Em 10 anos, AM registra a maior taxa expansão de frota de motocicletas no Brasil, segundo dados da Abraciclo

Em: 31 de julho de 2025
A velocidade estadual foi o dobro da alcançada pela média brasileira, que avançou 42% no mesmo período, com 35,92 milhões (2025) contra 25.30 milhões (2016) unidades.   
Foto: Divulgação

A frota de motocicletas do Amazonas foi a que mais cresceu em todo o país, nos últimos dez anos. De 2016 a 2025, a quantidade de veículos de duas rodas circulando pelas ruas do Estado saltou de 288.793 para 536.599, configurando uma diferença de 85,80%. Os foram divulgados pela Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares), por ocasião do Dia do Motociclista, comemorado no último domingo (27). A velocidade estadual foi o dobro da alcançada pela média brasileira, que avançou 42% no mesmo período, com 35,92 milhões (2025) contra 25.30 milhões (2016) unidades.   

Embora responda por apenas 1,50% da frota nacional de motocicletas, o Amazonas – que abriga um dos maiores parques industriais para produção de motocicletas no mundo no PIM – superou o desempenho proporcional das unidades federativas mais populosas do país. São Paulo (7,30 milhões de motos), Minas Gerais (3,65 milhões) e Bahia (e 2,10 milhões) respondem por 20,30%, 10,20% e 5,80% do share nacional, respectivamente, mas avançaram menos (+38,70%, +35,30% e +50,90%). A segunda e a terceira posição do ranking foram ocupadas por Alagoas (+81% e 536.599) e Pará (+64,70% e 1,60 milhão), que contam com participações de 1,50% e 4,50%, na ordem.

O ganho de espaço e relevância das motocicletas e o desempenho do Amazonas seguem em linha com a produção crescente do Polo Industrial do Amazonas. A indústria de motocicletas do PIM fechou o primeiro semestre com o melhor desempenho dos últimos 14 anos e o terceiro melhor resultado de sua série histórica. A quantidade de unidades produzidas de janeiro a junho (1.000.749) superou em 15,3% o patamar atingido em igual intervalo do ano passado (868.076). A Abraciclo espera fechar 2025 com alta de 7,5% na produção (1.880.000) e aumento de 7,7% nas vendas domésticas (2.020.000).

“O levantamento revela que o avanço não se limita aos maiores centros urbanos nacionais, demonstrando que o uso da motocicleta tem se expandido por diversas regiões do país, especialmente fora dos principais polos econômicos. Os números comprovam que o setor de duas rodas vive um momento histórico”, reforçou a entidade, em nota divulgada à imprensa.

 

Agilidade, preço e delivery 

De acordo com a Abraciclo, país conta com um mercado consumidor potencial de mais de 40 milhões de pessoas aptas a conduzir os veículos de duas rodas. O Brasil é o sexto maior fabricante mundial de motocicletas – e o maior fora do eixo asiático. A indústria de motocicletas do PIM emprega 20.000 pessoas na Zona Franca de Manaus, 1.400 a mais do que no mesmo período do ano passado. O segmento é responsável por 18% da mão de obra do Polo e tem capacidade produtiva de 1,9 milhão de motocicletas por ano. Além disso, contribui com mais de 150 mil empregos diretos no país, além de  7.800 concessionárias e 1.500 empresas fornecedoras de componentes.

Em vídeo distribuído pela assessoria de imprensa da Abraciclo, o diretor executivo da entidade, Sergio Oliveira, cita números da Senatran (Secretaria Nacional de Trânsito, para enfatizar que o Brasil tem atualmente mais de 35 milhões de motocicletas, configurando avanço de 42% na última década. “Nesse mesmo período, a frota do Amazonas cresceu mais que o dobro da média nacional. Cerca de 536 mil unidades rodam pelas ruas e estradas do Estado. O uso da motocicleta cresce tanto entre as pessoas que procuram uma opção de deslocamento mais ágil e acessível, quanto entre as que as utilizam como instrumento de trabalho, a exemplo dos serviços de entrega”, frisou.

O dirigente destaca também que quase 397 mil pessoas em todo o território nacional estão habilitadas na categoria A, que é a específica para veículos motorizados de 2 a 3 rodas. E acrescenta que o Estado também foi destaque nesse quesito. “Assim como ocorrido com a taxa de crescimento de sua frota, o número de motociclistas habilitados no Amazonas superou a média nacional. Em 10 anos, a alta foi de 80%”, ressaltou.

No entendimento de Sergio Oliveira, há vários motivos que contribuem para a aceitação crescente das motocicletas e para seu índice de aumento de vendas superar a média atingida pelos veículos de quatro rodas. “Entre os diversos fatores que favorecem essa expansão, podemos destacar o preço de aquisição mais acessível das motos; seu baixo custo de manutenção; seu menor consumo de combustível; a agilidade dos deslocamentos; e a utilização profissional. Com isso, a motocicleta se torna uma solução mais econômica e acessível de transporte”, afiançou.

 

“Demanda consistente”

Os números da Abraciclo confirmam os levantamentos mais recentes da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), a despeito das oscilações dos últimos meses. A participação das motocicletas nas vendas das concessionárias do Amazonas foi responsável por 58,02% do volume comercializado no semestre, com 25.384 unidades. Somadas, as categorias de automóveis (11.460) e comerciais leves (5.566) não passaram de 38,92%. As motos registraram alta de 1,82% em junho (4.651) sobre o ano passado. Mas, ainda estão 2,01% negativas no acumulado do ano. 

A base de dados da Abraciclo confirma que os emplacamentos bateram recorde absoluto na série histórica no semestre, com 1.029.546 motocicletas comercializadas e elevação de 10,3%. O Sudeste concentrou 33,3% (344.300) do total, seguido por Nordeste (32,9% e 338.500), Norte (13,2% e 135.400), Sul (11,4% e 117.000) e Centro-Oeste (9,2% e 94.300).

As motocicletas de baixa cilindrada (até 160 centímetros cúbicos) representaram 78,7% (787.900) da oferta. Os modelos de 161 a 449 cilindradas responderam por 19% (190.400), além de atingirem a maior alta do período (+19,2%). Os veículos acima de 450 cilindradas contribuíram com 2,3% do total (22.400) e marcaram a única retração da lista (-13,2%). A categoria Street (510.000) reinou com 51% de share, secundada pela Trail (21,2% e 211.700), Motoneta (13,7% e 136.600), Scooter (8,8% e 88.200) e Naked (2,1% e 20.900). As motocicletas flex representaram 64,3% (643.900) do mercado.

“O mercado ainda tem demanda consistente, assegurando o ciclo de investimento da indústria, que recebe a chegada de novos players no mercado”, frisou o presidente da Abraciclo, Marcos Bento, durante a coletiva de imprensa deste mês. “No primeiro semestre, tivemos o anúncio de vários lançamentos, oferecendo ao consumidor um número cada vez maior de produtos mais versáteis, modernos e tecnológicos. Há um destaque importante para o consórcio, que representa hoje mais de 30% do volume de negócios”, emendou. 

Em comunicado à imprensa, o presidente da Fenabrave, Arcelio Junior, salienta que a categoria dos veículos de duas rodas vem acumulando resultados positivos em 2025. “Em seis meses, as vendas de motos já superaram a marca de 1 milhão de unidades. O brasileiro tem apostado em motocicletas como um dos meios de mobilidade e veículo de trabalho. Com a alta dos juros, devemos notar um significativo aumento das cotas de consórcio de motos”, concluiu. 

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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