Com a valorização do real frente ao dólar, o governo brasileiro tem investido em medidas para atenuar a situação, como o recente aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para investimentos estrangeiros no mercado futuro.Todavia, apesar das alternativas refletirem positivamente na economia nacional, como fica o PIM (Polo Industrial de Manaus) no meio disso tudo?
O economista Chefe do Departamento de Estatísticas da Fecomercio/AM (Federação do Comércio do Estado do Amazonas), José Fernando Pereira da Silva, lembra que o sucesso da política econômica do Brasil está ancorado no tripé do câmbio flexível, metas de inflação e equilíbrio fiscal. “Felizmente, as reservas cambiais do país estão extremamente elevadas. Mas, para a nossa economia, o dólar desvalorizado não é bom, haja vista que nossos produtos perdem competitividade no mercado internacional. Da mesma forma não é satisfatório para o polo, causando reflexos negativos nas exportações”, destacou.
Em decorrência disso, o economista considera correta a medida realizada pelo Banco Central, que procura evitar a entrada de dólares no país e consequentemente sua desvalorização. “A queda do dólar acarreta elevado volume de importações, já que os produtos importados estarão mais baratos, prejudicando o parque industrial brasileiro de forma geral”, justificou.
Insumos industriais
Por esta mesma razão, o economista e especialista em finanças e métodos quantitativos, Alex Del Giglio, considera estas alternativas necessárias. “Este movimento gera deficits na balança comercial, prejudicando, consequentemente, o equilíbrio do balanço de pagamentos”, observou.
Ele comenta que a providência pode causar interferência negativa ao polo somente se o real se depreciar demasiadamente frente ao dólar, afetando as indústrias do parque industrial amazonense, que dependem de insumos industriais estrangeiros. “Mesmo assim, este cenário é bem improvável. As medidas adotadas pelo governo federal não prejudicarão o real abaixo do ‘preço de equilíbrio’”, ressaltou.
Já o economista e professor titular da Ufam (Universidade Federal do Amazonas), José Laredo, considera que o dólar desvalorizado é favorável ao PIM, justamente pelo fato de sua dependência por insumos importados. “Até o final do ano, o parque industrial do Amazonas pretende importar mais de US$ 8 bilhões em máquinas. Enquanto, no quesito de exportação, são somente US$ 800 milhões”, detalhou.
Laredo comenta que as barreiras criadas ainda não prejudicam o relacionamento com o mercado internacional, mas podem afetar o PIM, gerando expectativas negativas. “Afinal, quem garante ao empresariado que pretende investir no país, que o governo não vai criar um novo imposto sobre os produtos estrangeiros?”, questionou.
Como o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou não estarem descartadas novas medidas para conter o real, a possibilidade de outros impostos também pode incomodar as empresas instaladas no PIM, de acordo com Laredo. “Das empresas do polo, 33% são multinacionais. E, com essa medida, cria uma retenção de investimentos”, ressaltou.
Componentistas sofrem com alta das importações
Apesar do PIM não ser, necessariamente, exportador, a queda do dólar tem prejudicado o polo de componentes, que tem perdido cada vez mais espaço no mercado. Nesta semana, o presidente da Aficam (Associação das Indústrias e Empresas do Polo Industrial do Amazonas), Cristóvão Marques Pinto, alertou que, possivelmente, as 40 fábricas do segmento podem declarar falência.
Para Laredo, como o PPB (Processo Produtivo Básico) permite que haja importação de insumos, o segmento deve investir em tecnologia de qualidade e gente bem treinada para competir com o insumo estrangeiro.
No entanto, Marques Pinto explica que o polo não consegue driblar a concorrência porque o que vem de fora não é mais o insumo, mas o bem final. “Há tecnologia apropriada e pessoal qualificado na região, mas o problema é que eles já importam pronto. E quem acaba saindo mais prejudicada, são Honda e Yamaha, que obedecem o PPB”, esclareceu.
O dirigente fala que as empresas deveriam comprar 70% dos insumos do Estado, mas não chegam nem a 30%. “Eles declaram a construção de galpões, mas isso é o mínimo que deveriam fazer, senão seus produtos ficariam na chuva e no sol. Porém, no final, não geram nenhum emprego”, finalizou.






