Editorial – Prejuízos das greves de funcionários públicos nos setores estratégicos

Em: 18 de abril de 2008

Desde que foram inventadas, as greves mantiveram por longo tempo um princípio básico orientador: atingir os patrões para barganhar ganhos. Sem funcionários, a empresa fecha. O empregador deixa de ganhar dinheiro, mas continua a gastar com impostos, aluguéis, eletricidade e manutenção. Quanto mais tempo durar uma greve, mais dinheiro o empregador perde. E claro, os trabalhadores parados também não recebem pagamento e sofrem perdas.
As chamadas greves localizadas funcionam assim e envolvem somente dois lados. Porém, quando o movimento atinge um setor econômico, as greves começam a causar transtornos que atingem além da indústria ou do comércio, extrapolando para a vida de pessoas que não estão ligadas ao movimento. E quando são feitas em setores públicos o prejuízo pode se espalhar para toda a sociedade.
Como está ocorrendo com a grave dos auditores fiscais da Receita Federal. Na sexta-feira, 18, eles completaram um mês de paralisação. Eles são os campeões de paralisação desde 2005, segundo um estudo do Centronave (Centro Nacional de Navegação Transatlântica). Nesse período ficaram 175 dias parados, de um total de 493 dias de greves e operações-padrão de funcionários federais na área de comércio exterior.
Os setores atingidos perderam bilhões de reais, o país perdeu milhões em arrecadação, milhares de trabalhadores perderam seus empregos, a sociedade perdeu benefícios públicos e as famílias diretamente atingidas perderam em renda familiar. Cálculos da Eletros indicam que só na greve atual os prejuízos já ultrapassam US$ 1 bilhão.
E uma coisa fica clara: a greve no setor público atinge sim, o governo, mas prejudica seriamente a população. Fato que já desperta o governo para a necessidade de revisão da lei de greve, que é amparada pela Constituição Federal.
Efetivamente, a greve em setores públicos, principalmente os estratégicos, é uma questão para ser analisada e debatida sem partidarismos, e sob o ponto de vista do coletivismo social. Pois como diz uma mensagem postada na sexta-feira, 18, no O GloboOnline, pelo internauta de nome Adair Silva: “Não é uma empresa qualquer: é o serviço público…. onde o povo, na verdade, é que é o patrão…”

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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