A segunda edição do ‘Empório de Agronegócios’ do Sebrae-AM (Serviço Brasileiro de Apoio as Micros e Pequenas Empresas do Amazonas), em Manaus reúne desde a última quarta-feira (21) microempresas do setor primário atendidas pela entidade. Um dos objetivos é colocar frente a frente produtores do campo e empresas do ramo alimentício, sendo para muitos a primeira experiência do tipo. Na feira serão comercializados diversos produtos regionais, tais como farinhas, laticínios, pães, hortaliças, açaí, polpas de frutas, molhos, geleias, plantas ornamentais e mel, produzidos em Manaus e interior.
O foco nesta edição da Feira está no segmento do pescado, por se tratar de um produto muito comum nos hábitos alimentares do amazonense e por ser um dos segmentos que movimenta uma grande cadeia produtiva no Estado, segundo afirma o gestor do projeto Piscicultura na Região Metropolitana de Manaus, Leocy Cutrim. Ele destaca, entre o pescado que será ofertado, o tambaqui e pirarucu in natura, filé de arraia e filé de bodó.
Sendo sua segunda edição, a ‘Feira Empório Agronegócio’ movimenta a economia de diversos setores e possibilita, além da venda direta de produtos regionais, um intercâmbio de negócios e conhecimento entre os expositores, a maioria produtores rurais. Ainda de acordo com Leocy Cutrim, o Empório é uma oportunidade para donos de restaurantes, bares, lanchonetes e redes de distribuição e supermercados firmarem parcerias comerciais diretamente com o produtor rural, ou seja, sem a participação de atravessadores que muitas vezes encarecem os preços finais dos produtos.
Peixes beneficiados
Há dois anos representando o Frigorífico Maués, Aluízio Glória acredita em boas vendas após a passagem pelo empório. “Já participamos de feiras de produtores como as realizadas no Asa e no Cassam, mas estas ainda são voltadas ao pequeno público. Aqui temos a chance de expandir a clientela”, disse o representante.
Segundo Aluízio, os filés de peixe originários de Maués têm mais aceitação em outros mercados. “Existe muita resistência quanto aos peixes de couro, como o dourado. Mas em mercados europeus, dos EUA e Japão os produtos são altamente requisitados. Um de nossos principais produtos, o filé de bodó, ao sair daqui e ser servido em restaurantes internacionais é chamado de ‘lagosta negra da Amazônia’ pelo sabor parecido com o do fruto do mar”, ressalta.
Networking
O networking promovido pelo evento é um dos fatores mais chamativos do empório, conta Zanis. “Os contatos feitos aqui terão bons frutos.
E o mais interessante é que está havendo uma proximidade entre os expositores. Na degustação dos peixes de um colega, unimos as forças e juntos ao peixe, a farinha condimentada da Jutica foi servida. São novas parcerias que se fecham”, disse o comerciante.
Para novos e veteranos
Pela primeira vez em contato com potenciais grandes compradores depois de 8 anos de atividade, a representante da Granja União, Mirlene Fonseca disse estar preparada para a rodada de negócios. “Saímos de Iranduba e estamos aptos a tratar com grandes compradores. O Sebrae nos deu essa capacitação e a granja tem a capacidade de suprir demandas que acredito, serão conseguidas nas negociações”, afirma.
Produtores e representantes um pouco mais experientes também se encontram no espaço do Sebrae. O gerente de vendas da Jutica – Produtos da Amazônia, Klinger Zanis comemora a consolidação da empresa especializada em produtos derivados da castanha do Brasil. “O empório é uma grande vitrine para novos negócios, não estamos aqui somente para comercializar, apesar das vendas já feitas nos dias de evento. A ideia é juntar experiências e aproveitar o networking que o empório propicia”, disse Zanis que assumiu a gerência da empresa tefeense há pouco tempo.
Um dos produtos inovadores da Jutica e que tem atraído a atenção de comerciantes e público do empório é o Óleo de Castanha.
“Inovamos nos derivados da castanha e com isso já conseguimos espaço em supermercados e empórios de Manaus e outras cidades. Uma das metas futuras é atingir o mercado exterior e para isso, a capacitação oferecida pelo Sebrae e outras entidades é muito importante”, comenta o gerente.
Buscando capacitação
A procura por uma outra fonte de renda foi a razão do professor de eletrônica, Ilmar Reis buscar capacitação no Sebrae. “Quero empreender em agronegócios e aproveitei a visita ao empório, para buscar respostas para minhas dúvidas. Quero iniciar um novo negócio e preciso estar muito bem assessorado, não dá para perder dinheiro no momento atual, seja por multas ou falta de experiência em administração”, comenta o professor que pretende investir em piscicultura.
A diversificação também é citada pelo professor como fator predominante para a busca de capacitação “Além da piscicultura, tenho outra atividade que é o plantio e a extração de óleo de copaíba na zona rural de Manaus. São sete mil pés já produzindo e com isso desenvolvi uma máquina para processar o óleo. Esta em breve será patenteada pela UFPA (Universidade Federal do Pará) e preciso estar capacitado para não perder tempo e dinheiro”, comenta.






