O curimatá, um peixe de água doce bastante apreciado na culinária amazonense, também está colaborando para o fortalecimento da piscicultura regional, com uma função bastante nobre: limpar os viveiros de tambaqui e impedir o despejo de efluentes na natureza.
Como se trata de uma espécie que vive nas águas profundas, a curimatá limpa o leito das águas, ajudando a liberar o gás sulfídrico -encontrado no substrato do material orgânico que fica no fundo dos viveiros- que ao entrar em contato com a luz e o calor é volatizado e deixa de existir.
A liberação da água dos viveiros nos leitos naturais é um dos grandes entraves da piscicultura, que vem sendo sistematicamente fiscalizada pelos órgãos ambientais. Os efluentes (dejetos dos peixes, rações e outros produtos químicos) podem comprometer os rios e lagos.Os problemas mais comuns são a eutrofização, fenômeno causado pelo excesso de nutrientes que leva à proliferação excessiva de algas, que ao entrarem em decomposição comprometem diretamente a qualidade da água; e o aumento da turbidez, devido ao acúmulo e à sedimentação de sólidos em suspensão.
Para evitar esse problema deve-se adotar as boas práticas aquícolas, que melhora a qualidade da água e dos sedimentos do fundo, reduzindo dessa forma o potencial de poluição dos viveiros. A experiência com o curimatá está sendo realizada há cinco anos pelos pesquisadores da Embrapa Amazônia Ocidental (Manaus), com excelentes resultados. Segundo o pesquisador Cláudio Izel, a equipe de pesquisa está preocupada para que a atividade cause o mínimo de impacto ambiental.
Sem produção de efluentes
Por esse motivo, está desenvolvendo piscicultura sem a necessidade da troca de água dos viveiros, ou seja, sem a produção de efluentes a ser incorporados ao leito natural dos rios e igarapés.
Ele explicou que atualmente as águas saem dos viveiros por evaporação e algumas infiltrações naturais, não necessitando ser descarregadas artificialmente e que a lama depositada no fundo dos viveiros é tratada pelas curimatás e o excedente pode ser usado como fertilizante natural de jardins.
Uma das formas de viabilizar a reutilização da água é a criação de espécies consorciadas com peixes de hábitos alimentares diferentes, por exemplo: curimatá que se alimenta dos efluentes, com o tambaqui que come ração. Nos experimentos da Embrapa, o curimatá chega aos viveiros ainda alevino do mesmo tamanho dos tambaquis e permanece por dois anos, sem qualquer prejuízo ao desenvolvimento de ambas as espécies.
As informações sobre o curimatá foram divulgadas na terça-feira última, quando houve a apresentação do plano de trabalho de dois pesquisadores recém-contratados para a área de piscicultura da Embrapa: Luis Antonio Kioshi Inoue e Cheila de Lima.
A primeira palestra “Criação de tambaqui em tanques escavados”, com o pesquisador Luis Inoue, abordou os aspectos gerais da pesquisa que a Embrapa desenvolve, enquanto a palestra “Uso de Mebendazol no controle de monogenóides durante o transporte de juvenis de tambaqui (Colossoma macropomum), feito por Cheila de Lima abordou o uso de um medicamento para evitar o aparecimento de doenças nos peixes.
Ambos os profissionais completaram o estágio probatório exigido pela Embrapa aos pesquisadores recém-contratados de um ano, período no qual passaram pela avaliação de desempenho, que culminou com a apresentação pública de seus trabalhos.







