Fundamental para estudantes e profissionais de psicologia, o livro percorre a trajetória pessoal e intelectual de Fritz Perls, criador da Gestalt-terapia. Dos anos na Europa às experiências na África do Sul, passando pela temporada em que Perls morou nos Estados Unidos e pela concepção de cada uma de suas obras, o caminho percorrido por esse grande pensador é desvendado com rigor e poesia.
Muito rica em experiências culturais, a vida de Frederick Perls foi marcada por um fervilhante ambiente das artes, da filosofia e da ciência europeia do início do século XX e, mais tarde, pelos movimentos de vanguarda americanos. Mas a polêmica figura do criador da Gestalt-terapia provocou, sobretudo após sua morte, inúmeras críticas a seu legado. No livro Frederick Perls, vida e obra – Em busca da Gestalt-terapia (208 p., R$ 56,80), lançamento da Summus Editorial, a professora e psicóloga Fádua Helou relata o caminho percorrido por esse grande pensador, incluindo sua trajetória pessoal, os anos na Europa e as experiências na África do Sul, passando pela temporada em que ele morou nos Estados Unidos e pela concepção de cada uma de suas obras.
“Descrever o tempo vivido por Fritz a fim de relacioná-lo à sua obra soa também como um caminho profícuo para quem se interessa pela história e pela teoria da Gestalt-terapia”, diz a autora. Resultado de um minucioso trabalho de pesquisa e investigação, o livro descortina sua participação nos principais movimentos revolucionários – da psicanálise ao humanismo, das guerras mundiais à rebeldia característica do fim da década de 1960.
Dividido em três partes, o livro reúne os principais acontecimentos biográficos de Perls partindo da ótica cultural, histórica e política. “Essa contextualização é fundamental para compreender o seu pensamento em cada etapa de sua vida profissional e as rupturas e continuidades paradigmáticas entre essas fases”, afirma Helou.
A partir da primeira obra, publicada em 1942, a autora busca o fio condutor que permeia sua produção. “Examino de maneira mais detalhada a passagem da psicanálise para a Gestalt-terapia, etapa teórica significativa na sua trajetória, mas pouco estudada”, conta a psicóloga. A vida de Perls na Europa é apresentada no primeiro capítulo, destacando suas mais seminais influências, vividas sobretudo em Berlim, Frankfurt e Viena. Em seguida, a autora relata possíveis desdobramentos do pouco que se sabe a respeito do período de exílio vivido na África do Sul, país onde Perls conseguiu uma boa colocação profissional.
Na sequência, Helou descreve a vida de Perls nos Estados Unidos. “Esse é também o ambiente de discussão crítica da psicanálise e de busca de novas interlocuções, característica dos anos 1950, preparando o cenário para o movimento da contracultura, que chega ao auge na década de 1960”, explica a autora, destacando que é nessa fase que Perls se encontra com outros profissionais que formarão o pioneiro Grupo dos Sete. Em Nova York, diz ela, a sua vivência é marcada pela criação da Gestalt-terapia, pelo Instituto de Gestalt-terapia de Nova York e pela publicação do livro Gestalt-terapia.
Segundo Fádua, a partir de 1952 a inquietação de Perls leva-o a buscar novas experimentações pessoais e profissionais com viagens a outras cidades americanas e ao exterior, num período que culmina com sua estada em Esalen nos anos 1960. “É o auge da sua fama e da divulgação da Gestalt-terapia”, afirma. Helou analisa também o surpreendente e curto período que se segue quando ele deixa Esalen e vai em busca de novos horizontes no Canadá, em 1969. “É o último sonho de Perls, interrompido por sua morte em março de 1970”, complementa.
Nos capítulos seguintes, a psicóloga apresenta as obras de Perls, em ordem cronológica e vinculada às propostas teóricas de cada uma delas. Dessa forma, trata da primeira publicação, com o livro Ego, fome e agressão (1942/2002) – que faz uma revisão da psicanálise, analisa dois artigos escritos em 1947 e 1948, no período de sua transição da psicanálise para a Gestalt-terapia, e apresenta a obra Gestalt-terapia (1951/1997), que estabelece uma ruptura paradigmática com a psicanálise e representa a criação da nova abordagem.
O oitavo capítulo reúne o conjunto das obras publicadas em 1969, em que Perls parece retomar de forma assistemática alguns pensamentos anteriores, além de inserir concepções, ampliando a proposta da Gestalt-terapia. A autora faz ainda uma releitura dos conceitos defendidos por Fritz, tomando por base a análise dos temas das suas obras e dos projetos de prática correspondentes, e finaliza o livro com uma avaliação sobre a trajetória do pensador e as consequências para o desenvolvimento da Gestalt-terapia.
A autora
Fádua Helou é formada em Psicologia pela Universidade de Brasília (UnB) e mestre em Psicologia Clínica e Cultura pela mesma instituição. Tem ainda especialização em Psicologia Clínica pelo Conselho Federal de Psicologia, em Psicologia da Aprendizagem e Desenvolvimento pela UnB e em Gestalt-terapia pelo Centro de Estudos de Gestalt‑terapia de Brasília. Didata e supervisora na abordagem, atua na clínica psicoterápica.
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