O Banco Central deve cortar a taxa básica de juros dos atuais 9,25% ao ano para 8,75% ao ano na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do BC) da próxima quarta-feira (22). Essa é a previsão dos economistas consultados pelo próprio BC na pesquisa semanal Focus.
De acordo com a consulta, esse será o último corte de juros neste ano. No começo de 2009, os juros estavam em 13,75% ao ano. Mas o agravamento da crise econômica levou o Banco Central a realizar uma sequência de reduções na taxa Selic.
Os economistas consultados também esperam que a taxa básica volte a subir no próximo ano, devido à recuperação da economia.
A média das previsões é de uma taxa de 9,38% ao ano no final de 2010.
Na pesquisa dessa semana, os analistas financeiros mantiveram a previsão de queda do PIB (Produto Interno Bruto, soma das riquezas produzidas no país) de 0,34% para este ano. Para 2010, é esperado um crescimento de 3,60%.
Houve piora, no entanto, na expectativa em relação à produção industrial, de uma retração de 6% para um resultado negativo de 6,09% neste ano. Houve um pequeno aumento na expectativa de inflação para 2009, segundo a pesquisa. A previsão para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que serve como meta para o Banxo Central, passou de 4,50% para 4,53%. A meta de inflação é de 4,50%, podendo chegar a 6,5% no intervalo de tolerância (teto da meta).
A expectativa do mercado para o IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna) caiu de 0,95% para 0,90%. Para o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), recuou de 0,50% para 0,44%.
Os dois indicadores servem de referência para o reajuste de contratos e preços administrados, entre eles, tarifas e aluguéis. Para o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômica, a previsão passou de 4,10% para 4,11%.
Outros indicadores
A estimativa para o dólar no fim deste ano caiu de R$ 2,00 para R$ 1,95. A pesquisa mostra uma melhora em relação a outros dois indicadores: o superávit da balança comercial (de US$ 22 bilhões para US$ 22.9 bilhões) e o déficit nas transações correntes (de US$ 16 bilhões para US$ 15.1 bilhões). Para a relação dívida/PIB, o resultado piorou de 40,5% para 41%. A previsão para os investimentos estrangeiros diretos ficou estável (US$ 25 bilhões).
Efeito maior
O diretor de Política Econômica do Banco Central, Mário Mesquita, disse hoje que os efeitos da redução da taxa básica de juros promovida desde janeiro serão sentidos de forma mais intensa no segundo semestre deste ano.
Em janeiro, a taxa Selic estava 13,75% ao ano. Hoje, está em 9,25% ao ano, o menor patamar da história.
De acordo com o Banco Central, os efeitos mais fortes sobre a atividade econômica ocorrerão no próximo semestre e, em relação aos preços, por volta do final deste ano e início de 2010.
Segundo Mesquita, anteriormente, a defasagem entre a queda dos juros e seus efeitos era menor.






