Economia brasileira mantém bom ritmo

Em: 20 de fevereiro de 2008
Indice de preços ao consumidor do IBGE foi menor em janeiro, 0,54%, contra 0,74% em dezembro. O menor aumento em alimentos favoreceu resultado. A variação do mês foi de 1,52%, menor do que os 2,06% do mês anterior.
Indice de preços ao consumidor do IBGE foi menor em janeiro, 0,54%, contra 0,74% em dezembro. O menor aumento em alimentos favoreceu resultado. A variação do mês foi de 1,52%, menor do que os 2,06% do mês anterior.

O início do ano de 2008 para a economia brasileira foi muito especial. Festejamos o expressivo crescimento do ano anterior, mas em poucas oportunidades do passado recente ficamos tão preocupados como desta feita. A maior inflação e os sinais cada vez mais preocupantes de que a crise internacional se apresentava com maior gravidade apareceram de surpresa na virada do ano e geraram forte apreensão.
Em seus relatórios e atas de reuniões o Banco Central brasileiro praticamente anunciou que estava a ponto de aumentar a taxa de juros. Felizmente a ameaça não se concretizou. Um aumento dos juros cairia como uma bomba sobre as expectativas empresariais e dos consumidores. Cabe notar que essas expectativas se mostram muito favoráveis, constituindo os fatores de base que alimentam o dinamismo do investimento e do mercado interno consumidor, os quais, por seu turno, vêm sustentando o maior crescimento econômico.
A reviravolta também veio rapidamente. Primeiro, a CNI (Confederação Nacional da Indústria), anunciou na semana passada que a indústria brasileira utilizou menos sua capacidade de produção, numa indicação de que a economia está longe de um quadro de superaquecimento da demanda. Em segundo lugar, porque as últimas pesquisas já indicam uma significativa contenção do aumento de preços. Como já foi observado, a inflação elevou-se no final de 2007, porém exclusivamente devido aos maiores preços de alimentos causados, sobretudo, por fatores de ordem externa. Pois bem, o fato novo é que a inflação de alimentos regrediu.
O índice de preços ao consumidor do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) foi menor em janeiro, 0,54%, contra 0,74% em dezembro. O menor aumento em alimentos foi determinante para o resultado. A variação em janeiro foi de 1,52%, menor do que os 2,06% do mês anterior.

Melhora
significativa

Também a variação do Índice Geral de Preços, calculado pela Fundação Getúlio Vargas, acusou uma melhora. Na primeira prévia de fevereiro, houve aumento de 0,42%, contra 0,67% no mês anterior. Evoluções muito menores nos preços de alimentos no atacado e no varejo explicam o menor índice inflacionário.
O Relatório de Mercado do Banco Central divulgado ontem, que resume as avaliações do mercado financeiro sobre as variáveis econômicas, já acusa redução da expectativa de inflação para 2008, estimando a variação do IPCA em 4,39%, contra estimativa de 4,45% uma semana atrás.
Duas observações: desde a semana de 12-1-2008 e excetuando uma leve queda em 11-1-2008, esta é a primeira redução de expectativa de inflação avaliada pelo “mercado”. A segunda observação é que normalmente o “mercado” avalia com certo retardo certas mudanças de tendências, o que significa dizer que deve prosseguir o ajuste das expectativas inflacionárias.
Outro conjunto de indicadores sugere que a atividade da economia brasileira nesse início de 2008 manteve o bom ritmo de atividade que prevaleceu nos meses finais do ano passado. O dado novo aqui é que, no entanto, a última pesquisa de comércio varejista, divulgada ontem pelo IBGE, dá sinais de que o crescimento do mercado interno consumidor desacelerou no último mês do ano passado.
Com efeito, para o conjunto da atividade a variação de novembro para dezembro na série com ajuste sazonal foi zero, mas para a maioria dos segmentos do varejo, foi negativa, como nos casos de móveis e eletrodomésticos (-6,2%), combustíveis e lubrificantes (-2,3%), tecidos, vestuário e calçados (-2,2%) e veículos e motos (-2,1%).
No caso de Hiper, supermercados, produtos alimentícios e bebidas houve aumento, porém de apenas 0,2%. Esse é um sintoma que também vem na direção de um maior controle de eventuais pressões inflacionárias de demanda, já que sinaliza que o mercado interno consumidor, que vinha tendo contínua aceleração ao longo de 2007, pode ter encontrado uma acomodação de crescimento, embora em um nível elevado.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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