A economia brasileira teve expansão de 6,1% no segundo trimestre de 2008, na comparação com igual período no ano passado. No acumulado do semestre, o incremento do PIB (Produto Interno Bruto) foi de 6% em relação ao período de janeiro a junho de 2007, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em relação ao primeiro trimestre de 2008, a economia no trimestre cresceu 1,6%.
Ao todo, a economia movimentou R$ 716,9 bilhões de abril a junho e R$ 1,3 trilhão no primeiro semestre. Trata-se do melhor semestre desde os primeiros seis meses de 2004, quando o PIB cresceu 6,6%. A taxa acumulada dos últimos 12 meses (encerrados em junho) indica alta de 6% do PIB em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores. Também na quarta-feira, o IBGE revisou para cima o PIB do primeiro trimestre, que foi de 5,8% para 5,9%, por conta do crescimento do setor agropecuário, cujo dado foi revisado de 2,4% para 3,0%. O resultado ficou acima do que previam economistas e analistas de mercado ouvidos pela reportagem, que estimaram a variação do PIB no segundo trimestre entre 5% e 5,3%.
O PIB, que mostra o comportamento de uma economia, é a soma das riquezas produzidas por um país -é formado pela indústria, agropecuária e serviços. O PIB também pode ser analisado a partir do consumo, ou seja, pelo ponto de vista de quem se apropriou do que foi produzido. Neste caso, é dividido pelo consumo das famílias, pelo consumo do governo, pelos investimentos feitos pelo governo e empresas privadas e pelas exportações.
O investimento, medido pela chamada Formação Bruta de Capital Fixo, cresceu 16,2% no segundo trimestre, se comparado a igual período no ano anterior, atingindo R$ 134,295 bilhões -é o maior incremento verificado para um trimestre, desde o início da série histórica. Na comparação com o primeiro trimestre, houve incremento de 5,4%. De janeiro a junho, o investimento aumentou 15,7% em relação ao período de janeiro a junho do ano passado, ficando em R$ 255,976 bilhões. A taxa de investimento (FBCF/PIB), por sua vez, ficou em 18,7% no segundo trimestre, a maior para o período desde o início da série da pesquisa. No primeiro semestre, a taxa de investimento também bateu recorde, ficando em 18,5%, e em 12 meses, ficou em 15,5%.
O consumo das famílias, por sua vez, aumentou 6,7% no segundo trimestre, ficando em R$ 429,627 bilhões, e acumulou alta de 6,7% de janeiro a junho (R$ 841,985 bilhões), sempre na comparação com iguais períodos em 2007. Em relação ao primeiro trimestre, constatou-se crescimento de 1%.
Já o consumo do governo registrou alta de 5,3% no segundo trimestre deste ano (para R$ 134,113 bilhões), se comparado a igual período em 2007. No primeiro semestre, essa elevação ficou em 5,6%, quando atingiu os R$ 258,971 bilhões. Em relação ao primeiro trimestre deste ano, o consumo do governo aumentou 0,3%.
Pelo lado da demanda externa, as exportações de bens e serviços cresceram 5,1% no segundo trimestre, após uma queda no trimestre anterior. Em relação ao primeiro trimestre, a alta foi de 8,5%. No acumulado do semestre, as exportações aumentaram 1,6% e, em 12 meses, 2,8%.
O destaque principal da economia brasileira no início de 2008 foi o setor agropecuário, que cresceu 7,1% em relação ao segundo trimestre de 2007 e 5,2% no semestre. Na comparação com o primeiro trimestre, a agropecuária teve expansão de 3,8%. O setor de serviços registrou incremento de 5,5% frente ao segundo trimestre de 2007 e de 5,3% de janeiro a junho. Em relação ao primeiro trimestre, o segmento aumentou 1,3%.
O setor industrial cresceu 5,7%, na comparação com o período de abril a junho de 2007. No semestre, essa expansão chegou a 6,3%. Em relação ao primeiro trimestre de 2008, a indústria teve alta de 0,9%.
Construção civil lidera expansão da indústria
O setor da construção civil cresceu 9,9% no segundo trimestre deste ano, em relação a igual período em 2007, e comandou a expansão do setor industrial, de acordo com dados do PIB (Produto Interno Bruto) divulgados na quarta-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). No semestre, o desempenho da construção civil subiu 9,5%.
O PIB cresce 6,1% no segundo trimestre; no semestre, expansão é de 6%
Para a gerente de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, essa performance foi influenciada pelo aumento das obras públicas, entre as quais as incluídas no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).
Crédito para a habitação
Outros fatores mencionados por ela foram o crescimento do crédito direcionado ao setor de habitação -26,7% no segundo trimestre, em termos nominais- e o aumento de 5% da população ocupada no setor da construção civil.
A indústria extrativa mineral teve alta de 5,3% no segundo trimestre, no embalo do crescimento de 7,3% da extração de minério de ferro, e de 5,1% de petróleo e gás. O setor petrolífero é responsável por mais de 70% do total da indústria extrativa mineral.
Desempenho superior
Palis destacou ainda o desempenho dos setores automobilístico e de máquinas e equipamentos, que contribuíram decisivamente para que a indústria de transformação alcançasse um desempenho 4,8% superior ao que fora constatado no segundo trimestre de 2007.
O setor industrial cresceu 5,7%, na comparação com o período de abril a junho do ano passado.
No semestre, essa expansão chegou a 6,3%. Em relação ao primeiro trimestre de 2008, a indústria teve alta de 0,9%, e nos últimos 12 meses, acumula elevação de 5,5%.







