Economistas projetam Natal gordo no AM

Em: 12 de setembro de 2010
Ao traçar um perfil da economia neste segundo semestre de 2010, economistas ouvidos pelo Jornal do Commercio avaliam que o quadro é positivo e que os indicadores estão excepcionais em todas as regiões brasileiras, inclusive no Amazonas
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Ao traçar um perfil da economia neste segundo semestre de 2010, economistas ouvidos pelo Jornal do Commercio avaliam que o quadro é positivo e que os indicadores estão excepcionais em todas as regiões brasileiras, inclusive no Amazonas

Ao traçar um perfil da economia neste segundo semestre de 2010, economistas ouvidos pelo Jornal do Commercio avaliam que o quadro é positivo e que os indicadores estão excepcionais em todas as regiões brasileiras, inclusive no Amazonas, cuja indústria vem apresentando crescimento gradativo a cada mês. Por tabela, o comércio varejista de Manaus também atravessa boa fase, sendo que suas vendas brutas apresentaram variação positiva de 2,34%, em junho na comparação com o mês anterior.
A própria CNI (Confederação Nacional da Indústria) tem divulgado que a inflação, embora siga acima do ponto central da meta, não mostra mais sinais de aceleração. A expectativa da entidade é que a taxa de juros Selic, que foi mantida em 10,75% na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central, não sofra novos acréscimos nos próximos meses.
O economista Juacy Botelho lembrou que, enquanto há países que ainda nem saíram da crise de 2008/2009, o Brasil vem apresentando indicadores excepcionais em 2010. “No Amazonas, os indicadores industriais e comerciais têm crescido, o que aponta para um fim de ano espetacular, tanto para o setor produtivo como na ponta”, avaliou.
Segundo Botelho, o reflexo de que a economia brasileira e a local se livraram do estigma da crise financeira internacional pode ser verificado pelos inúmeros aportes em infraestrutura, inclusive em energia elétrica. “O forte indicativo de que um Estado está crescendo são os investimentos em energia, haja vista que nenhum setor de atividade sobrevive sem que seja oferecido este serviço. Principalmente o industrial, que trabalha com maquinários em geral”, destacou.
Em recente coletiva nacional, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, estimou que a economia brasileira deve crescer a uma taxa média de 5,8% a 6% entre 2011 e 2014. Ainda segundo a avaliação do ministro, o PIB (Produto Interno Bruto) deverá fechar este ano com uma expansão de 7%.

Fundamentos econômicos

Para o consultor empresarial e economista Rodemarck Castello Branco, esse crescimento projetado é reflexo de uma conjuntura internacional favorável aos exportadores de commodities (o preço internacional cresceu nos últimos anos, permitindo a criação de fortes reservas) e fundamentos econômicos sólidos obtidos nos últimos 16 anos: estabilidade econômica (fim da superinflação) e Lei da Responsabilidade Fiscal, além da adoção de sistemas de câmbio flutuante e de metas de inflação.

Baixo nível de investimento é principal obstáculo

Por outro lado, o especialista avalia que as políticas de inclusão social, o crescimento do salário mínimo –em termos reais, entre 1994-2010 evoluiu 121,8%– e o maior crescimento recente da economia –que fortaleceu o mercado de trabalho– impulsionaram o mercado consumidor. “Esse mercado, principal motor da economia brasileira, foi também bastante alavancado pelo crédito pessoal. Este representou 15% do PIB em 2009, que em 2002 era de 5,1%”, explicou, ressaltando que o crédito imobiliário será o grande impulsionador do sistema de empréstimo no Brasil, com forte impacto no emprego, pelo efeito multiplicador do setor de construção civil.

Entraves estruturais

Traçando o cenário da economia brasileira para esta década, o economista disse que é possível concluir que existem condições de manutenção de taxas elevadas de crescimento. Mas, ressalta que estas são dependentes, no médio prazo, da capacidade da sociedade brasileira superar entraves estruturais. Entre estes, destacam-se o baixo nível de investimento –18% do PIB, enquanto a China tem 42,9% e os países em desenvolvimento em torno de 21%– e as deficiências na infraestrutura econômica –reflexo também das reduzidas taxas de investimento do setor público.
Outra preocupação de Rodemarck Castello Branco está no crescente déficit das transações correntes, que até julho alcançou US$ 28.2 bilhões, o maior desde 1947 para o período. O economista ressaltou que esse déficit tem sido coberto fortemente neste ano pelo ingresso de capitais externos de curto prazo. Por outro lado, o consultor empresarial explicou que o câmbio valorizado, se por um lado reduz o preço dos produtos importados, contribuindo para redução a inflação, por outro aumenta as importações e reduz a capacidade competitiva das exportações de manufaturados, podendo destruir estratégicas cadeias produtivas.
Em resumo, o especialista considera que o ambiente é favorável ao crescimento da economia, mas ressalva que a manutenção de taxas de juros elevadas exigirá a superação desses fatores restritivos. “Numa época de fortes alterações na geografia econômica mundial, é essencial ter uma visão estratégica que permita uma melhor inserção do Brasil nessa nova ordem econômica mundial”, finalizou.

Inflação deixa de pressionar os juros, avalia BC

Ao divulgar a ata da reunião do Copom realizada na semana passada, o Banco Central deu indícios de que a inflação em 2010 pode convergir para o centro da meta estipulada pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), de 4,5%. Dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) na semana passada indicam que essa convergência parece cada vez mais próxima. Conforme o órgão, a inflação observada nos últimos 12 meses passou para 4,49%, abaixo do acumulado até julho (4,60%).
Na ata, os diretores do BC reconhecem a existência de riscos de elevação da inflação no curto prazo. Porém, o Copom considera que a convergência da inflação para o valor central da meta tende a se materializar. “Para tanto, ampara-se na consideração pertinente de que a política monetária atua com defasagem sobre a atividade e sobre a inflação, e de que os efeitos do processo de ajuste da taxa básica de juros iniciado em abril de 2010 ainda não se fizeram sentir integralmente”, assinalou o texto.
O Banco Central entende que as perspectivas para a evolução da atividade econômica doméstica continuam favoráveis, principalmente por conta do “vigor do mercado de trabalho, pelos efeitos remanescentes dos estímulos fiscais e das políticas dos bancos oficiais e, em escala menor do que a esperada anteriormente, pela atividade global”. No entanto, a atividade interna apresenta ritmo menos intenso do que o observado no início deste ano, como revelam, entre outros, dados sobre comércio, estoques e produção industrial.

Processo de recuperação

Segundo a ata, desde o último encontro, os integrantes do Copom também acreditam que o menor risco à concretização de um cenário inflacionário benigno se deve ao fato de que se elevou a probabilidade de desaceleração, e até mesmo de reversão, do que chama de lento “processo de recuperação em que se encontram as economias do G-3 [estados Unidos, Europa e Japão]”.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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