O início do ano de 2008 para a economia brasileira foi muito especial. Festejamos o expressivo crescimento do ano anterior, mas em poucas oportunidades do passado recente ficamos tão preocupados como desta feita. A maior inflação e os sinais cada vez mais preocupantes de que a crise internacional se apresentava com maior gravidade apareceram de surpresa na virada do ano e geraram forte apreensão.
Em seus relatórios e atas de reuniões o Banco Central brasileiro praticamente anunciou que estava a ponto de aumentar a taxa de juros. Felizmente a ameaça não se concretizou. Um aumento dos juros cairia como uma bomba sobre as expectativas empresariais e dos consumidores. Cabe notar que essas expectativas se mostram muito favoráveis, constituindo os fatores de base que alimentam o dinamismo do investimento e do mercado interno consumidor, os quais, por seu turno, vêm sustentando o maior crescimento econômico.
A reviravolta também veio rapidamente. Primeiro, a CNI (Confederação Nacional da Indústria), anunciou na semana passada que a indústria brasileira utilizou menos sua capacidade de produção, numa indicação de que a economia está longe de um quadro de superaquecimento da demanda. Em segundo lugar, porque as últimas pesquisas já indicam uma significativa contenção do aumento de preços. Como já foi observado, a inflação elevou-se no final de 2007, porém exclusivamente devido aos maiores preços de alimentos causados, sobretudo, por fatores de ordem externa. Pois bem, o fato novo é que a inflação de alimentos regrediu.
O índice de preços ao consumidor do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) foi menor em janeiro, 0,54%, contra 0,74% em dezembro. O menor aumento em alimentos foi determinante para o resultado. A variação em janeiro foi de 1,52%, menor do que os 2,06% do mês anterior.
Melhora
significativa
Também a variação do Índice Geral de Preços, calculado pela Fundação Getúlio Vargas, acusou uma melhora. Na primeira prévia de fevereiro, houve aumento de 0,42%, contra 0,67% no mês anterior. Evoluções muito menores nos preços de alimentos no atacado e no varejo explicam o menor índice inflacionário.
O Relatório de Mercado do Banco Central divulgado ontem, que resume as avaliações do mercado financeiro sobre as variáveis econômicas, já acusa redução da expectativa de inflação para 2008, estimando a variação do IPCA em 4,39%, contra estimativa de 4,45% uma semana atrás.
Duas observações: desde a semana de 12-1-2008 e excetuando uma leve queda em 11-1-2008, esta é a primeira redução de expectativa de inflação avaliada pelo “mercado”. A segunda observação é que normalmente o “mercado” avalia com certo retardo certas mudanças de tendências, o que significa dizer que deve prosseguir o ajuste das expectativas inflacionárias.
Outro conjunto de indicadores sugere que a atividade da economia brasileira nesse início de 2008 manteve o bom ritmo de atividade que prevaleceu nos meses finais do ano passado. O dado novo aqui é que, no entanto, a última pesquisa de comércio varejista, divulgada ontem pelo IBGE, dá sinais de que o crescimento do mercado interno consumidor desacelerou no último mês do ano passado.
Com efeito, para o conjunto da atividade a variação de novembro para dezembro na série com ajuste sazonal foi zero, mas para a maioria dos segmentos do varejo, foi negativa, como nos casos de móveis e eletrodomésticos (-6,2%), combustíveis e lubrificantes (-2,3%), tecidos, vestuário e calçados (-2,2%) e veículos e motos (-2,1%).
No caso de Hiper, supermercados, produtos alimentícios e bebidas houve aumento, porém de apenas 0,2%. Esse é um sintoma que também vem na direção de um maior controle de eventuais pressões inflacionárias de demanda, já que sinaliza que o mercado interno consumidor, que vinha tendo contínua aceleração ao longo de 2007, pode ter encontrado uma acomodação de crescimento, embora em um nível elevado.






