Economia em tempos de fuga

Em: 11 de março de 2008
Empreendedorismo
Empreendedorismo

O desenvolvimento econômico brasileiro tem na chegada da família real portuguesa ao país, fato ocorrido em janeiro de 1808, um divisor de águas, em que o Brasil se livrou de uma série de imposições da metrópole, que limitavam as atividades mercantis e industriais, e começou a ter uma dinâmica própria, mas não livre das situações geopolíticas desfavoráveis. Para se ter uma idéia do quanto as imposições do governo português, controladas com muito rigor, cerceavam a liberdade empreendedora, citamos o fato de os teares em território brasileiro terem o direito apenas de produzir tecidos grosseiros, próprios para embalagens ou roupas de escravos, sendo que a exceção cabia à indústria naval, que desde cedo foi incentivada. Edição e impressão de livros, essenciais na formação cultural, econômica e social de um povo, eram terminantemente proibidas por Lisboa, assim com a fabricação de cerâmica mais elaborada, própria para o consumo das classes abonadas.
Com as tropas do General Junot em seu encalço, a mando de Napoleão Bonaparte, a família real portuguesa, tendo à frente o príncipe regente D. João 6, fugiu da convulsionada Europa e desembarcou, primeiramente, na Bahia. Ali mesmo, dias após sua chegada, D. João assinou uma carta régia liberando o Brasil de comerciar exclusivamente com Portugal, estabelecendo que este privilégio, dali em diante, fosse estendido às nações consideradas amigas, e ninguém mais amigo dos lusitanos, naquela época, do que a potência marítima Inglaterra. Na realidade, esta determinação foi feita sob medida para dar aos ingleses o monopólio sobre o comércio brasileiro, fato consumado no tratado de 1810, que deu exclusividade à Inglaterra.
Com a civilização industrial já enraizada em seu território, a Inglaterra impôs suas condições ao Brasil, que se viu obrigado a comprar seus produtos industrializados, sem ter como competir neste campo devido ao tratado de comércio de 1810, pelo qual as mercadorias inglesas passaram a pagar apenas 15% de imposto aduaneiro nas alfândegas brasileiras. Vale lembrar que boa parte do ouro das Minas Gerais levado do Brasil pelos portugueses ao longo do século 18 acabou por financiar parte da nascente indústria manufatureira inglesa, já que Portugal tinha neste país seu principal credor. Daí alguns pesquisadores consideraram esta fase da história brasileira como decisiva para a manutenção do status de país importador de produtos manufaturados e exportador de matérias-primas, o que já vinha acontecendo desde o início da colonização portuguesa no Brasil e que continua no século 21.

Navegar é preciso

A passagem da corte do príncipe regente, e depois rei, D. João 6 pelo Brasil, de 1808 a 1821, foi decisiva para a economia brasileira, que pode avançar em muitos aspectos, desde o comércio internacional, a duras penas; passando pelo surgimento de um sistema financeiro nacional, cujo embrião foi o Banco do Brasil, criado no mesmo ano de chegada da corte portuguesa (1808); e resultando na revolução dos costumes e do modo de ser da sociedade carioca causada pela presença de mais de 15 mil metropolitanos, muitas deles altamente qualificados para as atividades burocráticas, o que contribuiu para a formatação de uma ideologia de governo voltada para a espoliação das classes menos favorecidas vigente até os nossos dias. Também é dessa época a criação de instituições de incentivo às atividades econômicas como, por exemplo, o Tesouro Público Nacional, Conselho da Fazenda, Alfândega e a específica Junta do Comércio, Agricultura, Fábricas e Navegação do Brasil. Neste contexto, é digno de registro a criação da Oficina Tipográfica, em 13 de maio de 1808, início da imprensa no Brasil, instituição vinculada à Secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Guerra da corte portuguesa.
Assim como a chegada da corte real portuguesa tinha dinamizado a economia do país, com a sua partida em abril de 1921, milhares comerciantes do Rio de Janeiro entraram em pânico devido às possíveis e

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar