O MPF-AM (Ministério Público Federal no Amazonas) encaminhou na tarde de ontem (29) ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, em Brasília, uma representação contra o senador e candidato ao governo do Estado Eduardo Braga (PMDB). A ação foi protocolada por Joel Reis da Silva junto ao MPF-AM na última segunda-feira (28), que denunciou ter sido agredido pelo senador e por membros da comitiva, enquanto fotografava a passeata da coligação “Renovação e experiência”, realizada no último domingo (27) no município de Maraã.
De acordo com a acusação, ao perceber a aproximação de Joel, Braga teria ameaçado o suposto fotógrafo, insinuando que ele estaria no evento a mando do governador José Melo (PROS). Além disso, o senador teria dado uma “gravata” e tentado tomar a câmera de Joel, com a ajuda do deputado Sabino Castelo Branco (PTB) e assessores.
As imagens da suposta agressão foram amplamente compartilhadas nas redes sociais e em sites de notícias. De acordo com informações da assessoria do MPF-AM, ainda não é possível afirmar se o senador será ou não enquadrado em alguma tipificação criminosa, uma vez que o trâmite do processo depende exclusivamente das investigações que serão conduzidas por Brasília. Por isso, também, ainda é precipitado supor uma possível punição aos envolvidos.
“A apuração de eventual prática de crime caberá ao procurador-geral da República em função de os supostos autores das condutas que motivaram a representação ocuparem os cargos de senador da República e de deputado federal, gozando, portanto, de foro por prerrogativa de função junto ao Supremo Tribunal Federal”, diz o MPF em nota.
Redes sociais viram palanque
Com a campanha ainda fora das TVs, a repercussão nas mídias sociais foi instantânea, dando demonstrações do novo perfil das disputas eleitorais.
O candidato Eduardo Braga utilizou o seu perfil em uma rede social para, nas palavras dele, “esclarecer como, mais uma vez, utilizam a internet para propagar a mentira”. De acordo com a nota, as imagens foram compartilhadas de forma orquestrada por pessoas pagas para identificar servidores públicos estaduais que, espontaneamente e fora de seus horários de trabalho, participavam do comício do candidato Braga realizado em Maraã. No mesmo perfil, o senador nega a acusação de agressão. Segundo ele, as imagens mostram uma conversa entre o parlamentar e o fotógrafo.
“Argumentei com ele o quanto essa prática de perseguição é injusta, pois cerceia a liberdade de expressão e de manifestação que os brasileiros tanto lutaram para conquistar no período da ditadura. Abracei ele e disse: ‘Por que você não faz uma imagem nossa? Quem sabe assim você também será perseguido e perderá seu emprego’”, lembrou o senador.
Braga lembrou ainda que o juiz auxiliar do TRE-AM (Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas) Márcio Rys Meirelles de Miranda determinou, na última segunda-feira (28), a retirada pela Secretaria de Estado da Segurança Pública de uma câmera do CIOPS instalada em frente ao seu comitê de campanha sob a suspeita de espionagem. A decisão atende à ação movida pela coligação de Braga, que afirma que o equipamento foi instalado na semana passada com o propósito de monitorar as ações políticas do senador. Já a Agecom informou que a câmera foi instalada no local em 2010, e que havia sido retirada para reforçar a segurança no Festival Folclórico de Parintins, mas que o governo do Estado cumprirá a liminar e retirará a câmera do local.
O deputado estadual e candidato ao governo Marcelo Ramos (PSB) também utilizou as ferramentas para repudiar a agressão que chamou de “injustificável e covarde”. O deputado ironizou a polêmica entre Braga e Melo, afirmando a prática de perseguir servidores é, há muito tempo, comum aos dois candidatos.
“O que parece um conflito entre os dois, na verdade, é uma demonstração do quanto eles são iguais. Braga e Melo, um governador e outro Secretário de Governo, juntos, perseguiram servidores, empresários e prefeitos nas duas últimas eleições. Em 2006 para reeleger o primeiro. Em 2010 para eleger o segundo como vice. O que acusam um ao outro, fizeram juntos nas últimas eleições contra os seus concorrentes. O patético é que Braga e Melo perseguiram para garantir a reeleição de Braga contra Amazonino, agora aliado de Braga. E Melo e Braga perseguiram para garantir a reeleição de Omar, tendo Melo como vice, contra Alfredo, agora aliado de Melo”, publicou Ramos.
A assessoria do governador José Melo disse que descarta qualquer envolvimento no episódio e que não há como comprovar qualquer ligação do governador com o denunciante.






