Doha sofre novo revés e Brasil culpa países ricos

Em: 15 de dezembro de 2008
Pouco mais de sete anos após o lançamento, com a ambição de fechar um acordo global de comércio em benefício do mundo em desenvolvimento, a Rodada Doha sofreu mais um revés, congelando as negociações por tempo indeterminado
Pouco mais de sete anos após o lançamento, com a ambição de fechar um acordo global de comércio em benefício do mundo em desenvolvimento, a Rodada Doha sofreu mais um revés, congelando as negociações por tempo indeterminado

Pouco mais de sete anos após o lançamento, com a ambição de fechar um acordo global de comércio em benefício do mundo em desenvolvimento, a Rodada Doha sofreu mais um revés, congelando as negociações por tempo indeterminado.
Depois de uma semana de intensas consultas com as principais potências comerciais do planeta, Brasil incluído, o diretor-geral da OMC (Organização Mundial do Comércio), Pascal Lamy, deu-se por vencido e anunciou que desistira da intenção de convocar uma nova reunião ministerial para a próxima semana.
Para Lamy, faltou “vontade política’’ para superar os obstáculos que persistiam desde a última ministerial, em julho, e os novos desafios surgidos na última semana. O maior empecilho foi a insistência dos EUA em exigir acordos dos três maiores países emergentes, China, Índia e Brasil, para a abertura de setores-chave de sua indústria.
“Não houve vontade nem interesse suficientes para um compromisso político’’, disse Lamy após comunicar o fracasso aos representantes dos 153 países membros da OMC. A pedido de Austrália, Reino Unido e Alemanha, Lamy manteve uma janela de 48 horas para tentar salvar o processo ao longo do fim-de-semana, “desde que alguma coisa dramática ocorra’’. Poucos, no entanto, acreditam que isso seja viável.
O chanceler do Brasil, Celso Amorim, em Genebra para a celebração dos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, acompanhou de perto mais um epílogo de Doha. E foi mais incisivo que Lamy, responsabilizando a “ganância’’ dos países ricos pelo fiasco.
Nos últimos dias, à medida em que foi ficando claro o fracasso, o Brasil começou a aumentar o tom de suas críticas às “demandas excessivas’’ dos países ricos, especialmente dos EUA. Após reunir-se por mais de duas horas com Lamy, Amorim direcionou a pressão para a nova administração americana, que, segundo ele, precisava mostrar “liderança’’ e “responsabilidade’’, enviando um “sinal positivo’’ para permitir que o impasse na negociação pudesse ser superado.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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