A eleição para a reitoria da Universidade Federal do Amazonas está colocando em polos opostos o governador Omar Aziz e o senador Eduardo Braga. Os dois não estão diretamente envolvidos, mas aliados deles comandam as campanhas dos dois oponentes, que se enfrentarão amanhã no segundo turno. A atual reitora Márcia Peralles, que desponta como favorita, tem entre seus coordenadores o ex-secretário de Educação Gedeão Amorim, filiado ao PMDB. O rival, Sylvio Puga, ostenta o número 33, coincidentemente o mesmo usado até a eleição de 2010 por Omar. E tem entre seus conselheiros alguns dos auxiliares diretos do atual governador.
Simbolismo
Eduardo e Omar foram estudantes da Ufam. O primeiro cursou engenharia elétrica e o segundo engenharia civil. Ambos militaram em movimentos estudantis distintos dentro da instituição. O senador era da ala mais conservadora e o governador filiado ao PC do B, que reunia alguns dos mais radicais opositores do regime militar. As disputas ideológicas do passado ficaram na história. Hoje Marcia e Puga não têm alinhamento com correntes políticas ou partidárias que influenciem com mais ênfase a eleição.
Endinheirado
O candidato Sylvio Puga tem uma campanha rica, que estaria sendo bancada por empresários ligados ao prefeito Arthur Neto, outro que estaria apoiando a chapa 33. Um marqueteiro foi contratado e faz propaganda em sites de notícias, que costumam cobrar caro para entrar em uma campanha como esta. Na verdade, tanto um como outro, tiveram que buscar financiamento fora da Academia. As faixas e banners espalhados por todos os lados comprovam o derramamento de muito dinheiro.
Berlinda
A manifestação de estudantes na semana passada acendeu a luz amarela nas Secretarias de Educação do município e do Estado. A influência de líderes estudantis ligados ao PC do B, que controlam entidades como a União Nacional dos Estudantes, motivou uma mobilização interna para evitar que os alunos das redes públicas continuem engrossando as fileiras dos protestos contra o aumento da tarifa de ônibus. Há em curso uma clara estratégia para demonizar os “agitadores”, mas eles prometem continuar na luta.
Dias de glória
A diminuta oposição ao prefeito Arthur Neto na Câmara Municipal de Manaus, formada basicamente por vereadores do PT, vive seus dias de glória depois do rompimento das adutoras e do reajuste da tarifa de ônibus. A tendência é que eles passem a contar paulatinamente com outros colegas insatisfeitos com o tratamento que vêm recebendo da administração municipal. Enquanto isso não acontece, faturam politicamente com pronunciamentos, projetos e representações junto ao Ministério Público.
Irritação
Esquentou muito nos últimos dias o clima entre os deputados Sinésio Campos e José Ricardo Wedling, companheiros de PT. Os dois adotam posturas totalmente distintas em plenário. O primeiro é líder do governo Omar Aziz e o segundo é opositor radical do mesmo gestor. Com a proximidade da eleição, e temendo que se repita o que ocorreu em 2010, quando o “adversário” teve mais que o dobro de seus votos, Sinésio quer que o partido puna José Ricardo por desobedecer a resolução da legenda, que indicou o apoio a Omar. Falou até em expulsão.
Independentes
O problema para Sinésio é que ele dificilmente conseguiria unir todas as correntes petistas em torno da proposta de expulsão do correligionário. José Ricardo faz parte de um time de parlamentares do PT que adota uma postura crítica e independente em relação aos governos, o que agrada em cheio companheiros que se acostumaram a ser “do contra” antes que Lula chegasse ao poder. A ele se juntam o deputado federal Francisco Praciano e o vereador Waldemir José.
Desconfiança
Começa a surgir entre os vereadores de Manaus um movimento para que o presidente Bosco Saraiva reveja a decisão de manter a imprensa longe do plenário. Eles entendem que a Câmara sumiu do noticiário em função disso e desconfiam que o sumiço foi a resposta dos jornalistas a atitude. Ontem, um vereador veterano andava de bancada em bancada comentando isso e dizendo que antes, com repórteres em plenário, era mais fácil emplacar um projeto, um pronunciamento ou um ataque aos adversários na mídia. “Hoje nem a gente se oferecendo para entrevista eles querem”, completava.
Coincidência
O presidente do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas, Érico Desterro, prorrogou até as 17h da segunda feira (1°) o recebimento de prestações de contas referentes ao ano de 2012. Até às 11h, 270 —de um total de 347 gestores —haviam encaminhado a documentação ao TCE-AM, mas 77 continuam inadimplentes. Quem não entregou vai ter que se haver com o Ministério Público de Contas.
Inspeção
A inadimplência dos gestores deverá prejudicar o trabalho de inspeção que o tribunal inicia em duas semanas. “Temos um calendário e, se as contas não forem entregues, a programação fica comprometida. Por isso, iremos ao MPE contra os inadimplentes, que cometem os crimes de responsabilidade e improbidade administrativa ao deixar de prestar contas do dinheiro público”, comentou Desterro.






