O vereador Elan Alencar (Pros) tem grande atuação na promoção de esportes em Manaus, uma de suas bandeiras de luta como parlamentar na Câmara Municipal. E vê nessas atividades desportivas alternativas para beneficiar jovens que, muitas vezes, acabam sendo cooptados pelo crime, uma forma de terapia ocupacional, transformando vidas e oportunizando melhor ascensão social.
Ao longo de vários anos, amealhou sucessos, apesar das adversidades do caminho. Mesmo assim, deu continuidade a seu idealismo de fazer mais pela juventude, onde o poder público quase não se faz presente, segundo ele.
“O esporte é essencial para a juventude. Ele é capaz de transformar vidas, direcionando os jovens para atividades saudáveis que só o fazem crescer”, ressalta o vereador. “Sem ocupação, são presas fáceis para o crime”, acrescenta.
O político também estende seus trabalhos para outras áreas, como a de saúde, corroborando para facilitar o atendimento a pessoas menos favorecidas economicamente em áreas periféricas da capital.
Ainda no primeiro mandato, ele é voz atuante no parlamento. Nas últimas eleições, polarizou a disputa pela presidência da CMM com o vereador Caio André (PSC), de quem se diz amigo e reconhece a sua atuação. E por pouco não foi eleito.
O desfecho para eleição da nova Mesa Diretora da CMM foi apertado –22 votos para Caio André, contra 19 depositados em seu nome. Para Elan, a oportunidade de poder disputar um cargo tão relevante na Câmara foi gratificante para a sua trajetória política. “A democracia existe com a divergência de ideias. E devemos reconhecer a vontade da maioria. São fatores que só fazem fortalecer ainda mais o papel do parlamentar que é um fiscal da população”, acrescenta.
Na visão de Elan, ter Caio André na presidência contribuirá para unir o atual quadro de parlamentares que, antes, chegaram a estar divididos com a proposta de mudanças na lei, permitindo a reeleição de um presidente e de todos os seus séquitos em um mesmo mandato, mas que acabou não vingando. “Ele (Caio André) veio para retomar a união entre os vereadores, além de abrir mais espaço democrático para ouvir as demandas da população”, afirmou,
O vereador falou exclusivamente para a live ‘JC às 15h’, comandada pelos jornalistas Caubi Cerquinho e Fred Novaes, diretor de redação do Jornal do Commercio.
Jornal do Commercio – O sr. tem grande afinidade com o esporte. Qual a origem do vereador Elan Alencar, que também atua na comunicação? E que segmento mais representa?
Elan Alencar –Sou natural de Eirunepé, tenho 44 anos, moro na zona Norte de Manaus. O nosso trabalho é atuante na Cidade Nova, no Riacho Doce, Campo Dourado, Jorge Teixeira, Nova Floresta.
São áreas mais populosas e com alta densidade eleitoral. E que chegam a definir eleições majoritárias. Mas sou vereador de toda Manaus. Também temos um trabalho forte nos bairros São Francisco e Petrópolis, mas estamos presentes em toda a capital.
JC – Vereador, temos uma nova direção no legislativo, com Caio André na presidência. O sr. participou das eleições polarizando a disputa pelo cargo com ele. Como enxergou o resultado?
EA -Foi uma experiência muito gratificante. É o meu primeiro mandato. E sei da importância, do ponto de vista democrático, ter participado das eleições. Sou amigo do André. A nossa proposta de candidatura foi algo muito legal.
Só que a Câmara estava meio que dividida. Quem ganha, ok, e quem sai derrotado, tem que torcer e entender que a democracia foi prevalecida. Votaram 41 vereadores, o Caio teve 22 votos, e eu 19.
Tive pouco tempo para trabalhar. Ninguém constrói uma eleição para qualquer segmento em uma semana. Você tem que conversar muito. Isso requer mais ou menos seis meses.
JC – Um namoro…..
EA – Claro, você não consegue resolver tudo isso rápido se não tiver maior tempo. Então, esperamos que a Câmara fique forte, mais pujante e o povo possa estar também dentro dela.
JC – Esta seria também a sua grande meta como presidente, trazer o povo para a Câmara….?
EA – Isso é importante. O patrão, o povo, estar dentro trazendo as suas demandas. Enquanto parlamentares, devemos estar muito sincronizados com a população em relação às suas necessidades.
É o que a gente chama de caixa de ressonância do povo, que tem que estar ali representado. Mas se confunde muito o que é liderança comunitária e qual o papel também do parlamentar.
Muitas vezes, a população entende que o parlamentar tem a obrigação de fazer, mas não, quem tem a obrigação de fazer e realizar obras é a prefeitura, o executivo. Nossa obrigação é propor e fiscalizar.
JC -Nesse biênio, também há a questão das mudanças nas comissões. O sr. já tem uma comissão nesse final de mandato e em qual participou antes?
EA –Nesse primeiro biênio, ficamos como vice-presidente da comissão de saúde e em outras comissões, como a de esporte e turismo.
Nosso trabalho é muito voltado para essas áreas. Já fui diretor de hospital, sou casado com uma médica e tenho afinidade muito boa com a área de saúde e também com esporte.
Então, logo depois do recesso, a gente vai começar essas tratativas com os colegas e os demais pares para que a gente possa permanecer com essa missão, tanto na área de saúde como esporte, que é uma área onde gosto muito de militar, principalmente por conta da oportunidade para os jovens.
