A economia brasileira teve expansão de 6,8% no terceiro trimestre de 2008, na comparação com igual período no ano passado. No acumulado do ano, o incremento do PIB (Produto Interno Bruto) chega a 6,4% em relação ao período de janeiro a setembro de 2007, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Em relação ao segundo trimestre de 2008, o PIB cresceu 1,8%.Ao todo, a economia movimentou R$ 747,3 bilhões de abril a junho.
A taxa acumulada dos últimos 12 meses (encerrados em setembro) indica alta de 6,3% do PIB em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores.
O IBGE revisou o PIB de 2007, que subiu de 5,4% para 5,7%. O PIB do primeiro trimestre de 2008 subiu de 5,9% para 6,1%, e o do segundo trimestre passou de 6,1% para 6,2%.
O investimento, medido pela chamada Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), cresceu 19,7% no terceiro trimestre, se comparado a igual período no ano anterior. Na comparação com o segundo trimestre, houve incremento de 6,7%. De janeiro a setembro, a taxa de investimento aumentou 17,3% em relação ao período de janeiro a setembro de 2007.
O setor industrial cresceu 7,1% em relação ao terceiro trimestre de 2007, e acumula 6,5% no ano. Na comparação com o segundo trimestre, a indústria teve expansão de 2,6%, e nos últimos 12 meses, tem alta de 5,8%. O setor de serviços registrou incremento de 5,9% frente ao terceiro trimestre de 2007 e de 5,5% de janeiro a setembro.
Em relação ao segundo trimestre, o segmento aumentou 1,4%, e nos últimos 12 meses, tem alta de 5,7%.
O setor agropecuário cresceu 6,4%, na comparação com o período de julho a setembro do ano passado. No ano, essa expansão chega a 6,7%. Em relação ao segundo trimestre de 2008, a agropecuária teve alta de 1,5%, e nos últimos 12 meses, acumula incremento de 7,2%.
A taxa de investimento no terceiro trimestre representou 20,4% do PIB. Foi o maior nível para um terceiro trimestre desde o início da série, em 2000.
O PIB, que mostra o comportamento de uma economia, é a soma das riquezas produzidas por um país -é formado pela indústria, agropecuária e serviços. O PIB também pode ser analisado a partir do consumo, ou seja, pelo ponto de vista de quem se apropriou do que foi produzido. Neste caso, é dividido pelo consumo das famílias, pelo consumo do governo, pelos investimentos feitos pelo governo e empresas privadas e pelas exportações.
Números mostram que desaceleração será curta
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse na terça-feira que os números do PIB (Produto Interno Bruto, soma das riquezas produzidas no país) divulgados pelo IBGE mostram que a desaceleração da economia brasileira será mais curta e de menor intensidade que em outros países.
O crescimento da economia brasileira de 6,8% no terceiro trimestre deste ano, anunciado ontem pelo IBGE, reforçou a expectativa do mercado financeiro de que o Copom (Comitê de Política Econômica do Banco Central) irá manter a taxa básica de juros inalterada em 13,75% ao ano na sua última reunião de 2008, que teve início ontem e termina hoje.
“Os números divulgados pelo IBGE para o PIB no terceiro trimestre comprovam a solidez e a força da economia brasileira no momento de agravamento da crise econômica internacional’’, disse Henrique Meirelles por meio de sua assessoria.
“Esta força nos dá motivos objetivos para acreditar que a desaceleração econômica do Brasil será mais curta e de menor intensidade que em outros países’’. O presidente do Banco Central destacou que, como em trimestres anteriores, o investimento (formação bruta de capital fixo) liderou a expansão da demanda, “sinalizando que a economia brasileira continua ampliando sua capacidade produtiva’’.
Ele citou também o crescimento do consumo das famílias como um indicador de bem-estar da população.
Henrique Meirelles não deixou de mencionar o combate à inflação como fator que ajudou na obtenção desse resultado e que irá contribuir para que o país continue crescendo, mesmo apesar da crise.
“A consistência da política econômica, que alia responsabilidade fiscal com câmbio flutuante e metas de inflação, é o que nos permite enfrentar com serenidade as mudanças do cenário internacional’’.
O presidente do Banco
Central, Henrique Meirelles afirmou também que a manutenção dos fundamentos da economia brasileira irá dar confiança às empresas e às famílias “para manter seus planos de médio prazo’’, permitindo que o país continue crescendo.
PIB em 2008 chega aos 4,8%
O crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) deste ano ficará em 4,8% mesmo se no quarto trimestre o desempenho zerar, afirmou a gerente de Contas Nacionais do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Rebeca Palis.
Pela simulação, se o resultado no último trimestre do ano ficar em 3,7%, na comparação com período correspondente no ano anterior, o desempenho do ano se iguala ao registrado no ano passado, com alta de 5,7%.
Na terceira possibilidade, se o PIB do quarto trimestre tiver crescimento de 4,9%, o resultado do ano sobe para 6%.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse na terça-feira que o crescimento da economia de 6,8% no terceiro trimestre vai dar musculatura para que o Brasil possa enfrentar a crise financeira internacional.
“Esse crescimento forte que nós tivemos de 6,8% nos coloca em condições mais favoráveis para o enfrentamento dessa crise. Significa que nós ganhamos musculatura, acumulamos forças para o período mais difícil que já está acontecendo no mundo e também no Brasil”, afirmou o ministro da Fazenda.
O governo manteve a previsão para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto, soma das riquezas produzidas no país) em 2008 de até 5,5%. No último trimestre do ano, segundo Mantega, haverá uma desaceleração para um patamar entre 3% e 3,5%, por causa da crise. Para o próximo ano, o ministro mantém a meta de crescer 4%.






