Os legados de Guilherme Aluízio e Sócrates Bomfim atravessam a história do Amazonas como pilares da comunicação, do pensamento econômico regional, do empreendedorismo e da defesa de um projeto amazônico desenvolvido e sustentável. Agora, essas trajetórias ganham novas camadas de permanência pelas mãos do jornalista e escritor Elcias Moreira, que dedica seu trabalho à missão de registrar essas figuras centrais para a memória do Estado.
Elcias assina como autor a obra “Sócrates Bomfim 1908-1984” e como curador e editor “Coleção Sócrates Bomfim” , ambas pelo Selo Editorial Temporal. Os novos títulos se somam ao livro “O Último Romântico – Biografia de Guilherme Aluízio”, publicado em 2022, completando um conjunto de obras que eterniza a contribuição de duas gerações importantes, não apenas para o Amazonas, como também para o grupo Jornal do Commercio.
O jornalista, que mergulhou na vida e obra destes personagens históricos durante anos, aponta características que aproximam as duas personalidades, mas também lembra a diferenças que os tornam tão fascinantes. “Como autor das duas biografias, considero essencial refletir sobre os pontos de convergência e contraste entre esses dois personagens. Guilherme Aluízio era movido pela criatividade, diálogo e uma inteligência emocional refinada. Já Sócrates Bomfim se destacava pela introspecção, disciplina, erudição e escuta ativa que moldaram suas decisões. Havia entre eles um entendimento silencioso, sustentado por posturas compatíveis: elegância, gentileza e educação. Essa diferença na abordagem revela a riqueza das trajetórias que procurei captar com o estilo do jornalismo literário que adoto — um método que busca não apenas narrar fatos, mas mergulhar na essência dos personagens”, avaliou o jornalista e escritor. Elcias Moreira dedica-se a reconstruir trajetórias fundamentais para a memória cultural e econômica do Amazonas. As novas obras jogam luz sobre o pensamento, as pesquisas e os projetos visionários de Sócrates Bomfim.
A “Coleção ”reúne cinco livros clássicos do autor, originalmente lançados entre as décadas de 1950 e 1960, agora revisados e reorganizados com rigor editorial.
“Guilherme Aluízio – O Último Romântico” (2022)
O jornalista elegante e empreendedor visionário, Guilherme Aluízio, que esteve à frente do Jornal do Commercio por 35 anos, teve sua história eternizada pelo livro “O Último Romântico – Biografia de Guilherme Aluízio”, em 2022, pelas mãos do jornalista e escritor Elcias Moreira. Coube ao seu filho Sócrates Bomfim Neto, homenageá-lo, postumamente, através de uma biografia autorizada, uma biografia oficial que completa esta prateleira de legados. A obra resgata a atmosfera da imprensa amazonense da década de 50. As madrugadas nas redações dos principais periódicos de Manaus, principalmente do Jornal “A Gazeta” em que Aluízio era repórter —as conversas pelas praças e as aspirações de jovens que, sem imaginar, tornaram-se donos de empresas de comunicação. Inspirado no Novo Jornalismo, Elcias construiu a biografia com base em entrevistas, investigação jornalística e pesquisa histórica. A edição do texto teve participação direta de Sócrates Bomfim Neto, filho de Guilherme e atual CEO do Jornal do Commercio, que acompanhou o processo em reuniões semanais por nove meses.

“Sócrates Bomfim 1908–1984”(2025)
Dando continuidade ao trabalho de recuperação dos grandes nomes da história regional, Elcias Moreira lança a biografia “Sócrates Bomfim 1908–1984”, um volume de 288 páginas dedicado a um dos mais visionários intelectuais da Amazônia. Nascido no Juruá, Sócrates Bomfim foi um polímata: advogado formado em 1930, professor de Direito Industrial e Legislação do Trabalho, estudioso de química, geologia, metalurgia, siderurgia e economia. Dono de memória impressionante, transitou com brilhos pelos campos acadêmico, político e empresarial. Foi prefeito de Manaus (1933 1934), procurador fiscal do Estado e, por indicação de Getúlio Vargas, diretor da Comissão de Planejamento da SPVEA, onde integrou a equipe que formulou o Primeiro Plano Quinquenal da Amazônia (1953–1955). No setor produtivo, destacou-se como pioneiro da industrialização regional. Fundou, em 1955, a Mineração Bomfim S.A., responsável pela exportação de manganês do rio Aripuanã, e concebeu seu projeto mais ou sado: a Companhia Siderúrgica da Amazônia (Siderama), criada em 1961. A usina buscava transformar matérias-primas locais e inaugurar a primeira indústria de base da região —um marco do sonho amazônico de autonomia econômica. Apesar de iniciar operações em 1969, a Siderama enfrentou forte oposição política e, após intervenção federal e retenção de recursos pela Sudam, entrou em insolvência em 1974. A disputa ficou conhecida como um confronto de “Davi contra Golias”.
A Biografia retrata Sócrates Bomfim como um homem simples, introspectivo e avesso aos holofotes — um idealista que dedicou a vida ao conhecimento e ao projeto de desenvolvimento da Amazônia. Sua visão segue atual e inspira seu neto, Sócrates Bom fim Neto, atual CEO do Jornal do Commercio, que carrega o nome e os valores do avô e o amor pela comunicação, herdada do pai.







