Dólar e Bolsa caem com mercado perdido entre inflação e recessão

Em: 8 de julho de 2022

Os mercados balançaram nesta sexta-feira (8) ao sabor de dados que mostraram uma linha tênue entre os riscos de uma inflação global persistente e de uma abrupta desaceleração da economia mundial provocada pela escalada dos juros.
A instabilidade dos ativos de risco durante o dia, replicando o padrão desta semana, reforçou a ideia de que investidores ainda buscam pistas sobre quando o processo de elevação dos juros nos Estados Unidos colocará freio na inflação do país e qual será o custo disso. Paralelamente, a China anunciou um pacote bilionário de estímulos que animou o setor de commodities, mas desregulou ainda mais a bússola do mercado.
O real apresentou nesta sexta o maior ganho frente ao dólar entre as principais moedas. A divisa brasileira também foi a mais valorizada entre países emergentes.
No fechamento do mercado de câmbio doméstico, o dólar comercial à vista caiu 1,42%, cotado a R$ 5,2680. Com isso, a divisa americana acumulou queda semanal de 1,01% frente ao real. Nesta mesma semana, na quarta-feira (6), o dólar atingiu os R$ 5,42, maior cotação desde janeiro.
Daniel Miraglia, economista-chefe da Integral Group, considera a expectativa do aumento das exportações de commodities para a China o fator mais importante para o câmbio nesta semana.
Pequim anunciou na quinta-feira (7) um pacote de US$ 220 bilhões em investimentos em infraestrutura no país, segundo a agência Bloomberg.
IBOVESPA AVANÇA EM SEMANA DE VOLATILIDADE NO EXTERIOR
A Bolsa de Valores brasileira acompanhou a volatilidade dos mercados globais. O índice de referência Ibovespa fechou o dia em queda de 0,43%, a 100.288 pontos, após uma sessão de altos e baixos. No acumulado da semana, houve alta de 1,35%.
Nos Estados Unidos, os principais índices tiveram desempenhos mistos. O indicador de empresas de grande valor Dow Jones caiu 0,15%. Já o índice para companhias de tecnologia com potencial de crescimento, o Nasdaq, subiu 0,12%. O S&P 500, referência da Bolsa de Nova York, avançou 0,08% no dia e somou 1,94% nesta semana.
Dados sobre a forte geração de empregos nos Estados Unidos centralizavam as atenções nos mercados de ações. O país abriu 372 mil postos de trabalho no setor urbano em junho, bem acima da expectativa de 268 postos, conforme estimativa da agência Reuters.

Dólar e Bolsa caem com mercado perdido entre inflação e recessão - dolar e bolsa


Esse resultado pode ser observado de dois pontos de vista. Olhando para a parte cheia do copo, a informação afasta a perspectiva de uma recessão global imediata, pois mostra que a principal economia do planeta continua aquecida.
“O relatório de empregos veio bem forte, afastando no curto prazo a possibilidade de recessão, que é a grande temática no mercado”, comentou Wagner Varejão, especialista da Valor Investimentos.
Mas a visão do copo meio vazio faz analistas considerarem que o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) subirá sua taxa de juros em 0,75 ponto percentual no final deste mês, repetindo a alta aplicada em junho e que foi a maior desde 1994. É justamente o aperto monetário acelerado do Fed que tem feito mundo temer a recessão.
Miraglia, da Integral Group, diz que alguns movimentos de alta, dentro de um período de baixa acentuada do mercado, ocorrem quando investidores avaliam que a recessão já está muito próxima e parte das ações já chegaram ao fundo. Os dados de emprego, porém, mostraram que isso não ocorreu.
“O mercado ainda não encontrou qual a taxa de juros nos Estados Unidos é a que vai fazer a economia esfriar para trazer a inflação para o centro da meta”, comentou o economista.
Na quinta-feira (7), a taxa de câmbio também desacelerou alinhada ao exterior, enquanto o Ibovespa subiu 2,04%, a 100.729 pontos. A força do setor de commodities impulsionou o índice de referência da Bolsa de Valores a respirar acima dos 100 mil pontos pela primeira vez após seis pregões.
Na ocasião, um relatório semanal do seguro-desemprego nos Estados Unidos apresentou alta nos pedidos de novos benefícios.
Por mais contraditório que isso pareça em relação ao movimento desta sexta, a informação da véspera, que indicava fraqueza do mercado de trabalho americano, foi interpretada como um sinal de que o Fed estaria conseguindo domar a inflação no país e, assim, teria condições de diminuir o ritmo da elevação da sua taxa de juros.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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