Dubai diz que moratória é necessária para enfrentar o “fardo de sua dívida”

Em: 29 de novembro de 2009
O governo de Dubai tentou tranquilizar os mercados na quinta-feira afirmando que seu pedido de moratória do pagamento da dívida da estatal de investimentos Dubai World é necessário para “encarar o fardo da dívida”.
O governo de Dubai tentou tranquilizar os mercados na quinta-feira afirmando que seu pedido de moratória do pagamento da dívida da estatal de investimentos Dubai World é necessário para “encarar o fardo da dívida”.

O governo de Dubai tentou tranquilizar os mercados na quinta-feira afirmando que seu pedido de moratória do pagamento da dívida da estatal de investimentos Dubai World é necessário para “encarar o fardo da dívida”.
“Entendemos as preocupações do mercado e dos credores”, declarou em comunicado o presidente do Comitê fiscal supremo, xeque Ahmed ben Said al Maktum. “Entretanto, tivemos que intervir devido à necessidade de empreender uma ação decisiva para encarar o fardo da dívida”.
Vários mercados internacionais fecharam em baixa na quinta-feira, no dia seguinte ao anúncio da intenção de Dubai de pedir aos credores de seu conglomerado Dubai World, o maior e mais endividado, que controla o gigante do setor imobiliário Nakheel, uma moratória de seis meses do pagamento da dívida, até maio de 2010.
O anúncio afetou os mercados na Ásia -onde as obrigações islâmicas, conhecidas como Sukuks, recuaram 15% na quinta-feira- e da Europa, onde as principais Bolsas recuaram com a notícia.
Logo após o anúncio, a agência de classificação de risco Moody’s baixou a nota de seis importantes companhias do governo de Dubai -um dos emirados que foram os Emirados Árabes Unidos. ‘Um reescalonamento da dívida indicaria que o governo está se preparando para permitir que uma empresa ligada a ele não honre suas obrigações’, afirmou a Moody’s.
O mesmo fez a agência Standard and Poor’s, que reduziu a classificação de cinco companhias do emirado, dizendo que o anúncio de quarta-feira representa o fracasso do governo de Dubai em dar apoio financeiro oportuno a uma companhia do primeiro plano.

Investidores preocupados

As Bolsas asiáticas fecharam em baixa significativa na sexta-feira. Os investidores acompanham com preocupação o pedido de Dubai (Emirados Árabes Unidos) para renegociar uma dívida de bilhões de dólares. O temor é que, mal saída de uma crise, a economia global possa estar em risco de novo diante da moratória, o que poderia elevar a aversão a risco dos investidores.
A Bolsa de Tóquio caiu 3,22%, para 9.081,52 pontos no índice Nikkei 225; a Bolsa de Seul (Coreia do Sul) caiu 4,69%, para 1.524,50 pontos no índice Seoul Composite; a Bolsa de Hong Kong teve baixa de 4,84%, indo para 21.134,50 pontos no índice Hang Seng; a Bolsa de Taipé (Taiwan) caiu 3,21%, para 7.490,91 pontos no índice Taiwan Weighted; e a Bolsa de Xangai perdeu 2,36%, encerrando o dia com 3.096,26 pontos no índice Shanghai Composite.
“A Dubai World (estatal) tem a intenção de pedir aos que estão entre os seis credores e aos credores da Najeel que esperem ao menos até 30 de maio de 2010 para o pagamento de dívidas vencidas’’, afirmou em um comunicado o Fundo de Apoio Financeiro de Dubai, que vigia os efeitos da crise na economia do emirado.
As dívidas da empresa totalizam US$ 59 bilhões -uma dívida que a companhia pretende pagar até maio de 2010. O pedido de prazo também se aplica para as dívidas da Najeel, uma companhia do setor imobiliário e subsidiária da Dubai World.
Após seis anos de rápido crescimento, a economia de Dubai despencou desde meados de 2008, e o mercado imobiliário foi fortemente atingido, com queda nos preços dos imóveis. Dubai é um dos sete emirados semiautônomos que formam os Emirados Árabes Unidos.

Crise faz ressurgir fantasma da falência de vários países

Os riscos de falência do emirado de Dubai (Emirados Árabes Unidos) alimentam as preocupações sobre a saúde financeira de alguns países, sobretudo do leste da Europa, esmagados pelo endividamento e pela recessão mundial.
Ao anunciar, quarta-feira, seu desejo de adiar o reembolso de parte de sua dívida, o pequeno emirado do Golfo levou pânico aos mercados -que temem, mais do que tudo, a inadimplência.
A falência de um Estado não é algo frequente. A última aconteceu em 2001, quando a Argentina se declarou incapaz de honrar os pagamentos de sua dívida externa, fomentando graves tumultos sociais e abrindo uma crise que se alastrou por vários anos.
Porém, com a recessão, este cenário negro está voltando com força total. Obrigados a socorrer os contribuintes e os bancos, os Estados contraíram empréstimos com os mercados para financiar seus déficits. De acordo com a agência de classificação de risco Moody’s, a dívida pública mundial vai aumentar 45% entre 2007 e 2010.
Em consequência, os mercados podem deixar de comprar títulos de dívida pública e as obrigações emitidas por alguns Estados, ameaçando seu abastecimento de dinheiro. “Os problemas surgem quando os mercados perdem confiança na capacidade de um país de pagar sua dívida”, resumiu o economista Juan Carlos Rodado, da Natixis.
Os países do leste europeu são os mais ameaçados. Depois da extinção da União Soviética, os capitais estrangeiros chegaram em massa a essas nações e as deixaram logo que surgiu a crise, abalando profundamente suas economias.
Hoje, os países bálticos, a Romênia e a Ucrânia, que ainda têm que lidar com crises políticas, lideram o ranking dos países de risco, segundo Rodado. Para continuar a atrair investidores, estes países devem elevar a taxa de juros prometida aos credores, “o que torna a dívida mais cara”, lembrou Guy Longeville, do BNP Paribas.
O FMI (Fundo Monetário Internacional) vinha trabalhando para impedir a quebra de vários Estados. “Porém, agora que a pior parte da crise passou, o FMI pode mudar sua política”, avisou Agnès Benassy-Queré, do Cepii (Centro de Estudos Prospectivos e de Informações Internacionais).
O FMI adiou recentemente o pagamento de parte de sua ajuda à Romênia, por causa da instabilidade política, e à Ucrânia, punida por não ter aplicado os cortes orçamentários exigidos. pela recessão, teve de pedir dinheiro emprestado ao FMI para fugir da quebra.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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