Por conta do desânimo com relação ao aumento das vendas de final de ano, tanto empresas da indústria como do comércio varejista deverão diminuir o ritmo de contratação de serviços temporários. A efetivação de vagas também deverá cair no começo de 2015.
A expectativa para o preenchimento de vagas temporárias está apenas 1% acima do resultado de 2013. Oportunidades existem e há chance de efetivação, sendo que os salários estão em média 5% maiores, contudo esses são os menores índices dos últimos oito anos. É o que aponta levantamento do Sindeprestem (Sindicato das Empresas de Prestação de Serviços Terceirizáveis e de Trabalho Temporário do Estado de São Paulo) e da Fenaserhtt (Federação Nacional dos Sindicatos de Empresas de RH, Trabalho Temporário e Terceirizado).
O presidente do Sindeprestem, Vander Morales, ressaltou que as comemorações de final de ano intensificam a movimentação comercial e, para dar conta da demanda, a indústria e o comércio contam com ajuda extra. Segundo ele, porém, a efetivação das vagas caiu, por conta da economia mais enxuta. “Outro componente a ser considerado envolve a qualificação. As empresas não efetivarão quem exigir treinamento”.
Em todo o Brasil deverão ser contratados 163,6 mil trabalhadores temporários. Em 2013, cerca de 12% foram efetivados. Este ano, a previsão não passa de 5%. Morales reforçou que a pouca efetivação envolve o período de economia incerta. “As empresas ficam temerosas. Assim, temos o menor índice de expectativa de contratação e efetivação dos últimos anos”.
Varejo
O Natal é a principal data do varejo, com previsão de movimentar R$ 32,5 bilhões em 2014 – 3% a mais que no Natal do ano passado, segundo a CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo). Em 2013, as vendas natalinas cresceram 5,1%. Este ano, a demanda sazonal por emprego no setor deverá envolver 138,7 mil vagas de final de ano -expansão de 0,8% em relação às vagas criadas no Natal passado.
Apesar de serem cautelosos, os lojistas de shoppings esperam boas previsões para as vendas de final de ano. A Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers) trabalha com a perspectiva de 30% de geração de cargos temporários para o final do ano de sobre o total de empregos efetivos -cerca de 870 mil no setor.
No Shopping Taboão, em São Paulo, a superintendente Carla Mautone disse que as contratações devem começar agora. “A ideia das lojas é não deixar para a última hora o recrutamento e seleção da mão de obra temporária”. Conforme Carla, a previsão é aumento de 15% no quadro de colaboradores das lojas. Cerca de 3 mil funcionários atuam no empreendimento.
Alimentos
As empresas de produção de espumantes e panetones -além das de decorações natalinas -, começaram a contratar em agosto. Já 70% das ofertas de vagas do varejo surgirão na segunda quinzena de novembro. “Isso tem relação com o recebimento do 13º salário, pois é quando começam as compras natalinas”, falou Morales, do Sindicato. Para ele, isso dará uma injeção na economia, pois as contratações incrementam outros negócios.
Com a expectativa de aumento de 20% nas vendas no último trimestre, por conta das férias, a diretora de recursos humanos da Patroni Pizza, Márcia Augusto, aponta que serão contratados no mínimo 360 temporários. Em 2013, quando a bandeira tinha aproximadamente 150 lojas, a marca contratou 300 funcionários para o final de ano. Agora, a previsão é chegar em dezembro com 180 unidades e reforçar as unidades com mão de obra excedente. “Geralmente contratamos um atendente e um ajudante de cozinha por loja, mas às vezes é o dobro. O ramo de alimentação é maravilhoso e temos crescido.”
Serviço personalizado
Com a previsão de movimentar até R$ 14 milhões este ano, a rede de serviços domésticos Maria Brasileira prevê chegar a 100 franquias até dezembro. A perspectiva neste final do ano é ter de 1.600 a 1.800 pessoas em trabalho temporário, indicou o fundador Eduardo Pirré. “Batemos recorde de multisserviços em setembro, ao superar 7 mil atendimentos. Em agosto, a rede havia fechado com cerca de 6.300 atendimentos”, apontou.
Com opções como babás, cuidadores de idosos, dog walkers e pessoas para limpeza doméstica e comercial, a rede projeta no mês do Natal de 8.500 a 9 mil atendimentos. Hoje, a Maria Brasileira conta com cerca de 2.500 pessoas em 64 unidades. “Nosso portfólio é grande e temos atendimentos personalizados. Os agenciamentos são para funções específicas e já passamos de 6 mil currículos.”
Supermercados
No setor supermercadista, o Walmart abriu praticamente o mesmo número de vagas temporárias para o final do ano: mais de 2 mil. As oportunidades são para os centros de distribuição da empresa e as vagas são para auxiliar de operações, conferente e separador.
No caso da Via Varejo, que administra as lojas físicas de Casas Bahia e Pontofrio, foram abertas 555 vagas temporárias na área de logística em 15 Estados.
Neste final de ano, as lojas do Extra e do Pão de Açúcar vão abrir cerca de 2.700 vagas temporárias para profissionais.
Já o Carrefour acaba de finalizar um processo seletivo para 400 vagas na Grande São Paulo.







