encargos trabalhistas, 24% taxas municipais, 16% serviços de água, luz, gás e telefonia, 28% têm débitos com fornecedores de insumos e 24% estão com o aluguel atrasado.

A pesquisa também revelou que 24% das empresas trabalharam com prejuízo em maio, índice superior ao mês anterior (21%). No entanto, houve um aumento no número de empresas que obtiveram lucro (de 32% em abril para 34% em maio) e uma diminuição das empresas em equilíbrio financeiro (de 46% para 39%).

Para o segundo semestre do ano,  a pesquisa mostra que os empresários não desejam realizar novas contratações, 43% querem manter o quadro atual, outros 19% pretendem demitir. 

Para o presidente da Abrasel, Rodrigo Zamperlini “o aumento do número de empresas operando com prejuízo em relação à última pesquisa aponta que 50% dos respondentes estão com pagamentos em atraso, sendo que, entre estes, mais da metade devem impostos federais. Importante destacar que o setor da alimentação fora do lar, além de gerar muitas oportunidades de contratações, tem as portas abertas para o 1º emprego e não exige experiência, formando grande parte internamente, o que evidencia sua relevância na sociedade e a necessidade de um olhar diferenciado na reforma tributária”,  ressaltou.

Além disso, o presidente destacou ainda que nessa mesma pesquisa 96% relataram que contratam  pessoas sem experiência, 81% tem política de ascensão profissional interna, ou seja, é de grande relevância para a sociedade a empregabilidade que é gerada no setor. 

“E nesse momento em que está sendo discutida a simplificação do sistema tributário no Senado  Federal, é muito importante que se mantenham as conquistas que foram  feitas para o setor da alimentação fora do lar, como um todo , para restaurar, cafeteria , e também os bares que representam também uma importante fonte geradora de emprego e renda no nosso estado e no Brasil.  É importante que não haja essa descriminação com parte do setor de bares que  possam estar inseridos nessa pauta diferenciadas da distribuição inseridas na Reforma Tributária.

Alíquota especial 

A reforma tributária prevê um regime especial para o setor de bares e restaurantes, com uma redução de 60% sobre a alíquota cheia (que no início, em 2026, será de 1%). No texto inicial havia a possibilidade de aumento expressivo para as empresas que operam em lucro real e lucro presumido.

A inclusão da alíquota diferenciada para o setor, cujo valor será definido por lei complementar durante a implantação da reforma, foi uma grande vitória da Abrasel. E se trata de um reconhecimento na Constituição do papel essencial do setor, junto com setores como Educação e Saúde.

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Segundo o presidente da Abrasel, Paulo Solmucci, “para quem está no Simples, nada muda. Porém, se fosse aplicada a alíquota cheia, de 25%, haveria um aumento estimado de mais de 100% para quem está nos regimes tributários de lucro real e lucro presumido, algo inadmissível. Com o acordo, o nosso setor estará entre aqueles, como educação e saúde, que terão uma alíquota diferenciada, a ser estabelecida no ano que vem”.

“Foi uma vitória importante, e vale destacar o trabalho do deputado Domingos Sávio (PL-MG), que lidera a Frente de Comércio e Serviços, do deputado Luiz Gastão (PSD-CE), do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que coordenou o grupo da reforma, com o apoio do ministro Fernando Haddad. É uma vitória que nos permite respirar, com a certeza de que o texto está mais de acordo com a importância do nosso setor para o país”, finaliza Solmucci.

Ele completa: “a nossa certeza é de que a reforma é necessária para simplificar o empreender, facilitar a vida do cidadão e acabar com a guerra fiscal. Feita de modo equilibrado, irá trazer mais produtividade e eficiência a todos”.

Andréia Leite

é repórter do Jornal do Commercio
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