Em Paris, Melo defende compensação

Em: 9 de dezembro de 2015

Governador participou ontem do painel “Líderes Regionais Mostram o Caminho”, na COP-21

“O mundo precisa ajudar o Amazonas a manter o total de 97% da sua cobertura vegetal preservada. Esta é uma responsabilidade que deve ser de todos e a população do meu Estado tem que ser compensada por não mexer nas riquezas naturais que temos em nossa região”. Com esse argumento o governador do Amazonas, José Melo, iniciou sua participação, nesta segunda-feira (7) no painel “Líderes Regionais Mostram o Caminho”, que acontece na Conferência Mundial das Nações Unidas para Mudanças Climáticas, a COP-21, em Paris, na França.
José Melo falou com a propriedade de quem administra o Estado que abriga o maior território preservado de floresta tropical do mundo e como o governador que sancionou recentemente uma importante legislação de serviços ambientais. Participaram com ele do painel o governador Ben Ayad, de Cross River, na Nigéria; Manoel Gambini, de Ucayall, no Peru, e José Aristóteles Sandoval, de Jalisco, no México.
O governador afirmou que o Amazonas está pronto para desenvolver um modelo econômico-ecológico baseado nos serviços e produtos ambientais e no potencial produtivo do interior e observou que o sistema de Meio Ambiente do Estado passa a orientar as decisões estratégicas a serem adotadas daqui para frente.
Com a nova legislação, explicou José Melo, o Amazonas institui o Sistema Estadual de Serviços Ambientais que garante transparência do processo, através de Instâncias de Monitoramento Social como o Conselho Estadual de Meio Ambiente do Amazonas, Conselho Científico formado por membros da UEA (Universidade do Estado do Amazonas), Ufam (Universidade Federal do Amazonas) e Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia); também a Repartição de Benefícios às Comunidades Tradicionais e Indígenas dos recursos captados (através de um sistema de salvaguardas socioambientais -transparência social -a ser amplamente discutidos com a sociedade). Essa medida assegurará que a verba chegue à ponta e beneficie as populações tradicionais e o financiamento do potencial produtivo e da conservação.
“Se faltava um mecanismo forte, com a legislação criamos um instrumento poderoso que nos possibilita avançar bastante na questão ambiental e beneficiar quem precisa receber total atenção pela preservação da floresta que são os povos que nela habitam”, frisou José Melo.
Apresentando números, o governador informou que o Amazonas possui hoje 54% da sua área protegida, sendo 12% por reserva estadual, 15% de reservas federais e 27% de terras indígenas. “Essas são áreas nas quais não podemos tocar, mas áreas que temos que ser recompensados por mantê-las intactas”, defendeu.
Numa projeção econômica levando em consideração os estoques de carbono nas áreas de Unidades de Conservação Estaduais do Amazonas (192 milhões de toneladas de CO2) ao preço médio de US$ 5, números fornecido pelo Fundo Amazônia e pelo Mercado Voluntário, o potencial de captação de recursos seria da ordem de R$ 3,6 bilhões, o suficiente para suprir a demanda financeira para a consolidação e manutenção das Unidades de Conservação, cerca de R$ 200 milhões em 10 anos.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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