Muito se fala sobre o crime organizado, de falta de oportunidade para os jogos, e me inquieto muito. Acho que dentro da comunidade temos a possibilidade de ter uma atividade esportiva mais forte.
Dando oportunidades com premiações para que os jovens possam no ato daquele torneio sair com algum dividendo ou uma renda. Serve até mesmo para revelação de atletas. Então, é um legado.
Quando a gente vai ver campeonatos fortes dentro de comunidades, há campos improvisados, fora dos padrões. Mas o campeonato tem 3 mil a 4 mil pessoas assistindo. Lá tem o barraqueiro, o cara que vende o salgadinho, gira a economia.
JC – Tem poder de integração….
EA – Com certeza, a comunidade interage com o parlamentar. O que estou fazendo? Você compra tijolos, areia, e a comunidade constrói. Quem está na pelada é toda a comunidade que joga futebol.
Reúno todo mundo, dou o material e a gente constrói. Politicamente, eu digo – quem planta, colhe. Se amanhã acharem que eu mereço ou não, tudo bem, mas tenho que andar com a cabeça erguida.
JC – Sabemos dos benefícios que o esporte promove e é capaz. Qual a sua opinião sobre a necessidade de uma secretaria de esportes, tanto no município como no Estado? Já não está na hora….?
EA – Está, sim, porque essas fundações acabam sendo limitadas em relação à questão orçamentária.
Quando vemos o governo federal colocando Ana Moser, atleta olímpica e medalhista, recriando o Ministério dos Esportes, nos dá mais incentivos a partir de agora. Só estamos aguardando a mensagem do prefeito para que se possa criar a secretaria.
É um desejo do prefeito retomar a secretaria. Creio também que o governo do Estado. Vamos conversar com o prefeito, já existe uma sinalização para que voltasse a ser criada a pasta. Aliás, esse investimento na área de esporte para juventude é essencial.
JC – E o prefeito é um atleta….
EA – Com certeza….(rsss)
JC – Vereador, o sr. tem agora campeonatos para ajudar comunidades?
AL – Estamos ajudando o campeonato de motocross. Será algo em torno de sete etapas, e a gente vai investir um valor bem significativo. Conseguimos receber pilotos de Presidente Figueiredo, Tefé, Manacapuru, Belém, Santarém e Boa Vista..
A gente acaba transformando Manaus na capital do Norte dessa modalidade de motocross. Teremos mais de 100 pilotos praticando o esporte, fica no Tarumã.
Vamos investir pesado na divulgação do evento. Existem as fábricas da Honda e da Yamaha, mas não temos essa divulgação. Falta articulação.
JC – Dá até para fazer motos de teste?
EA – Exatamente. Usamos muitas motos da Honda na categoria nacional. E 95% são da fábrica. Não custa nada a Moto Honda dar uma moto de premiação.
Tem o futevôlei. Serão em torno de 30 duplas, e vamos dar uma premiação como incentivo. Será na Arena Curió, na Cidade Nova, que foi reformada.
O campeonato de futebol no Riacho Doce, no campo da ponte, vai começar em fevereiro. Então, há um calendário bem definido de atividades.
JC – Por desconhecimento, cobra-se do vereador o que ele não pode entregar. Mas existem emendas impositivas. De alguma forma, isso tem ajudado para atender mais às necessidades da população?
EA – Sim, claro, queremos agradecer até a prefeitura. As emendas parlamentares estão até mais robustas, dando essa condição para que possamos trabalhar.
Também entra a questão da importância de criação da secretaria em relação à parte orçamentária. Até que a gente possa entrar mais forte no esporte. Tenho entrado nas medidas sobre a questão da assistência social.
Conseguimos tocar um programa para atendimento a 100 mães de primeira viagem que estão em extrema vulnerabilidade social. Mães solteiras, que estão desempregadas, não têm condições.
Elas confeccionam o próprio enxoval, terão acompanhamento de psicólogos e assistentes sociais. Também em área vermelha, na zona norte de Manaus.
E estamos estendendo esses trabalhos para outros bairros. Sabemos que o índice de desemprego é altíssimo. Precisamos ter segurança alimentar.
Sou um parlamentar muito sensível a isso, principalmente sobre a segurança alimentar, Cara, muita gente pode recriminar isso, mas são coisas que devem ser feitas de uma forma para quem precisa. E vem dando certo.
JC – Para 2023, qual o projeto que será a menina dos seus olhos, o grande objetivo de seu mandato?
EA – Em dois anos, a gente acertou, errou, paramos para avaliar e avançar em alguns projetos que não deram muito certo. A partir de agora, a gente vai estar muito mais antenado, com mais experiência, atentos sobre o que é nosso papel de fiscal do povo e estarmos muito mais entrosados com as secretarias.
Uma das coisas que temos que ter é uma interlocução com as secretarias. Sou uma pessoa convergente. Nosso principal projeto é estar mais presentes nas comunidades. Dentro das secretarias, dos distritos de obras, em busca de solução.
Há ruas que não recebem asfalto há dez e 20 anos. Estaremos sobretudo mais presentes na questão de saúde, infraestrutura e esportes. Vamos trabalhar o fortalecimento da saúde básica da cidade.







