Dois são alvos da PF no Amazonas suspeitos de apoiar atos em defesa de Bolsonaro

Em: 16 de dezembro de 2022

A poucos dias da posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) autorizou, ontem, operação contra manifestantes que ainda resistem ao resultado das urnas eletrônicas. As ações da PF (Polícia Federal) foram realizadas em vários Estados, com bloqueio de contas, prisões, apreensão de material e equipamentos eletrônicos.

Em todo o país, os agentes federais cumpriram 103 mandados de busca e apreensão, tendo como alvos suspeitos de organizar atos em defesa do atual presidente Jair Bolsonaro (PL). No município de Humaitá (distante 700 quilômetros de Manaus), no Amazonas, duas pessoas estiveram na mira  da PF. Elas teriam envolvimento em bloqueios da estrada Transamazônica (BR-230), movimento pró-Bolsonaro que causou muitos transtornos e prejuízos às atividades econômicas.

Nas sessões de ontem da CMM (Câmara Municipal de Manaus) e da Aleam (Assembleia Legislativa do Amazonas) não foi registrado nenhum pronunciamento sobre a deflagração da ação da PF, segundo jornalistas que cobrem os trabalhos das duas Casas Legislativas. Contatados, alguns parlamentares se esquivaram, evitando dar qualquer declaração sobre o assunto.

A operação da PF foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, presidente do TSE, que protagoniza grandes embates contra Bolsonaro e seus aliados. O magistrado é acusado de abusar de sua autoridade, ferindo a jurisprudência, segundo alega a comunidade jurídica aliada do atual presidente da República.

Segundo analistas, os movimentos tentam tumultuar o cenário político em uma época em que o chefe do Executivo nacional está prestes a deixar o Planalto. É uma forma de apoiadores deixarem o seu protesto pela eleição de Lula, cujos governos anteriores foram marcados por esquemas de corrupção.

“Claro, talvez a gente não consiga impedir a posse do mesmo corrupto que dilapidou as contas do Brasil. Mas pelo menos deixamos o nosso protesto contra a indecência ao ver de novo no Planalto uma figura nociva para a nossa população”, contesta Denilson Gouveia, aposentado, que participou dos atos públicos em Manaus. “Isso é um acinte, inadmissível”, acrescenta.

Estudante de direito, Carlinho Mirno não esconde sua admiração por Lula, que está prestes a assumir novamente o comando do país. “Ele veio para consertar tudo que Bolsonaro destruiu. Ficou preso injustamente, manteve-se firme e conseguiu provar sua inocência. E está aí de novo para mostrar que é a nossa esperança por dias melhores”, aposta.  

Os agentes federais também cumpriram mandados no Estados do Acre, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rondônia e Santa Catarina e no Distrito Federal .

Segundo as investigações, a Polícia Federal mirou três grupos e usou informações obtidas por uma rede de inteligência formada por órgãos estaduais como Ministério Público, Polícia Civil, Polícia Militar e Polícia Rodoviária Federal para deflagrar a operação, ontem.

O STF recebeu informações sobre suspeitos de organizar e financiar atos pró-Bolsonaro, incluindo políticos com mandatos (e outros não), além de empresários, principalmente do setor de agronegócios, o que mais se destaca no apoio às medidas do atual governo federal.

Por MARCELO PERES

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Marcelo Peres

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