O governo do Estado pretende incluir a Arena da Amazônia no roteiro turístico de Manaus. Além de abrigar o Museu Olímpico também está previsto a instalação de uma loja de souvenir e uma lanchonete. Tudo patrocinado pela CEF (Caixa Econômica Federal). A afirmação é do secretário da Sejel (Secretaria de Estado de Juventude, Esporte e Lazer), Fabrício Lima. “O city tour é outro projeto que queremos adotar”, disse.
Com a implantação do city tour, todo o lucro dessa ação será repassado ao Feel (Fundo Estadual de Esporte e Lazer). Segundo especialistas, o objetivo é cada vez mais trabalhar a Arena da Amazônia como um espaço multiuso autossustentável. Isso depois de amargar um prejuízo de R$ 6 milhões, em 2016. Com arrecadação anual de pouco mais de R$ 1 milhão não foi suficiente arcar com as despesas de segurança, manutenção predial e do gramado. Neste cenário, os demais estádios estaduais vão permanecer como CT (Centro de Treinamento), em 2017.
A Arena Amazônia é um legado da Copa do Mundo de 2014. Com R$ 605 milhões dos cofres públicos, foi construída a partir de conceito diferenciado. Chegou a receber uma certificação internacional concedida a construções sustentáveis. Tem capacidade para 44 mil torcedores sentados.
Segundo Lima, a Arena da Amazônia vai entrar no roteiro turístico de Manaus. “O city tour é outro projeto que queremos adotar, mas ir além do passeio. A ideia é implantar um Museu Olímpico dentro da Arena, com acervos que já foram garantidos pelo ex-presidente da Confederação Brasileira de Atletismo, Roberto Gesta”, informou.
Para garantir comodidade e segurança aos visitantes durante o city tour na Arena da Amazônia, o Governo do Amazonas por meio da Sejel conta com o patrocínio da Caixa para realizar as adequações necessárias para instalação de uma loja de souvenires e uma lanchonete de padrão internacional.
“Além disso, é previsto que a Caixa entre com patrocínio e estamos alinhando os trâmites burocráticos para que junto com o Museu possamos ter também a lojinha de souvenir e uma lanchonete. Com o Museu, poderemos abrir para o city tour e garantir comodidade, tranquilidade e profissionais capacitados para atender a população. Todo o lucro desta ação será repassado ao Feel, e ela deve iniciar até o segundo semestre deste ano”, disse Lima.
Os demais estádios continuaram servindo, exclusivamente, para jogos de futebol no estilo CT, neste ano. “A Colina e no Zamith são nossos centros de treinamentos e estádios bastantes utilizando para o futebol local. Por isso, para não comprometer a temporada, não exploramos eventos nesses locais”, explicou Lima.
Expectativa
Mesmo com as contas no vermelho, o secretário de Esporte e Lazer afirma que o estádio deve ser visto como um investimento para o futuro e que precisa de tempo para dar lucro. “Estou como secretário de esporte do Estado há menos de um ano e desde que assumi venho trabalhando não somente para somar com o Governo, como também para realizar mudanças significativas em prol do esporte”, defende Lima.
Para 2017, o secretário diz que a expectativa é de que o valor das despesas se iguale ao da arrecadação. Já que nos próximos anos é esperado lucro.
“Para se ter ideia, somente no ano de 2016 foram realizados 49 jogos na Arena da Amazônia, mais que o dobro de 2015”, garante.
Fatores externos afetaram desempenho
De acordo o presidente da FAF (Federação Amazonense de Futebol), Dissica Valério Thomaz, a crise econômica que vem assolando a economia do país, aliado às novas regras da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) com relação ao mando das partidas realizadas nos grandes campeonatos, prejudicaram o resultado da Arena da Amazônia, em 2015 e 2016.
“Dois pontos contribuíram para que a Arena da Amazônia perdesse a projeção nacional e o seu objetivo como estádio multiuso, que é realizar grandes eventos esportivos entre outros. Primeiro foi devido à situação econômica do país que causou prejuízos para vários segmentos, e no esportivo não foi diferente. Vamos ver se esse cenário muda no próximo semestre”, justificou.
Já o segundo ponto foi envolveu a redução de percentual do rateio da renda da própria FAF. “Depois foi por conta dos jogos dos grandes campeonatos que viriam disputar na Arena e que a CBF mudou a rega do mando, prejudicando os patrocinadores. Inicialmente, estava previsto a vinda de grandes clubes como o Flamengo, por exemplo, que passaram a pedir valores absurdos dos empresários. Eu mesmo tive que diminuir o percentual da FAF para minimizar a situação”, revelou Dissica.
Gestão
Em Manaus, os estádios são geridos pela Sejel (Secretaria de Estado de Juventude, Esporte e Lazer). “Eu, Fabricio Lima, estou à frente de todos eles e divido a demanda de cada espaço com os gerentes”, informou. “O gerente da Arena da Amazônia atende por Thiago Durante, o do Estádio Carlos Zamith por Daniel Leocádio e o Estádio da Colina por José Ribamar”, completou o secretário.
De acordo com o secretário Fabrício Lima, o recurso para manter os estádios sai do Tesouro Estadual e algumas demandas são sanadas através do Feel (Fundo Estadual de Esporte e Lazer). “O Feel que faz a arrecadação dos eventos que ocorrem nos espaços do Governo do Amazonas, pertencentes à Sejel. Exemplo: quando se tem um jogo de clube de fora, 10% do lucro vão para o Feel, e este benefício é empregado no esporte local”, explicou.
Segundo Lima, a meta é transformar a Arena da Amazônia em um estádio multiuso que dê lucro. “O objetivo é cada vez mais trabalhar a Arena da Amazônia como um espaço multiuso. Não só um estádio que recebe jogos de clubes de fora, locais, como também eventos que ocupem suas áreas, como shows, bazar, casamentos, aniversários, confraternizações de empresa e encontro empresariais”, disse
Planejamento minimiza resultados ruins
Na opinião do presidente da Aclea (Associação de Cronistas e Locutores Esportivos), Eduardo Monteiro de Paula, a falta de planejamento é o principal ponto para o resultado negativo da Arena da Amazônia e do próprio futebol amazonense. “O pior é que está cada vez mais decadente por falta de um planejamento, de um projeto. Afinal de contas futebol profissional significa comportamento profissional”, ratificou.
Segundo de Paula, houve um investimento alto na Arena da Amazônia e, ainda custou a demolição do Estádio Vivaldo Lima, que era o ícone do futebol amazonense. Agora a arena precisa de visibilidade internacional. “Aqui, nós continuamos sendo amadores, sem nenhum planejamento para buscar elevar o nível técnico e, muito mais que isso, buscar a identidade do futebol amazonense com o povo amazonense. O estádio já é de primeiro mundo, o futebol é de quarto mundo”, lamentou.
Oposição
Segundo o deputado Estadual, José Ricardo (PT), faltou planejamento para Arena da Amazônia dar lucro. “Uma obra desse tamanho e deste vulto financeiro já deveria prever no planejamento a sua sustentabilidade financeira. É inadmissível que um secretário de Estado fale em tempo, sem que apresente um planejamento para solucionar esse problema”, analisou.
Ele aproveitou a oportunidade para citar outras prioridades da população e a prestação de contas durante a construção da Arena. “A população precisa do que é bom, com estádios bonitos e modernos, mas precisa também de prioridade em suas necessidades essenciais, como saúde, educação, segurança, transporte. E existe ainda questão sobre possíveis propinas pagas pela construtora a políticos, que precisa ser investigado”, disse.






